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| Imagem tirada da internet |
Na última semana os jornais noticiaram que 30%
do queijo da Serra da Estrela (DOP) acaba dentro dos pastéis de bacalhau.
É caso para dizer: “E anda um pai a criar um filho
para isto”.
Espalhadas pelas belas encostas
da Ilha, alternando com paisagens que parecem saídas de um quadro de João Hogan, podem observar-se manadas de vacas que pastam calmamente. Chama à atenção
a diversidade de cores: malhadas pretas e brancas, castanhas e brancas ou
castanhas, numa mistura agradável à vista. São vacas leiteiras responsáveis
pela grande quantidade de leite produzido que, na grande maioria, é exportado para outras
ilhas. Na ilha é consumido em parte e transformado em manteiga e queijo, o
célebre queijo da Graciosa que compete com o de outras ilhas dos Açores e que alguns dizem ser superior ao de S. Jorge.
O leite serve igualmente
para fazer as Queijadas da Graciosa que antigamente eram designadas por “covilhetes
de leite” ou “queijadas da praia”. Feitas no domicílio passaram, desde há cerca
de 25 anos, a ser produzidas como especialidade
local por Maria de Jesus Félix que abriu uma fábrica para a produção das
mesmas. Mas é possível encontrar outras idênticas em vários pontos da ilha.
A receita é conhecida e
presumo que seja muito idêntica nos vários locais, porque nas que provei localmente não
encontrei diferenças significativas. À vista são queijadas de bicos, habitualmente
cinco, feitas com uma massa fina, levemente franjada nas extremidades. Lá
dentro um creme de leite bem apurado, que lhe dá uma cor escura e que é extremamente
doce.
Fiquei a pensar que, embora
do ponto de visto teórico, seja bom manter as receitas tradicionais, na realidade, hoje em dia, o nosso paladar já não está habituado
a uma quantidade tão grande de açúcar. Dito de outra maneira, entre o rigor
escrupuloso da receita tradicional e os conceitos de alimentação actuais (menos
sal, menos açúcar, etc.) há que optar pela adaptação aos hábitos mais saudáveis
dos nosso tempos. Assim, apesar do meu interesse pelas antigo receituário de culinária, parece-me aconselhável reduzir a quantidade de açúcar da
receita, que faz estranhar o paladar dos não autóctenes. E se eu sou gulosa!
Não quero fazer concorrência ao programa “Irritações” onde os intervenientes ao fim de vários programas parecem ter de inventar factos que os irritam. Esta é uma irritação verdadeira que advém da compra de dois queijos num mercado biológico. Muito bonitos e apelativos, mas caríssimos, porque estamos a pagar, além do produto, crenças e convicções. Como ficaria espantado um verdadeiro queijeiro, daqueles lá da Serra da Estrela, se visse estes preços.
Mas tudo bem. Quando as coisas são de qualidade, tendemos a secundarizar os preços. O pior é que um aspecto importante nos queijos é o seu sabor e esse não estava lá. Sabiam os dois ao mesmo, isto é, a nada.
O queijo de cabra, que
cheirava intensamente a cabra, não sabia a cabra. Concluí que devia ter leite
de vaca misturado, mas estranhamente o sabor não acompanhava o cheiro.
Decidi fazer uma tigelada de requeijão com o queijo, uma estreia absoluta. A tigelada da Beira Baixa, sobre a qual já falei, (Ver: :https://garfadasonline.blogspot.com/2015/06/tigelada-da-beira-baixa.html), não leva habitualmente requeijão. Em minha casa, na Covilhã, era sempre a de requeijão que comíamos. Estranhamente nunca falei nela, o que prometo fazer proximamente.
Hoje é só para lhes mostrar a
minha experiência, feita com o queijo de cabra biológico a fazer o papel do
requeijão. Não dou a receita porque a fiz a olho, em dose menor para me caber
num pequeno forno e evitar ligar o forno grande. Fá-lo-ei quando voltar a este
tema.
A tigelada ficou boa, embora não
o suficiente para de futuro tomar o lugar do requeijão. Cheirava a queijo e até sabia a
queijo, talvez detectado pelo gosto inusitado naquela receita. Foi uma boa
solução, mas a não repetir.
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| Mãe preta. Fotografia tirada da internet |
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| Ama-de-leite. Fotografia tirada da internet |
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| Irmãos-de-leite. 1883. Foto tirada da internet. |
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| Queijo da Quinta da Maçussa. Foto do site da Câmara dea Azambuja. |
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| Foto tirada da internet |
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| Farinha produzida em Portugal pela Soc. de Produtos Lácteos AVANCA para a Nestlé |

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| Ilya Ilyich Mechnikov |
| Registo do Yoghurt Oriental |
| O amassar do pão numa padaria em Lisboa in «Illustração Portugueza », 1911. |