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terça-feira, 11 de agosto de 2020

Galheteiro de vidro Art Deco da CIP: adenda

Na ficha anterior de Museu Virtual identifiquei mal a fábrica de origem. Lembrava-me de ter visto esta peça em catálogo mas não consegui identificá-lo.

Hoje o catálogo chegou do encadernador e ao abri-lo deparei-me com a imagem do galheteiro, bem como de outras peças da mesma linha.

O catálogo é o Nº 35 da Companhia Industrial Portuguesa (CIP). Não apresenta data mas é provável que esta linha seja ainda mais precoce que este catálogo.

A designação IVIMA não estava completamente errada porque ambas as designações vêm da fábrica inicial, a Empresa da Nova Fábrica de Vidros da Marinha Grande, cuja construção se iniciou na Marinha Grande em 1894, tendo começado a laborar em Janeiro de 1895.

Ao longo dos anos teve várias designações, consoante as sociedades que a adquiria. A CIP data de 1926. 

Aqui fica a correcção.


domingo, 20 de maio de 2012

Regresso à Infância


Ao folhear uns catálogos antigos de linhas e passamanarias deparei-me com um que apresentava vários padrões de fitas.

Imediatamente identifiquei um dos modelos de fitas que eu usei no cabelo quando andava na escola primária.
Infelizmente, e ao contrário de outros que o acompanhavam, este não estava identificado. Era no entanto possível concluir que, apesar de provirem de várias fábricas, estas eram todas portuguesas.
Um dos exemplos era este catálogo de linhas de cor da marca «Sedanny» cuja marca da fábrica era «JR».
Todos os outros catálogos datam da primeira metade do século XX e espero mostrar-lhes os mais interessantes.

Por sorte há algum tempo, numa visita à casa dos meus pais encontrei as minhas fitas de cabelo e resolvi guardá-las.
Hoje o meu conhecimento aumentou. Apesar de desconhecer o nome da empresa que as produziu fiquei a saber que as fitas de cabelo que usei nos anos 50 correspondiam ao padrão 555 e eram de fabrico nacional.

domingo, 22 de abril de 2012

Os primeiros morangos


Começou a época dos morangos. É verdade que agora já não há estações para a fruta, mas tradicionalmente os morangos surgem na Primavera. No início evito sempre comprá-los porque são ainda pouco doces, mas a experiência da semana passada foi boa e repeti.
São morangos biológicos, uma classificação absurda que agora usamos para distinguir dos outros de estufa. Não se fala já em variedades.
Dantes havia os morangos canesences que vinham de Caneças e que eram descritos como um fruto grande, vermelho, saboroso e doce. Era pelo menos esta a descrição feita no catálogo da «Arboricultura, Lda.», de Caneças, que data de 1944. Para além desta variedade são mencionadas mais sete. Uma chamada Colares, outra Lisboa, outra Setúbal, e variedades com nomes estrangeiros como La produtive, a Madame Moutot, a Tardive Léopold e a ainda a Surpresa dos mercados.
O catálogo da «Hortícula Conimbricense» de Luís Rodrigues Vicente, de 1954, também descrevia outras seis variedades de morango. Quando abri o catálogo de Alfredo Moreira da Silva & F.os, Lda, de 1974, deparei-me com 25 variedades.
 Gostava de chegar ao Mercado da Ribeira e poder escolher: «Dê-me morangos Gaia para misturar com Empereur Nicolas».
Hoje fico contente com estes que, segundo a vendedora, «sabem a morango», o que seria de esperar, mas nem sempre assim acontece.
Temperei-os com açúcar e canela a que habitualmente adiciono vinho do Porto ou limão (ou ambos) e uma erva que transforma totalmente este prato: a hortelã. A hortelã picada não altera o gosto do fruto e torna-o mais fresco. Aconselho vivamente a experiência.
Eu sei que é uma fruta tão boa que se pode comer sem nada, mas porque não melhorá-la?

domingo, 18 de julho de 2010

Um catálogo dos "Grandes Armazéns Herminios"

De um extraordinário lote de catálogos comerciais, que o meu fornecedor mais habitual me arranjou, seleccionei hoje o de “Os Grandes Armazéns Herminios”.
Este estabelecimento comercial foi construído no Porto no local do antigo Teatro Baquet, nome que se deveu ao seu fundador António Pereira Baquet e que foi inaugurado em 1853. Um grande incêndio, em 20 Março de 1888, destruiu-o completamente. Foi um dos grandes armazéns portugueses, a par do Grandela e do Chiado, influenciados pelos grandes armazéns parisienses, como o Bon Marché, que foi o primeiro grande armazém construído em Paris. Com início em 1852 foi alterado em 1878 pelo arquitecto L. A. Boileau e pelo engenheiro Gustave Eiffel. A introdução dos novos conceitos do uso do ferro e do vidro na arquitectura levou à construção de uma armazém luminoso, com cúpula de vidro central e grades de ferro circundando cada piso e deixando um espaço central, modelo que viria a servir de inspiração para vários outros edifícios comerciais. Os Grandes Armazéns Herminios eram na altura o maior estabelecimento comercial do Porto, visitado pela melhor sociedade. Tinham entrada pela Rua 31 de Janeiro e pela Rua de Sá da Bandeira.
Não consegui apurar quem foi o seu fundador mas sei que Henry Burnay (1838-1909), o financeiro que era chamado na imprensa "O Senhor Milhão" e a quem D. Luís, em 1886 , concedeu o título de Conde de Burnay teve, entre outras actividades, participação na exploração dos Grandes Armazéns Herminios. Em 1894 a casa tinha já um moderno sistema de iluminação, ainda antes de o mesmo ser introduzido nos Grandes Armazéns Grandela de Lisboa, o que foi motivo de regozijo para a cidade do Porto.
Não sei dizer quando fecharam estes armazéns mas existem catálogos, pelo menos, até 1918.
Este catálogo é de Outubro de 1911, data em que tinha sido nomeada uma nova direcção para os Herminios, ficando como Director-gerente o sr. L. Hubert.
O catálogo incluía os modelos de confecção para senhora, homem e criança, roupa branca para senhora e criança, camisaria, perfumaria, sapataria, papelaria, passemanaria, faianças e porcelanas, artigos para cozinha e casa, etc. É interessante notar que vendiam também postais ilustrados, de edição própria, que são hoje objecto de coleccionismo.
Proximamente darei a conhecer outros catálogos destes e de outros grandes armazéns.