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| O espaço da cozinha |
Por outro
lado, é um prazer visitar um local destes em que nos cruzamos com peças simples,
mas interessantes e onde aprendemos alguma coisa. Foi o caso.
Apresento
assim uma planta que, depois de seca, serve de pavio. Chama-se precisamente “flor
do pavio”, porque era usada como pavio para alumiar as figuras religiosas. A Sagrada
Família, alojada numa pequena caixa, ou oratório com portas, era assim iluminada.
Lembro-me de ver em casa da minha avó, quando eu era pequena, um pequeno
oratório deste tipo que viajava de casa em casa. Talvez ficasse uma semana,
para abençoar a casa, e depois seguia para outra. Já me tinha esquecido dessa
tradição, cuja memória agora recuperei com a imagem de um pequeno oratório
presente no Museu.
A planta
em causa, para além da simples designação já referida é conhecida como
Falso-ditamno ou Balota. O nome científico é Ballota pseudodictamnus ou Pseudodictamnus
mediterraneus. É um pequeno arbusto com folhas aveludadas, esbranquiçadas,
depois de secas. Apresenta-se com umas estruturas em forma de pequeno funil ao
longo dos caules, que abrigam pequenas flores rosadas. Trata-se de uma planta
de origem mediterrânica, extremamente resistente à seca e ao calor.
Depois de
seca é usada como Pavio de Lâmpada, sendo colhidas as estruturas em
formato de taça que envolvem a flor e usadas como pavio flutuante para lâmpadas
a azeite. O cálice seco flutua na superfície do azeite, absorve a gordura por
capilaridade e acende-se facilmente ficando com uma chama constante.
No exterior do Museu, num pequeno jardim, pode ver-se a planta num canteiro, rodeada de outros arbustos. Esqueci-me de pedir um pezinho, mas vou querer ter uma. Sempre a aprender!.
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