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quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Dia de Reis

Votos de um feliz Dia de Reis.

Fica a imagem de parte da minha colecção de brindes de Bolo-rei, a lembrar os dias felizes em que descobríamos estes pequenos objectos embrulhados no meio da massa.

Pequenas alegrias de infância.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Dia de Reis

Pequeno bolo rei, um sinal dos tempos modernos, e brindes antigos do bolo, sinais de outros tempos. Feliz dia de Reis.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A romã de Maluda ... e a minha

Claro que esta é uma homenagem a Maluda, no dia de reis.

Já anteriormente falei sobre a tradição da romã neste dia.

Hoje, para recordar a necessidade de comer romã para manter a prosperidade, realidade em que nenhum analista económico acredita, resolvi fazer uma versão minha do quadro de Maluda. Uma foto rápida em que tento reproduzir o quadro e em que fico nitidamente a perder.

Maluda (Maria de Lurdes Ribeiro), que nasceu na Índia portuguesa em 1934 e faleceu em Lisboa em 1999, tinha um modo próprio de simplificar as paisagens e os objectos que tornou inconfundível toda a sua obra.

Utilizo a sua memória como lembrete para que mantenham esta tradição tão simples.

Feliz dia de reis.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Feliz Dia de Reis



FELIZ DIA DE REIS



NÃO SE ESQUEÇAM DE COMER ROMÃ

O FRUTO ANTI-CRISE

(ver post de Janeiro de 2009)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A fava e o Dia de Reis

Tornou-se tradição no dia 6 de Janeiro, dos Reis Magos ou Epifania, comer bolo-rei.
Estão recordados que, até há 2 ou 3 anos, o bolo-rei ainda tinha dentro um brinde e uma fava. Descobriram um dia que se podiam partir os dentes ao comer uma fatia com estes elementos e foram proibidos. Parece que ninguém pensou na possibilidade de cortar fatias mais finas e detectar os elementos estranhos e assim acabou-se com um hábito divertido.

Queremos hoje falar no significado da fava. A tradição recente, porque o bolo-rei só chegou a Portugal no final do século XIX, dizia que a quem coubesse a fava devia comprar um novo bolo-rei.
Em diversos países, e desde há vários séculos, a pessoa a quem calhava a fava tornava-se num rei por um dia. Um «rei da fava», como também era chamado por brincadeira. No dia de Reis a família sentava-se à volta da mesa para comer e beber. Era o rei quem devia beber primeiro. Quando tal acontecia gritava-se «o rei bebe» e todos os outros bebiam em seguida.
Foi esta festa que Jacob Jordaens (1593-1678) representou nos seus quadros com o título «O rei bebe». Tendo-se especializado em temas religiosos e cenas de banquetes, este pintor menos conhecido da época de Rubens e Van Dyck , deixou-nos 6 versões sobre este tema. Podemos encontrá-las em Bruxelas (Museus Reais de Belas Artes), em Paris (Louvre), em Berlin (Staatliche Gemäldegalerie) e em Munique (Alte Pinakothek), em Viena (Kunsthistorisches Museu) e em S. Petersbourg (Museu Ermitage).

Em todo eles se pode observar a figura do rei, bem disposto e bem bebido, com uma coroa de papelão na cabeça, cujo modelo se crê ser o sogro do pintor, Adam von Noort, de quem foi discípulo.
Jordaens realizou estas pinturas nos anos 30-40 do século XVII. Embora nalguns quadros o rei seja a figura central, como acontece no existente em Bruxelas, na pintura que pertence agora ao Louvre e na de Viena de Áustria o rei encontra-se numa das extremidades da mesa.
O que é comum a todos eles é o ambiente de festa popular, com alegria e exuberância nos modos. Esta tipo de festa, em que pessoas do povo encarnam a realeza, parece ter as suas raízes na Saturnália ou festas de Saturno, festividade romana em que aos escravos era permitido representar o papel dos seus senhores, assistindo-se a uma inversão da ordem social.
Em todos os quadros desta série a bebida está presente e podem ver-se já os seus efeitos. Para o serviço de bebidas eram usados copos de vidro, com pés elaborados, como era costume nos países baixos, pichéis de estanho e jarros de barro vidrado, elementos de luxo a contrastar com o comportamento pouco formal dos representados.
Sobre a mesa podem ver-se iguarias, salientando-se as talassas, já com os seus alvéolos e as “galettes des rois”, as precursoras do bolo-rei, no interior das quais se encontrava a fava.
Pormenor das talassas à esquerda e das galettes à direita, sobre a mesa

Agora que a Comunidade Europeia nos roubou a fava do bolo, e antes que seja esquecida, é bom recordar a sua simbologia e os momentos de alegria que o seu achado desencadeou ao longo dos séculos.

domingo, 4 de janeiro de 2009

A Romã e o Dia de Reis

É tradição portuguesa comer romã no Dia de Reis.

Diz a tradição que, quem o fizer, terá abundância todo o ano.

Em tempo de crise este conselho é mesmo de aproveitar. Mas como em tudo existem regras de que já falaremos.
A romã é, como é sabido, o fruto da romãzeira, o seu nome científico é Punica granatum L. e pertence á família das Punicaceae.
A árvore que dá este fruto é nativa da região que vai desde o Irão ao norte da Índia e aos Himalaias. Passou depois a ser cultivada na Índia central e do sul, no século I e mais tarde na região Asiática do Mediterrâneo, na Europa e em África.
No Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa de José Pedro Machado, que eu muito estimo, diz que vem do latim «romana« (mala), «maçã romana» e que a palavra romãa já era usada antes de 1377. No meu atrevimento de ignorante, acreditaria mais que vem da palavra árabe «rumman», que é mencionada no Corão várias vezes.
É que a etimologia analisada nas outras línguas nada tem a ver com a nossa. Os ingleses chamam-se “pomegranate”. Em latim clássico o fruto era conhecido por malum punicum ou malum granatum. A palavra malum significa maçã e granatum deriva de granum “grão” com o significado de muitos grãos. Também o nome desta fruta, nas outras línguas ocidentais, deriva de adaptações de malum granatum, como por exemplo «grenade» em francês ou «melagrana» em italiano, sucessor directo do latim milgroym e ainda «granada» em espanhol.
A palavra «rumman» continua a ser usada nos países arábes e encontramo-la em receitas como a sopa iraquiana de romã (Shorbat Rumman) ou no sumo de romã, que se pode beber na rua, em vários países arábes, como em Marrocos, onde tem o nome de «Asseer Del Rumman».

A romã foi sempre considerada um símbolo de fertilidade que se devia à grande quantidade de sementes que existem na fruta e à forma harmoniosa como elas se dispõem na polpa do fruto. É esse sentido que é atribuído à romã nos desenhos das colchas de Castelo Branco que, como sabem, tiveram as suas origens no Oriente. São de inspiração indo-portuguesa, existem vários tipos e é no modelo popular, ou nas colchas de noivado, que se reproduz mais frequentemente a romã.

Mas o fruto ganhou outros significados relacionados com o casamento e o amor. Com o tempo passou também a atribui-se-lhe um sentido de abundância que passou a englobar a prosperidade e a riqueza. O povo, como o seu sentido prático, diz que no «Dia de Reis deitam-se três bagos de romã no lume para o ter aceso, três bagos na caixa do pão e três no bolso do dinheiro para ter dinheiro e pão (Teófilo Braga, em «O povo Português suas crenças e costumes»).


Mas o costume que eu recordo desde pequenina, na Covilhã, era o de comermos romã no dia de Reis, para termos fartura. Mas para isso era necessário guardar a coroa da romã, juntamente com uma moeda atada, numa gaveta. No ano seguinte, depois dos Reis, dava-se a moeda a um pobre e repetia-se o ciclo. Na altura era uma moeda de um ou dois tostões, já não me lembro bem. Hoje não sei a que deve corresponder.
Em Portalegre existia também esse costume e encontrei também referência ao mesmo em Castelo de Vide, onde é tradição pelo dia de Reis comer uma romã. Aí primeiro comem-se cinco grãos dizendo: "Em louvor dos Santos Reis", e pede-se um desejo que não pode ser revelado. Daqui concluo que pelo menos nos distritos de Castelo Branco e no de Portalegre se associava a romã ao Dia de Reis, mas é possível que o mesmo se passe noutros lugares.

Em minha casa comia-se a romã em salada, com açúcar, canela e um fio de vinho do Porto. Mastigavam-se as sementes e saboreava-se o suco. Algumas pessoas engoliam as sementes, outras deitavam-as fora. Mas estava cumprido o ritual.

Para quem não esteja familiarizado como fruto devo dizer que a melhor maneira de o descascar é cortar a casca finamente em gomos, como uma laranja. Depois separam-se os gomos e retira-se a pele divisória.
Para quem não goste de comer as grainhas pode fazer sumo. A maneira mais prática de extrair o sumo é cortar a romã ao meio e espremê-la no espremedor de laranjas. Pode também amassar-se bem a romã inteira no chão ou numa pedra, depois fazer um corte e espremer o suco. Se não lhes agradar qualquer destes métodos, ainda têm outra alternativa. podem pôr os bagos num passador, esmagar as sementes e extrair o sumo. Este pode beber-se ou fazer geleia.
É que para além de ser muito agradável são-lhe atribuída imensas propriedades fitoterapêuticas. Em primeiro lugar é anti-oxidante, o que leva a crer que tem um efeito benéfico como protector vascular, por reduzir o colesterol LDL (ou mau colesterol). Para além disso são lhe atribuídas outras virtudes como anti-envelhecimento e efeitos neuroprotectores na Doença de Alzheimer. Passo por cima de alguns dos seus mencionados atributos mas não posso deixar de mencionar um estudo em que foi demonstrado efeito antibacteriano, sobre estirpes de Staphylococcus aureus de origem humana, em que o seu efeito antibacteriano foi superior ao de alguns antibióticos testados. Interessante.
Mas o post de hoje era sobre o Dia de Reis. Não se esqueçam de comer romã. Depois não digam que eu não avisei.