Mostrar mensagens com a etiqueta Grécia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Grécia. Mostrar todas as mensagens

sábado, 4 de julho de 2009

Cafés Gelados Gregos 2 : Freddoccino

Falamos hoje na agradável bebida que dá pelo nome de Freddoccino.
À semelhança do “Frappé” é uma bebida gelada de café que se pode beber em qualquer esplanada na Grécia. Quando a bebemos temos a sensação de que lhe foi adicionado gelado de chocolate, tanto pelo gosto como pela consistência.
Procurei receitas para reproduzir a bebida, mas não encontrei, pela simples razão de que é uma marca comercial grega. Pode comprar-se o pó no supermercado e fazer-se em casa. Para isso bate-se num batedor ½ copo de leite com gelo e depois juntam-se 2 colheres de pó do produto comercial. Em alternativa pode pedi-la num café grego, onde é servido num copo próprio com o nome da bebida e a imagem de uma jovem estlizada. Um sucesso garantido no gosto e na imagem. O fabricante do Freddoccino afirma que os principais ingredientes são o açúcar, xarope de glicose seco, cacau, café instantâneo e leite desidratado. Neste momento no mercado grego encontram-se dois tipos desta bebida: o original e o moka. No entanto o fabricante recomenda variações pela adição de xaropes comerciais como caramelo, avelã, morango, banana ou outros, à venda também na Grécia. Não experimentei nenhuma destas modalidades e confesso que também a sua descrição não me entusiasma tanto como as clássicas bebidas de café geladas.
A bebida é na realidade grega, embora a sua inspiração venha de Itália e se refira a outra bebida de café, o freddo cappuccino.
Na impossibilidade de ter acesso ao produto original pode sugerir-se uma alternativa caseira, que fica com gosto parecido.

Receita de “Freddoccino” caseiro

Ingredientes para 2 pessoas:

1 copo de licor de Baileys
2 colheres de chá de café instantâneo
1 chávena de leite
1 bola de gelado de baunilha
1 colher de chá de açúcar
4 cubos de gelo
Chocolate em pó
Numa batedeira juntar o gelo, o gelado, o café em pó, o açúcar e o leite.
Bater bem.
Servir em copos gelados polvilhados de chocolate e polvilhados por cima.
Experimente esta receita como base e corrija-a da próxima vez, se for caso disso. De acordo com o seu gosto pode aumentar o açúcar, o licor ou o gelado ou substiui-lo por gelado de chocolate.
Prometo uma boa experiência.

sábado, 27 de junho de 2009

Cafés Gelados Gregos: 1 - Frappé

Para um estrangeiro que visite a Grécia, mesmo que seja português, é uma surpresa o deparar-se com um tão grande número de esplanadas, sempre cheia de pessoas.
Os gregos passam horas nas esplanadas conversando, com uma bebida à frente. E o que bebem? Sobretudo café sob diversas formas. Já falámos do café turco, mas hoje vamos falar nos cafés frios, que são os mais pedidos nas esplanadas.
O mais difícil para os estrangeiros é acertar no nome certo da bebida. Olha-se para a mesa do lado e pede-se a bebida dos vizinhos. Depois de algumas experiências já sabemos distinguir as principais variedades.

A mais frequente é o “Frappé” ou café grego gelado. Experimentamos e ficamos surpreendidos quando descobrimos que é feito com café instantâneo ou Nescafé. Trata-se de um batido de Nescafé com gelo e açúcar, que se apresenta espumoso.
A história do “frappé” data de 1957, quando um representante da Nestlé, presente numa Feira Internacional em Tessalónica, decidiu fazer um Nescafé. Não tendo água quente usou água fria e agitou num shaker. Deve ter sido imediatamente um sucesso, mas desconheço como se divulgou a bebida de modo a tornar-se numa bebida nacional grega, servida em todas as esplanadas, acompanhada de um copo de água.
Foto do café Nine Muses em Chicago

Mas existe também o fredo que é um cappuccino gelado, a que os italianos chamam cappuccino fredo. Este é feito com café expresso, servido frio em copo, e encimado por leite batido em espuma, como no cappuccino. Ambos são servidos com palhinha e segundo uma afirmação publicada num livro intitulado Frappe Nation”, da autoria de Young e Constantinopoulos, dedicado ao tema, pode demorar em média por pessoa 93 minutos a beber.

A explicação é que à medida que o gelo se vai derretendo, a espuma, que contém café, se mistura com este e a bebida vai-se reconstituindo. O que justificaria o tempo prolongado que as pessoas estão nas esplanadas e o preço habitualmente elevado destas.
À volta destas bebidas existe todo um negócio que inclui a venda de café, batedores manuais e mecânicos, palhinhas, etc. e discussões sobre a melhor receita de cada uma das bebidas, que podem ter variantes, como a adição de uma bola de gelado ou de uma bebida alcoólica.

Receita do FRAPPÉ
2 colheres de chá de café instantâneo
2-3 colheres de chá de açúcar
3-4 colheres de sopa de água fria
4-5 cubos de gelo

Num copo de cocktail dissolver o café com a água fria. Cobrir e agitar, ou usar um batedor manual, até obter espuma espessa.
Num copo alto colocar alguns cubos de gelo. Lentamente deitar a espuma sobre o gelo. Juntar um pouco de leite simples ou evaporado, se se desejar. Encher o resto do copo com água fria até que a espuma chegue ao bordo. Servir com palhinha.

Mas se esta bebida é agradável em tempo quente, esperem até eu lhes apresentar o Freddoccino, de que falarei no próximo post.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O café turco


No artigo anterior falei sobre a bebida chocolate. Era minha intenção continuar o tema falando sobre os objectos que surgiram para o seu consumo.
Fig 1- Cafeteira para café turco, designada cezve
Acontece contudo que, neste intervalo, estive uma semana numa ilha grega, chamada Kos, junto à costa da Turquia. Kos é a terceria maior das ilhas do Dodecanesio. Fiquei feliz por aprender que eram doze ilhas, como o nome indicava, mas vim depois a descobrir que este número se aplicava apenas às ilhas habitadas e que, além destas, havia pelo menos mais 150 ilhas. Esta ilha tinha para mim o atractivo de ser a terra natal de Hipocrates, o pai da Medicina.
Só em 1948 Kos passou a ser grega. Na sua história, depois de ter sido ocupada pelos romanos desde 130 anos antes de Cristo, passou por várias mãos, até que em 1522 foi ocupada pelo império Otomano, tal como Rodes, tendo ficando na sua posse durante 400 anos, até a sua desocupação pelos italianos em 1912.
Toda esta história vem a propósito do “café turco” que aí bebi e que se pode beber não só na Turquia ou nos países árabes, mas também em toda a Grécia.

A história não acaba aqui. Na minha busca por objectos dei comigo a descobrir um livro do século XIX intitulado Manners and Costums of the Modern Egyptians (Modos e Costumes dos Antigos Egípcios), publicado em 1836 e que foi um best seller na época. O autor foi o inglês Edward William Lane (1801-1976) que, sofrendo de tuberculose, foi aconselhado a procurar um país de clima mais temperado. Foi assim que chegou ao Egipto em 1825. Aí se apaixonou pelo estudo da língua e dos costumes árabes. Dedicando-se inteiramente a este tema, foi autor não só do livro referido, como foi também o tradutor do livro As mil e uma noites.
No seu estudo sobre a vida doméstica, refere-se ao café (“kahweh”) como sendo uma bebida forte bebida sem açúcar ou leite, o que constituiria seguramente uma surpresa para um inglês. Para quem nunca bebeu um “café turco” devo explicar que é uma bebida forte e espessa, servida em pequena chávena, em que o café se encontra com espuma e as borras estão misturadas. Isto deve-se a que o café utilizado é moído muito fino. Para o conseguir utilizam-se uns pequenos moinhos em cobre, semelhantes a moinhos de pimenta. O café misturado, com água fria é hoje em dia servido com ou sem açúcar. Para o confecionar ferve-se a mistura lentamente numa pequena cafeteira em cobre. Pode levantar fervura várias vezes (3 ou 4), mas antigamente deixava-se ferver lentamente em areia quente.
Se hoje em dia o café é servido em chávenas de café, ainda no século XIX, tal como nos descreveu E. William Lane no seu livro, era servido numa taça de porcelana sem asa e com pequeno pé, designada “finjan”. Essa taça era introduzida numa espécie de cálice em metal ornamentado, designado “zarf”. O conjunto das taças era apresentado num tabuleiro circular, por vezes suspenso por três arcos, como ainda hoje se pode ver em uso na Turquia e na Grécia.

Nesta gravura, que ilustra o livro mencionado, pode observar-se um tabuleiro com a cafeteira com bico e asa utilizada para servir o café (ibrik) e as taças para o beber. Em primeiro plano à esquerda o zarf, em metal precioso ou não, no meio a taça de porcelana sem asas ou finjan e à direita o conjunto dos dois elementos.

Mas voltemos ao café. Embora tenha tido as suas origens na Etiópia ou no Iemen, a sua divulgação fez-se para o Cairo e Meca, nos finais do século XV ou início do século XVI. O café tomou uma importância fundamental na cultura do Império Otomano. Em meados do século XVII as cerimónias com o café na corte otomana tornaram-se num ritual, à semelhança do que aconteceu com a cerimónia do chá no Japão.
O uso do café expandiu-se pela abertura de casas de café em Constantinopla ainda no século XV. Foram os comerciantes venezianos que trouxeram o café para a Europa no início do século XVII e, durante esse século, foram surgindo lojas onde se consumia café em Londres, em Paris e depois em Viena. Mas esta é já uma outra história.