Recebi de presente um saquinho de “beijinhos”. Fiquei radiante porque há anos que não os via.
Se perguntarem aos mais novos já ninguém conhece uns bolinhos chamados «beijinhos». Experimentem e perguntem aos mesmos se conhecem os bolos americanos, agora vendidos em franschising, e que dão pelo nome de “cup cakes”. Todos conhecem e, se não é ainda o caso, vão conhecer ou vão querer comer. Não é que sejam a mesma coisa. De comum só têm a cobertura colorida, mas é esse o seu atractivo.
Os beijinhos são uns doces tradicionais feitos com uma base tipo pastilha, feita com massa idêntica à das línguas de gato e decoradas com um glacé colorido.
A diferença entre as línguas de gato e os beijinhos é que as primeiras são feitas com duas pastilhas que, ao cozerem no forno se juntam, dando a forma da língua, enquanto os beijinhos são feitos apenas com uma pastilha. Por outro lado as línguas de gato não recebem qualquer cobertura, enquanto os beijinhos são cobertos com um glacé colorido.
Há alguns anos atrás no dia de Todos os Santos, nas aldeias, os jovens iam pedir o «Santorinho» ou o «Pão por Deus». Levavam sacos de pano que iam enchendo com os presentes das pessoas que visitavam. Normalmente frutos secos, nozes, línguas de gato, beijinhos, etc.
Tudo isso se perdeu e em substituição importámos o Halloween.
Digam lá se não é a isto que se chama ser saloio.