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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Peixes perigosos comestíveis

Foram dois peixes embalsamados que comprei que me levaram a uma reflexão sobre peixes perigosos usados na alimentação.
Os dois peixes em causa, de pequenas dimensões, são um peixe balão e uma piranha.
Sobre a piranha sempre me foi transmitida a ideia de que comem pessoas, o que é verdade. Nunca no entanto tinha pensado que também são usadas em culinária. A piranha é um peixe de água doce, carnívoro, com uma capacidade para detectar quantidades ínfimas de sangue à distância. Por isso mesmo é também fácil de apanhar utilizando animais sangrantes como isco.
O modo mais comum de utilização é em caldo, isto é, como sopa de peixe, sendo o mais conhecido o “caldo de piranha matogrossense”. Mas é também usado em filetes.
Em 2006, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazónia (Inpa), em Manaus, assinou um registo de patente de uma sopa de piranha solúvel. Baseada em estudos levados a cabo pelo pesquisador Edison Lessi, destinava-se a ser comercializada industrialmente. A patente foi comparada por um empresa, a Manausrio Alimentos Orgânicos Ltda, do Rio de Janeiro. A intenção era distribuir o produto no mercado asiático, com o atractivo do seu suposto poder afrodisíaco, como acreditam os indígenas localmente.
Uma tragédia, porém, veio parar este projecto. No regresso da assinatura do contrato, em 29 de Setembro de 2006, o empresário da Manausrio, Márcio Aquino de Oliveira, foi uma das vítimas do maior acidente aéreo do Brasil. Depois disso não encontrei mais qualquer informação sobre esta comercialização de sopa de piranha, que continua a ser uma especialidade da região de Mato Grosso.

Quanto ao segundo peixe trata-se do “peixe balão”, nome que se deve ao facto de inflar o seu corpo, em situações de perigo, tomando a forma de um balão e apresentando então os múltiplos espinhos, que lhe dão um aspecto ameaçador. Dá também pelo nome de “fugu”, sendo conhecido que é extaordináriamente apreciado na Coreia e Japão.
Se não for correctamente preparado pode levar a uma morte cruel, que se deve ao efeito de uma toxina que se encontra nos órgãos internos, em especial no fígado, e que é 1200 vezes mais mortal que o cianeto, Apesar de se saber do risco desta neurotoxina (tetradotoxina) que, pode levar a paragem respiratória, sem alterações da consciência, e de que não se conhece antídoto, nada faz desistir os seus apreciadores de darem somas elevadas para o saborearem. Apresentado de várias formas é como «sashimi», que é mais apreciado.
O Japão tem desde o século XVI legislação que restringe o seu consumo e presentemente apenas chefes de cozinha credenciados o podem preparar. O facto de apenas a contaminação dos tecidos com a toxina poder levar à morte, faz com que, apesar de todos os cuidados,  todos os anos morram pessoas por o consumirem. Gostos perigosos!