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sábado, 15 de dezembro de 2012

Os puzzles da B-OM

 Estes são dois puzzles de uma série, provavelmente de doze, oferecidos na década de 1960 pela B-OM, um medicamento estimulante de apetite.
 O primeiro mostra Branca de Neve a dar aos sete anõesinhos uma colher de xarope de B-OM, enquanto no segundo puzzle as figuras do «Vamos Dormir»: a Xana, o To-Zé, a Tuxa e o Tico surgem como exemplo de crianças com bom apetite graças a este medicamento. Apenas este está assinado por Mário Neves e tem a data de 1968.
 Dentro dos pacotes encontra-se um puzzle muito simples, evidentemente destinado a crianças.
 Na parte detrás pode-se ver a publicidade em forma de prescrição (meio em francês, meio em português) que nos revela que se trata de um produto com vitamina B12. O nome sugestivo «B-OM» devia resultar e acredito que muitas crianças devem ter tomado este medicamento.
 As vitaminas estavam então na moda. Na década de 1950 fora descoberto o processo para produzir vitaminas em grandes quantidades a partir de culturas bacterianas. A vitamina B12 é armazenada no fígado e devido a uma circulação eficiente entre o intestino e o fígado são raras as deficiências nutricionais desta vitamina. Por outro lado, sempre aprendi que a vitamina B12 é muito mal absorvida por via oral.
Apesar de tudo isto era uma terapêutica eficaz. Numa época em que as crianças não gostavam de comer (não sei explicar como as coisas se inverteram) acredito que os meninos passavam a comer melhor. Mistérios insondáveis da Medicina.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O Licor de Raspail

Há certos nomes que conhecemos mas sobre os quais temos uma ideia nebulosa. É o caso do Licor de Raspail.
A história é interessante, pelo menos para mim, porque mete um médico e um licorista. Pelo meio entra um português, como em todas as boas histórias.

Tenho percebido que é mais fácil detectar uma pista para a origem farmacêutica dos licores do que descobrir a origem conventual. Este é apenas mais um desses casos.
Conhecido também por Elixir Raspail, a fórmula inicial deve-se a um médico François-Vincent Raspail (1794-1878) que teve um campo de acção vasto, como biologista e estudioso de química orgânica e que em muito contribuiu para o desenvolvimento da ciência no século XIX. Foi um precursor da teoria celular e revelou-se um ecologista «avant la lettre» ao lutar contra a poluição industrial.
Escreveu um livro intitulado «Nouveau système de physiologie végètale et de botanique, fondé sur les méthodes d'observation, qui ont été développées dans le nouveau système de chimie organique…», publicado em Paris por J. B. Baillière, em 1837. A partir de 1845 publicou «Manuel-annuaire de la santé ou Médecine et pharmacie domestiques...,» que foi reeditado como almanaque e que se destinava à população em geral. Nessa obra apresentava um licor higiénico para ser tomado à sobremesa e que tinha fins medicinais.
Um francês chamado Jean-Baptiste Combier (1809-1871) que tinha uma confeitaria em Saumur desde 1834, abriu uma destilaria em 1848 onde começou a produzir um licor aplicando a receita de Raspail. Decide no entanto alterá-la, tornando-a mais doce e agradável.
O licor é um sucesso e Raspail felicita-o por isso. Contudo posteriormente Raspail apercebe-se das modificações e ele, bem como os seus descendentes, põem um processo a Combier que se vê obrigado a comercializar o seu licor com o nome de «Elixir Combier». Esta alteração de nome em nada modifica o sucesso de Combier, mas extingue a produção comercial do Licor de Raspail.
Em Portugal este licor foi comercializado pela firma Francisco Morais & Cª, em 1920. Estes comerciantes estavam estabelecidos na Rua da Vitória, nº 42, 2º, em Lisboa, quando registaram a sua marca. O rótulo da bebida surgia com o nome «Raspail» seguido de «Sa liqueur de dessert crée en 1847» e as indicações «1847-Lisboa-Portugal-1914», dando a entender que fora essa a data da sua introdução no noso país. O nome da empresa por extenso e em abreviatura «FM & C.» indicava que os próprios o produziam. No ano seguinte os mesmos registaram um Triple Sec designado «Curaçao Raspail».
Antes porém desta comercialização um outro nome surgiu associado a este licor: o de João Daniel dos Santos, também conhecido por João Daniel Sines por ter nascido nessa localidade.
Tal como Raspail, que teve um papel político importante, foi um combatente contra o miguelismo tendo estado preso. Nesse período estudou a medicina de Raspail e tornou-se seu seguidor. Após a saída da prisão fundou a Sociedade Humanitária Raspalhista, que teve ação durante as  epidemias de cólera, em 1856 e de febre-amarela, em 1857. Embora sem curso de Medicina transformou-se num médico popular e produziu o «Licor de Raspail» de acordo com a receita inicial, com cânfora. A cânfora, que Raspail chegou a exprimentar em si próprio em 1827, revelar-se-ia mais tarde prejudicial. Bem andou Combier quando a retirou e a substituíu por cascas de laranja.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O Halibut


Desde o início da minha vida profissional que me lembro de receitar Halibut. Não fosse o ter-me surgido este interessante mata-borrão publicitário dos anos 50 e, tenho que confessar, nunca teria associado o nome ao peixe.

Halibut é o nome inglês para uma variedade de peixes conhecidos em português por Alabote e que são usados na alimentação humana. Tem um alto valor nutritivo, com mais de 60% de proteínas, 25% de ácidos gordos ómega 3 e baixas calorias.
 Das várias espécies a mais conhecida é a do Atlântico, o Hippoglossus hippoglossus, nome engraçado porque hipo significa «abaixo de» e glosso «língua», o que daria em português «debaixo da língua debaixo da língua». Este peixe de grandes dimensões foi excessivamente pescado durante o século XIX e início do século XX e ainda não recuperou dessa mortandade, razão porque nos é pouco familiar.
Quanto à marca Halibut, está comercializada em Portugal desde Novembro de 1939. Foi introduzida pelos Laboratórios Andrómaco, uma empresa fundada em Espanha, em Barcelona, em 1923, e que se estabeleceu no nosso país em 1931. Tinha então a sede em Lisboa, na Rua Arco do Cego, nº 90. A marca Halibut pertence desde 1996 ao grupo português Medinfar, uma empresa farmacêutica, fundada em 1969.
O uso de óleos de peixe na alimentação e na medicina é um assunto muito atraente que não se limita ao óleo de fígado de bacalhau. Este é apenas um exemplo.