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sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

O guardador de uvas

 Esta imagem isolada encontrava-se felizmente legendada. Trata-se de um guardador de uvas, no Alto Douro, armado, junto à sua cabana. Na legenda explica-se que na região dos famosos vinhos do Porto as vinhas são guardadas por homens armados até às vindimas.
Desconhecia esta profissão que, segundo parece, é tão antiga que já era mencionada na Bíblia.
Para além desta designação de «guardador de uvas» eram usadas, com o mesmo significado, a de «guardador de vinha» e a de «vinheiro».  Èxiste com o mesmo sentido outro sinónimo, «vinhateiro» que tem também o sentido de cultivador de vinha e que encontramos no provérbio: «É o medo que guarda a vinha, não o vinhateiro».
Defendiam as uvas com unhas e dentes, ou melhor dizendo com a arma, porque numa notícia publicada no jornal «Diário Illustrado» de 31 de Agosto de 1873 era mencionado um episódio de um guardador de uvas que disparou sobre um homem que comeu um cacho de uvas roubado.

terça-feira, 5 de março de 2013

Receitas com Vinho do Porto Ramos Pinto

  A casa de vinhos Ramos Pinto foi fundada em Gaia em 1880 e ao longo da sua história apresentou sempre uma preocupação com a divulgação dos seus produtos, que logo nessa data se destinavam à exportação, com relevo para países da América do Sul, como o Brasil.
 Adriano Ramos Pinto nas suas viagens a França apreendeu a importância da publicidade através dos cartazes. São conhecidos os interessantes cartazes dos finais do século XIX, em estética Arte-Nova, feitos para publicitar os vinhos do Porto da sua firma. Para isso escolheu os melhores desenhadores de cartazes estrangeiros de onde se destaca Matteo Angello Rossotti, Leonetto Capiello e um outro italiano de origem Sérvia, chamado Leopoldo Metlicovitz. Artistas portugueses como António Carneiro, Ernesto Condeixa e Roque Gameiro contribuíram também com a sua arte para a realização de várias imagens.
 Para além dos cartazes houve uma preocupação com o grafismo dos rótulos e com a emissão de postais publicitários, alguns dos quais alusivos aos países a que se destinava a exportação como aqueles que apresentam imagens do Brasil ou publicidade em francês.
 Este folheto que aqui se apresenta é mais tardio e apresenta receitas feitas com vinho do Porto Ramos Pinto. Presumo que se trate de um livrinho da década de 1930-1940, uma vez que no lote de vinhos apresentados se destaca o vinho do Porto «Jubileu» lançado em 1930 para festejar os 50 anos da empresa.
O folheto não tem os desenhos assinados e foi feito pela Litografia Nacional do Porto. Antes das receitas surge uma pequena introdução onde se realçam as qualidades do vinho do Porto e se constate que as preocupações com a exportação para países estrangeiros tinham levado a uma fraca penetração deste produto no mercado nacional.
 Para reparar essa lacuna apresentavam 50 receitas sobre a maneira do utilizar esta bebida que usando as suas palavras iriam «deliciar os paladares mais requintados».
Seguiam-se receitas de cocktails, de sopas, peixes, carnes, molhos e doces em que o vinho do Porto tinha lugar.
Algumas das receitas tomavam o nome do fundador, como o«Souflé Adriano», o «Creme de Vinho do Porto Ramos Pinto» ou o «Bolo Mr. Pinto».
 Um aspecto menos conhecido da actividade publicitária da firma Ramos Pinto que aqui se dá a conhecer.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Um rótulo de «Boas Festas»

O meu cartão de Boas Festas é um rótulo de Vinho do Porto, cuja designação de marca é precisamente «Boas Festas».

Foi uma das marcas comercializadas pela empresa António Pinto dos Santos Júnior & Cª, fundada em 1872, em Vila Nova de Gaia, onde funcionavam como armazenistas de vinhos tintos de mesa, Porto licoroso, Porto velho e Porto Malvasia. Nas primeiras décadas do século XX exportavam para o Brasil vinhos e azeites.
 Nos ano de 1944 o nome desta firma surgia no Anuário Comercial de Portugal como sendo armazenistas e exportadores.
Foi mais tarde vendida ao grupo Barros Almeida, que iniciara a sua actividade em 1913. Em 2006 esta firma, por sua vez, passou a fazer parte do grupo de produção e comercialização de Vinho do Porto designada Sogevinus.

Saúdo o Natal com um Porto velho. Um Feliz Natal para todos

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Cartazes Publicitários de Bebidas

Falei já anteriormente sobre a Laranjada Invicta. Volto hoje ao tema a propósito de um outro cartaz publicitário que faz parte da colecção das simpáticas proprietárias da loja Collectus, no Porto.
Esta marca  de refrigerante «Invicta» surgiu em 1956 e foi comercializada nas variedades de Laranjada, Cidra e Lima. Era produzida pela Companhia União Fabril Portuense das Fábricas de Cerveja e Bebidas Refrigerantes - Sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada (CUFP), do Porto, que laborava já desde 1904.
O cartaz em causa, que as proprietárias me permitiram fotografar, por si só justificava já um poste. Foi feito pela Empreza do Bolhão, sucessora da Empresa Técnica Publicitária, fundada em 1910 por Raul Caldevilla e que seguiria também esta, no que respeitava à elevada qualidade dos seus cartazes.
A imagem é muito simples: uma jovem aprumada com chapéu na cabeça, bebe um copo de refrigerante com manifesto prazer. Em fundo a identificação de três refrigerantes Invicta: a Laranjada, a Cidra e a Lima.
Em última linha e a encarnado surgia o aviso: «Cuidado com as imitações» e a informação «Vende-se aqui», o que mostra que era feito para ser colocado nos estabelecimentos que a comercializavam. Não existe qualquer assinatura que possa identificar o autor.
Fez-me lembrar um outro cartaz, anterior a este e sem qualquer relação com ele, destinado a publicitar o vinho do Porto Rainha Santa. Este cartaz foi feito em 1946 na Litografia Progresso do Porto e do mesmo modo apresenta no canto a frase «Vende-se aqui».
A imagem feminina que surge igualmente na parte esquerda do cartaz é mais sensual, como acontecia com outro tipo de publicidade ao Vinho do Porto. De pescoço estendido pega delicadamente, com a mão direita, num cálice de vinho do Porto e dirige os lábios para ele.

Há portanto mensagens diferentes em ambos os cartazes. A primeira figura feminina podia ser uma tenista num intervalo de um jogo, enquanto a segunda, de ombros desnudados, nos leva a  pressupor que veste um vestido de noite.
Não devem ser da mesma autoria contudo, e apesar das diferenças referidas, há uma semelhança que vai para além do uso de cores idênticas que me leva a associá-los.
Talvez seja a simplicidade da mensagem, que através de frases directas e da beleza da suposta consumidora nos fica no cérebro, provocando uma sensação agradável. Penso que não se deve pedir mais à publicidade.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Uma ementa poética

 Chamou-me à atenção a beleza desta ementa transformada em papel de suporte para uma poesia dedicada ao 14º aniversário de uma menina, de nome Palmira Guimarães Romano. A festa de aniversário decorreu no Porto a 14 de Outubro de 1903 e a poesia foi escrita por seu pai, Joaquim Ferreira d’Almeida Romano Júnior, de que apenas consegui descobrir que frequentou a Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto de 1897 a 1899.
 A ementa, destinada muito possivelmente para distribuição em restaurantes que consumissem os produtos nela anunciados, foi feita pela firma Menéres & Cª para o vinho do Porto «Victoria». No fundo da ementa uma frase simples dizia: «Após a refeição bebei um cálice de vinho Victoria».
Do lado direito podia ver-se a imagem de uma garrafa do referido vinho e, do lado esquerdo, uma fita em espiral abraçava as várias medalhas ganhas nas exposições mundiais, com indicação das datas: Lisboa 1884, Paris 1889, Chicago 1893, Anvers 1894, Filadelfia 1876 e Bordéus 1895.
 A empresa que comercializava este vinho tinha começado em 1874 pela mão de Clemente Joaquim da Fonseca Guimarães que fundou a firma Clemente Menéres & Cª, após o regresso do Brasil onde esteve de 1859 a 1863.
Destinada inicialmente à produção de rolhas de cortiça, posteriormente alargou a sua acção e passou a comercializar vinhos, vinhos do Porto, malvasia e licores, que produzia ou representava. Em 1895 após a morte da primeira mulher a designação passou a Menéres & Cª, mas esta sociedade foi extinta em 1905, dando origem à Companhia Vinícola do Porto e em 1908 à Companhia Vinícola Portuguesa.
 A poesia tem a data de 1903 que corresponde precisamente ao período «Menéres & Cª». A parte superior do papel de ementa apresenta-se decorada com sete leques, em estilo Arte Nova, que representam figuras femininas correspondendo aos sete pecados capitais.
Damos relevo à «Gula», mais adaptada à temática deste blog, mas todas elas são interessantes. Uma utilização diferente de uma ementa.