Há imenso tempo que não
entrava na Casa Pereira. Esta loja de chás e cafés situa-se na R. Garrett, 38,
em Lisboa, e existe desde 1930, devendo o seu nome ao fundador José Francisco
Pereira.
É uma daquelas lojas com montras sempre apetitosas, onde passamos e pensamos: oxalá que se mantenha. Está ali há tantos anos e apetece-nos continuar a vê-la.
É uma daquelas lojas com montras sempre apetitosas, onde passamos e pensamos: oxalá que se mantenha. Está ali há tantos anos e apetece-nos continuar a vê-la.
Esta voragem que atinge a Baixa
lisboeta, transformando todos os edifícios em hotéis está a destruir a parte
antiga da cidade. Os lisboetas já não contam, só os turistas importam e a Baixa
assemelha-se cada vez mais a uma Disneylândia.
É verdade que nalguns casos
somos culpados por não frequentarmos estes locais que queremos continuar a ver.
Infelizmente não têm as bolachas
de milho porque não se vendem, mas tinham bolachas de araruta cobertas de
chocolate que comprei e me fizeram voltar à minha meninice.
Descobri igualmente bolachas tipo barquilho, dobradas em triângulos, com as bordas revestidas a chocolate, que eram feitas pela antiga fábrica Elba. No pacote têm escrito «Bolachas Altesse com chocolate» e a fábrica que as produz, situada em Odivelas chama-se igualmente Elba.
Descobri igualmente bolachas tipo barquilho, dobradas em triângulos, com as bordas revestidas a chocolate, que eram feitas pela antiga fábrica Elba. No pacote têm escrito «Bolachas Altesse com chocolate» e a fábrica que as produz, situada em Odivelas chama-se igualmente Elba.
Pelo que percebi é uma nova fábrica, fundada em 2006, que
retomou o nome e alguns dos sucessos da antiga Elba. Ainda as não provei porque
cá em casa primeiro fotografa-se e só depois se pode comer, o que atrasa sempre
as provas, mas espero que sejam semelhantes às antigas.


















Estão presentes os produtos da Madeira e Açores, os de Penacova, Vila Nova de Poiares, Penacova, Aveiro, Ribatejo, Tentúgal, Serra da Estrela, etc. Podem também encontrar-se alguns representantes de outras confrarias menos conhecidas como a do nabo, que não parecia despertar qualquer interesse ou exposições de produtores como o da Casa do Sal da Figueira da Foz.
A bancada da Confraria do Nabo
Confraria o Moliceiro da Murtosa
O meu amigo Arménio da Confraria de Tentúgal e as Queijadas feitas no seu restaurante Casa Arménio
Em relação às confrarias gastronómicas a minha posição foi sempre um pouco ambivalente. Tive sempre a impressão de que se tratava de um conjunto de comilões que arranjaram um bom pretexto para comer. Mas não há dúvida que têm um papel meritório na divulgação dos produtos que escolheram defender e funcionam como um pólo de desenvolvimento da região.
Há poucos dias finalmente decidi-me a lá voltar. Está tudo na mesma. O British é um bar que se caracteriza por nunca ter estado na moda, o que lhe permite ser autentico. Inaugurado em 17 de Fevereiro de 1919, tem agora a idade respeitável de 91 anos. Ao longo deste tempo muitas pessoas por lá passaram. Foi no início o Bar Britânico e ficava mesmo em frente do Bar Americano, que já desapareceu. Era então frequentado preferencialmente por marinheiros.
Hoje a grande maioria dos seus clientes são anónimos que trabalham ali perto, ou que no seu caminho para casa decidem ir beber uma cerveja. Depois há os estrangeiros esporádicos que por lá passam, dão uma olhadela, e entram.
O interior do bar mantém-se inalterado com o grande balcão de madeira e as prateleiras com garrafas bem alinhadas. Na parede de trás o célebre relógio, que Alain Tanner também mostrou, com os números do mostrador em sentido contrário ao dos ponteiros do relógio.
Eu confesso que nunca bebi outra coisa que não fosse o Gin Fizz, com muito limão, que é óptimo. Para acompanhar pode comer uma empada, ou outro salgado, para preparar o estômago para o jantar. Ou para um segundo Gin Fizz.

Mas voltemos à “sopa” que, no seu sentido inicial, era um prato de legumes fervidos, espessado com pão, e daí o nome. Falta-nos em português o termo que em França, na Idade Média, correspondia à “potage” e que se referia aos alimentos que eram cozidos num pote.
Tudo o que diz respeito à sopa pode, nalgumas regiões, em especial em Trás-os-Montes, tomar a expressão de "sopeiro". Por exemplo aplica-se a prato sopeiro, para indicar que serve para a sopa, a colher sopeira ou mesmo a panela sopeira.
Esta designação foi muito usada no finais do século XIX e na primeira metade do século XX, passando depois a ser substituída por criadas ou cozinheiras consoante as funções exercidas.
A expressão sopeira foi caindo em desuso, em especial após o 25 de Abril, altura em que passou a ser considerada pejorativa. Embora por vezes chamadas carinhosamente «sopeirinhas», passaram a chamar-se “criadas” e posteriormente “empregadas domésticas”. A função era a mesma, embora mais simplificada com a chegada dos electrodomésticos, mas a designação tinha deixado de ser adequada.
A imagem de sopeira surgia sempre associada à do “magala”, com quem frequentemente namorava. É uma dessas fotos que faz a contracapa da revista agora apresentada -
As fotos que utilizei foram publicadas no «Notícias Ilustrado» de 3 de Agosto de 1930 e são atribuídas a Batista. O texto intitulava-se «As sopeiras da Capital». Nele se exaltavam as novas sopeiras, mais modernas e alegres quando comparadas com a figura de Juliana retratada por Eça de Queirós, no «Primo Basílio», publicado em 1878.
Vejamos a que hotel se referem estas ementas.
Foi um hotel importante que tinha a preferência de hóspedes famosos durante as suas visitas a Lisboa, como a grande artista Sarah Bernhardt. Mas era também frequentado por portugueses, sendo ponto de encontro de alguns dos implicados na revolução republicana de 5 de Outubro de 1910.
Viria a fechar em 1912. Em 1921 ressurgiria com o mesmo nome, agora propriedade de Alexandre de Almeida, na Praça Luís de Camões nº 6, fazendo esquina para a Rua do Alecrim e a Rua das Flores. Para simplificar, correspondia ao edifício que hoje é ocupado pelo moderno Hotel do Bairro Alto.
A cronologia permite-nos assim concluir que as ementas se reportam ao primeiro Hotel de L’Europe, onde se comia comida francesa, tal como viria a suceder no segundo hotel. Em prospecto turístico publicitário, não datado mas dos anos 30-40, com hotéis recomendados do grupo Alexandre de Almeida salientava-se, referindo-se a este último, a instalação moderna dessa instalação hoteleira, a «cuisine française» e a «cave soignée».
Como se pode constatar a estrutura da refeição começava com uma sopa, seguida de um prato de peixe, um prato de carne, um prato de legumes, e a coroar a refeição: o prato de assado. Vinha depois a salada, um doce, que num dos casos era um gelado de chocolate e no outro um doce de arroz com molho de frutos e no final o «dessert».
E o próprio papel de ementa recomendava: «Após a refeição um cálice de Bénédictine», o licor de ervas francês, inventado no final do século XIX por Alexandre Le Grand, baseando-se no licor produzido pelos frades beneditinos da abadia de Fécamp.