quarta-feira, 29 de abril de 2015
Garfadas artísticas no Garfadas
domingo, 28 de abril de 2013
Portugal Gastronómico na Exposição de Paris de 1937
Os pavilhões dos vários países participantes foram construídos ao longo do rio Sena e representaram projectos dos mais destacados nomes da arquitectura da época, como Alvaar Aalto que desenhou o pavilhão da Filândia e Mallet-Stevens que desenhou o Pavilhão da Electricidade.
Portugal fez-se representar ao mais alto nível com um belo pavilhão de pendor nacionalista, com o projecto do arquitecto Keil do Amaral.
O edifício com dois pisos, tinha uma sala destinada às colónias, uma exposição de artesanato, uma sala com as descobertas científicas, outra com produtos agrícolas e uma destinada ao Turismo, entre outras. Em frente do pavilhão estavam atracados dois barcos: um rabelo e um saveiro.
Trabalhou em várias mostras internacionais.como no pavilhão de Portugal na Exposição Internacional e Colonial de Vincennes, Paris, 1930-1931, no stand de Portugal na Feira Internacional de Lyon, 1935, etc.
A partir de 1937 passou a fazer parte do SPN (Secretariado de Propaganda Nacional), mais tarde denominado SNI (Secretariado Nacional de Informação), juntamente com Bernardo Marques e Fred Kradofler. Foi com estes que trabalhou em vários pavilhões de Portugal, como neste da Exposição Internacional de Artes e Técnicas em Paris, onde chegou a ganhar um prémio.
Com este folheto percebemos que a sua acção foi mais vasta e que participou também no grafismo da propaganda distribuída. Este folheto extraordinariamente bem concebido, com capas a encarnado e verde em que o local do escudo é ocupado por produtos alimentares portugueses, tem a sua assinatura.
| Uma visão de Lisboa por Carlos Botelho |
domingo, 11 de novembro de 2012
O Super Pop Limão
segunda-feira, 13 de abril de 2009
As batatas na pintura de Van Gogh
Na obra de Vincent Van Gogh (1853-1890) as batatas ocuparam um lugar importante.Estão presentes num grande número de quadros e desenhos, sobretudo na fase inicial da sua obra.

Se bem que uma das suas primeiras pinturas «A apanha da Batata», tenha sido feito em Haia, em 1883, foi sobretudo no período em que viveu em Nuenen que mais vezes voltou ao tema.
(Camponês e Camponesa a plantar batatas, 1885)
Foi nesse período que Van Gogh teve o única encomenda da sua vida de artista. Um joalheiro de nome Hermans encomendou-lhe várias cenas campestres para painéis a colocar na sua sala. Os trabalhos eram subordinados a temas da vida no campo, como as sementeiras, a colheita, a plantação de batatas, etc.

Esta última representação tomou várias formas e foi realizado em litografia, a que se seguiram vários estudos a óleo, hoje existentes no Museu Vincent Van Gogh, dependente do Rijsksmuseum, em Amsterdão. Pintado em Abril, seguia-se à morte de seu pai em Março.
(Os comedores de Batatas, 1885)
Van Gogh considerou esta pintura a melhor das sua obras, em carta que escreveu a sua irmã, dois anos mais tarde.
Nesse quadro uma família reúne-se à volta de uma mesa para comer um prato de batatas fumegantes, iluminados pela luz de um candeeiro que lhes vinca os traços faciais de trabalhadores rurais. A mulher mais velha serve um café de cevada para pequenas taças sem asa.
Esta cena simples apresenta-nos um regime alimentar rural, extremamente pobre, em que a batata dominava, como aconteceu noutras sociedades, de que os irlandeses ficaram conhecidos como o grande exemplo.
Como obra de arte corresponde ao que Van Gogh entendia dever ser a pintura, uma obra dedicada às pessoas simples, levando-o a recusar correntes modernas. Há nesta pintura uma influência de Rembrandt, no que respeita às cores e à luz, como nos seus “plantadores de batatas” se pode ver a influência de Millet, no seu quadro de 1861.
Tive oportunidade de ver o quadro ao natural e o que mais me impressionou foi a impenetrabilidade das faces. 
Qualquer dos observadores, que se aglomeram frente a esta obra, pode tirar uma conclusão diferente do que a expressão facial dos representados no quadro traduz e dos seus sentimentos. Esta parece-me ser uma das grandes virtudes deste pintor e a razão porque os seus quadros são tão misteriosos.
Pormenor central com a figura de Gordina de Groot (1855-1927), que aparece noutras obras de Van Gogh
Bibliografia:
Rainer Metzger, Ingo Wakther, Vincent Van Gogh, Taschen, 1998.
domingo, 30 de novembro de 2008
Joana Vasconcelos e os utensílios domésticos
Foi uma maneira de eu chamar à atenção para a obra de uma das mais criativas artistas plásticas portuguesas e para o uso dos utensílios domésticos na arte.
Lembrei-me imediatamente de outras criações desta artista, como é o caso do Coração Independente, feito em arame e talheres de plástico e que vi exposto no restaurante Eleven.
Na altura fiquei encantada com aquele coração gigante, de cor amarela, em que o entrecruzamento dos talheres semelhavam uma filigrana translúcida que reproduzia os típicos corações nortenhos. Soube depois que a mesma obra havia sido feita utilizando talheres em preto e também em encarnado.quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Os utensílios domésticos como Arte

Entre Fevereiro e Maio deste ano esteve presente uma exposição do escultor chinês Zhan Wang no Museu de Arte Asiática de São Francisco.
Nascido em Pequim, em 1962, tornou-se conhecido como um importante artista da sua geração, com exposições em vários países.
As suas criações mais reconhecidas são as rochas em aço inoxidável em que molda as folhas de aço sobre secções da rocha, unindo-as depois e polindo-as. O resultado é o de uma reprodução oca e brilhante, de um corpo geológico.
As rochas que servem de modelo são seleccionadas pelo autor e apresentam formas que são valorizadas pela cultura chinesa, que considera a água e as rochas como elementos importantes da natureza e fontes de meditação. Zhan Wang estabelece desta forma uma ponte entre a China tradicional e a tecnologia moderna.Na exposição referida o escultor utilizou rochas trazidas da Serra Nevada e designou a exposição «Montanha Dourada», numa alusão à corrida à busca de ouro, que teve lugar nesse local, no século XIX . Nela participaram milhares de chineses que fizeram de S. Francisco a porta de entrada nos Estados Unidos.
Só por si este aspecto parecia já bastante interessante, mas não justificaria a sua presença neste blog, se a exposição não tivesse uma segunda parte.

O artista completou a exposição criando uma paisagem topográfica de S. Francisco, que se integra numa série de «paisagens urbanas» já por si realizadas.
Nesta instalação para além de usar as rochas em aço, utilizou outros objectos de uso comum, sobretudo utensílios culinários em aço brilhante.
E assim surgiu uma imagem de São Francisco construída com panelas, tachos, escumadeiras, caixas, formas, conchas, etc. O resultado foi surpreende. As paisagens exercem sobre nós uma atracção que nos faz esquecer estar em presença de objectos comuns, porque se transformaram em arte.
É para isso que servem os artistas, para nos surpreender e emocionar.







