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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Sabão Carbol: o melhor aliado dos colonos em África

 A imagem da enfermeira na embalagem não deixa dúvidas. Mas a legendagem da caixa esclarece que o uso deste sabão é: «essencial para uso em hospitais, escolas, hotéis, casas de saúde, etc.». E acrescenta: «O uso diário deste sabão é o mais forte preventivo contra as doenças.  
É por isso que se recomenda para «usos domésticos, lavagem de roupas, flanelas, cobertores, sedas, soalhos, mobílias, etc.».

«O sabão carbol é a garantia da saúde», pode ainda ler-se noutro lado da caixa, onde também se explica que a salvaguarda da saúde deve-se ao facto de lavar e desinfectar. A  conclusão mais interessante de toda esta informação é a de que este é «o maior aliado dos colonos em África».
Produzido em Moçambique, em época que desconheço pela «Trans-África (Industrial), Lda.», com sede em Lourenço Marques existia ainda em 1974 e era seu Director Manuel Curto e Silva. Estava nessa altura ligada à «The Mozambique Soap & Oil, Co», uma empresa registada na África do Sul já em 1901.
Encontrei um outro sabão no Brasil com Carbol, em 1911, que mostra que devia ser moda nessa época o seu uso. De que falamos? O carbol é um ácido cristalino branco, solúvel, um produto tóxico derivado do benzeno. Tem uso industrial como desinfectante e anti-séptico, mas se for ingerido é venenoso.
Quarto privado do Hospital de Lourenço Marques
Claro que não há o risco de hoje alguém se cruzar com este sabão. Esta embalagem que incluía três sabões duplos embrulhados num papel explicativo, deve ser extremamente rara. Veio parar a Portugal, talvez trazido no período da descolonização. Mas a sua produção deve ser muito anterior.  
Vêm-me à memória imagens de um Moçambique antigo como as que podemos ver nos «Albúns Fotográficos e Descritivos» de Moçambique de 1929, de que deixo algumas estampas pontuadas de brancura  que nos faz perceber como um produto destes fazia todo o sentido.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O Detergente OMO em Portugal


Foto de Southallboard 131 em Flickr
O detergente em pó OMO foi criado pelo grupo inglês Unilever na década de 1930. A palavra OMO era a abreviatutura de Old Mother Owl (velha mãe coruja) e referia-se à imagem que surgia na publicidade com uma sábia coruja que recomendava: «Usem-no», enquanto segurava num pacote deste produto. Para tornar mais implícito o uso da imagem os dois «O» representavam os olhos da coruja e o «M» central o bico estilizado. Contudo a imagem da coruja nunca saíu de Inglaterra.

Registo nacional em 1955
 O primeiro registo em Portugal data de 1950, ainda sem imagem, mas em 1955 foi publicado novo registo da marca, pedido pela Lever’s Zeep-Maatschappj N.V., uma firma holandesa, sediada em Roterdão, em que surgia a imagem da marca com a palavra Omo a preto sobre fundo branco e um espiculado à volta, nas cores encarnado e azul.
Só nessa altura foi feito o lançamento do detergente e se deu início às campanhas publicitárias informativas sobre o modo de utilização.
Foram distribuídos folhetos explicando a forma de lavar a roupa (roupa branca e lãs) em tanque. Por todo o país demonstradoras faziam esse ensino em casa, se assim o desejassem.
Durante as décadas de 50 e 60, de forma a aumentar a adesão ao detergente, foram desenvolvidas várias campanhas publicitárias que passavam pela oferta de utensílios domésticos às donas de casa em troca de cupões retirados das embalagens. Em 1959 foram oferecidos baldes de plástico; em 1960 cestos de roupa e panos de cozinha; em 1961 facas de cozinha; em 1963 tabuleiros para o forno; em 1965 e 1966 ofertas de caçarolas, colheres de chá, etc; em 1970 panos do pó.
Já anteriormente falei sobre estes brindes Omo, vistos como de grande utilidade pelas donas de casa numa época de dificuldades económicas em Portugal.  
Após o 25 de abril de 1974 estas campanhas pararam, porque as condições sociais já eram outras ou porque o consumo do produto estava estabilizado.
Ontem quando vi esta promoção, de data que desconheço (anos 70?), com uma mensagem tão subtil, não pude deixar de voltar ao tema. Em folha impressa, mas com letra manual, parece uma carta escrita para uma amiga por uma Cristina Menezes. Um nome falso, tal como o de Francine Dupré usado pela margarina Chefe.
Incluía-se numa outra forma de incentivo ao consumo que são aos vales e a que, na época referida, todas as empresas recorriam.
As campanhas agressivas de hoje mostram-nos que não há nada de novo à superfície da Terra. Apenas nos adaptamos aos tempos.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Um Floid, dois Floids, três Floids

Bem sei que o Floid não tem nada a ver com alimentação. Podia argumentar que um homem sentado à mesa, bem escanhoado, com um agradável aftershave, é bem mais agradável do que com barba por fazer, independentemente das modas.
Mas não é esta a razão. Este post deve-se apenas a que o primeiro frasco de Floid, que havia cá em casa, ganhou companhia e me apeteceu falar neles.
O FLOID é um aftershave que começou a ser produzido em Espanha em 1932. Era então apresentado sob a forma de «mentolado suave». Foi inicialmente feito em Barcelona pela Haugron Cientifical, SA e usado nas barbearias tradicionais. Passou depois a ser feito em Madrid e New York. Presentemente é feito pela Revlon.

Em Portugal teve grande divulgação e apreciação. Recordo as memórias de Maria da Conceição de Melo Rita e Joaquim Vieira em Os meus 35 anos com Salazar”. Nesse livro, a governanta de Salazar, mais conhecida por D. Maria ou Micas, recordava como este «apreciava receber pelo Natal o tónico capilar Nally e o after-shave Floyd».
Mas o Floid não era apenas um aftershave, apresentava-se também sob a forma de loção capilar, shampoo, tónico capilar azul (para cabelos brancos e grisalhos), cremes e fixadores para o cabelo, etc.  Todos estes produtos tinham em comum a utilização de um extracto vegetal retirado de plantas com poder bactericida, designado Haugrol e, era a esse produto, que eram atribuídas as características benéficas, protectoras e desinfectantes, do produto.
A loção Floid teve também uma versão italiana menos intensa.
No frasco actual já não se vê a cara de um homem a aplicar o produto na face, que se tornou a sua imagem de marca e a tampa já não é em baquelite. Também o selo metálico preso por um fio, que validava a sua pureza, desapareceu.
O mesmo conceito foi seguido por outras marcas como a “Geniol”, de Henry-Colomer, identificado como «massagem facial vitaminada para antes e depois da barba» e de que aqui se apresenta um frasco.

A história deste produto deve-se a José Colomer um jovem cabeleireiro que, em 1931, ganhou um concurso internacional de cabeleireiros, em Paris. Voltou a Barcelona como representante único dos produtos franceses Henry para Espanha e Portugal. A empresa teve grande sucesso tendo-se internacionalizado e em 1978 foi comprada pela Revlon.
Apesar do sucesso comercial do Geniol, este nunca conseguiu o feito do Floid, o de ser reconhecido como um produto de culto masculino.