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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

O Fascínio dos Alumínios. Parte 3

Brinquedos em alumínio. Museu de Penafiel
Não podia terminar estas minhas memórias sobre alumínios sem falar na visita à última fábrica do Município de Penafiel, a Rodrigo Ribeiro de Magalhães, Lda. Muitas das antigas fábricas da região foram construídas por trabalhadores que haviam aprendido o ofício na Fábrica de Talheres de João Abrantes Ferreira, na década de 1950. Concentravam-se em Irivo e foram fechando a pouco e pouco.
Foto da exposição de alumínios do Museu de Penafiel
Resta a fábrica do sr. Firmino Magalhães, cuja memória dos factos passados nos permite reconstruir mentalmente a vida na época e compreender a importância daquela indústria para a região.
Fotografia dos pais de Firmino Magalhães. Museu de Penafiel.
O projecto recebeu-o do seu pai Rodrigo Ribeiro de Magalhães, nascido em 1918, e que foi um dos trabalhadores de João Abrantes Ferreira, na fábrica de cutelaria que apresentava a marca JAFE e que ajudou muitos dos seus funcionários a estabelecerem-se. Num dos catálogos presentes na exposição de alumínios, de 1954, podemos ver muitos dos modelos que então aí eram produzidos. 
Cartão comercial. Museu Municipal de Penafiel
Depois de uma tentativa sem sucesso de fundar uma primeira fábrica com um sócio, juntamente com a sua mulher Emília Cândida Antunes, com quem havia casado em 1938, começou a produzir talheres num anexo junto à casa onde viviam e em 1953 registava uma empresa designada Rodrigo Ribeiro de Magalhães, Lda.
O sr. Firmino Magalhães à entrada da fábrica.
A seu filho Firmino Magalhães, com quem falámos, cresceram-lhe os dentes na indústria do alumínio e foi o continuador da obra do pai. Na década de 1960 construiu no mesmo local a fábrica ainda hoje aí existente. A indústria foi progredindo com exportações para o estrangeiro e sobretudo para o mercado colonial.
Facturas. Museu de Penafiel.
Com o 25 de Abril todo esse comércio foi suspenso e passaram-se tempos difíceis. Chegou a ter 30 empregados e agora tem apenas dois. Mas a alegria, versatilidade e disponibilidade da sua funcionária Maria Joaquina que salta da fundição para as outras máquinas com a maior facilidade, suprimem as lacunas que possam existir.
Fase de fundição
O alumínio fundido é colocado manualmente em moldes e arrefecido com um jacto de água. Depois das peças feitas passam por várias fases de tratamento. Começa-se por as separar ou cortar o que é feito numa máquina. 
Fase inicial para cortar as peças
Em seguida, utiliza-se uma outra máquina para tirar as rebarbas, o que funciona já como um polimento e permite fazer uma selecção da peça. Noutros casos é feito um polimento com esferas, para maior perfeição. Por último, em peças que necessitam furação, são furadas para colocar os rebites. 
Fase de tirar rebarbas
Na altura que visitámos a fábrica estavam a ser feitas pegas ou asas para tachos e portanto essa fase era indispensável. O tempo da produção de talheres já vai longe. Perdura na memória das pessoas e na presença dos moldes que o sr. Firmino ofereceu ao Museu Municipal de Penafiel.
Fase de furação
Graças ao trabalho e tenacidade do sr. Firmino a sua fábrica mantém-se em actividade, pensando o proprietário em fazer alguma reestruturação, não a ampliando, que os tempos não estão para essas aventuras. 
Ao partirmos despedimo-nos fazendo votos para que continue com sucesso e a fábrica se mantenha. É uma luta do passado contra o futuro e uma adaptação às novas necessidades de uma sociedade de consumo impiedosa.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O fascínio dos alumínios. Parte 2

Caixas de talheres. Museu Municipal de Penafiel.
Este tema foi-me sugerido pela visita à exposição que fui ver ao Museu Municipal de Penafiel e que infelizmente já acabou. Seria útil ter feito este comentário enquanto ela estava a decorrer, mas como foi desmontada várias vezes acabei por me perder e, bem à portuguesa, só me desloquei a Penafiel na véspera do seu encerramento.
Imagem do catálogo e colher da JAFE. Museu M. Penafiel
A exposição retrata a importância que a indústria de alumínios teve na região com múltiplas fábricas e milhares de empregados. Destas, hoje só resta uma única que visitei por amabilidade do seu proprietário o sr. Firmino Magalhães e de que falarei no próximo poste.
Fábrica de João Abrantes Ferreira. Museu de Penafiel
Esta concentração de fábricas foi influenciada pela indústria de cutelaria de Guimarães muito mais antiga e esse é um dos pontos apresentados na exposição. Crê-se que foi Bruno Leal de Araújo que, numa vista à Alemanha no início do século XX (1909?) terá aprendido a tecnologia do fabrico do alumínio e trazido o conhecimento para Portugal.
Fábrica de Bruno Leal de Araujo. Museu de Penafiel.
As primeiras fábricas situavam-se no município de Marcos de Canaveses, junto ao rio Odres e as do Município de Penafiel concentraram-se em Irivo onde ainda persiste a última fábrica, a Rodrigo Ribeiro de Magalhães, Lda.
Embora tenham produzido outras peças utilitárias foram fundamentalmente fábricas de talheres de alumínio.
Fábrica de Adelino Macedo & Filhos. Museu de Penafiel.
Na exposição estão visíveis as imagens das principais fábricas de Marco de Canaveses (JOMAPE, LEMÃO, BLAFOS, JOLAR, etc.), ou nalguns casos, o que resta delas. O mesmo se passa com as antigas fábricas da região de Penafiel (JAFE, ATSI, ALGORIMA, Rodrigo Ribeiro de Magalhães), acompanhado da sua história, sempre que possível apresentando imagens da produção, dos seus trabalhadores, catálogos comerciais e exemplos dos objectos produzidos.
Capa do catálogo de João Abrantes Ferreira. Museu de Penafiel.
No que respeita aos moldes usados no fabrico dos talheres estão presentes um número elevado de exemplares provenientes da Fábrica Rodrigo Ribeiro de Magalhães e oferecidos pelo sr. Firmino Magalhães, com conhecimento profundo no sector onde sempre viveu e trabalhou.
Vários moldes de cutelaria. Museu de Penafiel.
A terminar a exposição são-nos apresentadas quatro tipologias de mesas em que se manifesta a evolução e modas das cutelarias ao longo dos últimos tempos.
Mesas. Museu Municipal de Penafiel
Extremamente didáctica a exposição abriu-me o apetite para visitar a última fábrica de cutelarias da região sobre a qual falarei no próximo blogue.