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terça-feira, 25 de junho de 2019

Objecto Mistério Nº 59. Resposta: Cobertura de depósito de clister

Talvez tenha sido em meados do século XX que em muitas casas as preocupações em cobrir objectos inestéticos ou com pouco uso, que se queriam proteger do pó, atingiram o auge.
Não foi uma moda disseminada, mas predominava em casas burguesas cujas donas de casa eram mais extremosas.
Assim de repente recordo-me que havia pessoas que tinham as botijas de gás cobertas com saias e as mais imaginativas arrancavam as pernas a bonecas de plástico e faziam umas grandes saias que cobriam as botijas. 
Lembro-me também que quando visitei cozinhas para fazer o livro «Cozinhas. Espaço e Arquitectura» de ter visto numa cozinha de uma casa senhorial ribatejana as prateleiras onde se encontravam os tachos e panelas em alumínio cobertas com cortinas. Embora na maior parte das casas as cortinas desçam abaixo da prateleira e têm funções decorativas, aqui protegiam os utensílios de cozinha do pó.
Numa outra cozinha, cuja proprietária era uma alemã radicada há muito em Portugal existia um suporte para os panos de cozinha, em madeira, com cerca de 3 ou 4 rolos onde estes ficavam abertos e que era coberto com uma cortina branca com bordados que cobria toda a estrutura.
Chegamos por último ao depósito para a água dos clisteres. Normalmente era guardado num armário, mas, como se comprova pela imagem mistério, podia ficar pendurado e oculto com uma cobertura de pano bordada.
Neste caso constato que se trata de um utensílio português da marca Sublime. Como era habitual e, por razões que desconheço, apresentava-se sempre com uma cor alaranjada. Outro mistério!

sábado, 6 de abril de 2019

Bolsa Minhota (ou algibeira?)

A palavra algibeira vem do árabe al-jibairâ, que significa pequeno saco. Nos dicionários a palavra é descrita como sendo uma peça do vestuário destinada a guardar pequenos objectos, como moedas, lenço, terço, etc., e nesse sentido é um bolso.
Mas é também um pequeno saco ou bolsa que se usa atada à cintura. Antigamente era um acessório interior mas passou a ser usado exteriormente o que justificou uma maior beleza. 
Algibeira minhota do início do século XX. Palavra VIANNA em cima e no centro a palavra AMOR bordada com vidrilhos 
Em Portugal foram usadas em todo o país, e até há pouco tempo encontrávamo-las sobretudo penduradas à cintura de vendedoras em feiras e mercados.
Temos que reconhecer contudo que nenhumas atingiram a beleza das algibeiras minhotas. Claro que as mais belas são de festa, versões melhoradas das de trabalho. Personalizadas pelas suas possuidoras compunham o traje e davam-lhe maior beleza.
Hesitei em chamar a esta bolsa «algibeira», mas apesar de não ir à cintura, mas pendurada no braço, tem idêntica função. Deixo para os entendidos estabelecer a diferença, se é que existe.
Neste caso a bolsa em linho tem bordada na frente dois corações trespassados por setas e a palavra AMOR, dividida pelos dois corações, encimados por uma coroa. Na parte detrás, agora menos visível porque cometi o erro de a lavar, uma quadra:
Sino coração d’aldeia
Coração sino da gente
Um a sentir quando bate
Outro a bater quando sente