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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Das coisas simples – 02

Encontrei, no meio de uns papéis, esta folha de calendário. Não sei a quem pertencia, mas suponho que a uma jovem dona de casa no início da sua vida conjugal.

O calendário não tem data, mas, a avaliar pelo tipo de letra, deve ser dos finais dos anos sessenta, início dos anos 70.

Terá sido guardado por causa da imagem das aves, mas no meu caso o que me interessou foi o registo das ementas programadas. Muito repetitiva, e com predomínio de carnes, onde sobressaem os bifes, havendo mesmo semanas em que estes eram comidos em três dias da semana. Na descrição encontramos apenas referência ao elemento principal, estando ausentes legumes ou saladas.

Encontram-se registados os nomes dos pratos de almoço e do jantar, sendo estes em menor número, fazendo adivinhar refeições no exterior ao fim do dia.

Não há menção aos acompanhamentos e a confecção é extremamente simples, com fritos, assados e alguns cozidos.  Enfim, uma dieta monótona, repetitiva e de quem se esforçava por organizar as refeições, mas que tinha ainda poucos conhecimentos de culinária. Oxalá as coisas lá em casa tenham melhorado!


terça-feira, 19 de julho de 2022

Das coisas simples – 01

 Quando se escreve num blogue com um nome como Garfadas online somos levados a pensar que devia escrever apenas sobre temática gastronómica.

Ao longo do tempo têm-me surgido outros assuntos sobre os quais me apetece falar e fui abrindo algumas rubricas. Embora o “Objecto mistério” seja o que desperta mais interesse, outras, como o “Museu virtual” permite-me ir mostrando algumas das peças interessantes que fazem parte da minha colecção e que, na impossibilidade material de fazer um museu real, vou mostrando.

Hoje, a propósito de um velho papel dobrado e rasgado, achei que devia abrir uma nova rubrica a que chamei “Das coisas simples”. Dou-lhe o nº 1 porque espero vir a falar sobre outros achados, igualmente sem importância, mas que, com o tempo, se revelam tão significativos.

A folha, dobrada em 12 partes, estava rasgada e em mau estado, pelo que tive primeiro que a restaurar. Devia conter no interior uma moeda, ou duas digamos. Não havia espaço para mais. O pai escreveu por fora o nome do filho: Raul. Identificado este orgulhosamente acrescentou: «O primeiro dinheiro que ganhou o meu filho Raul a dar conselhos. Dezembro de 1907. Bragança».

 Quem seria esta família? Que conselhos eram estes que rendiam dinheiro? Nada posso acrescentar. O resto fica a cargo da nossa imaginação.