Tenho sistematicamente adiado a publicação de fotos sobre mercados porque era minha intenção começar com o Mercado da Ribeira. É o meu local de compras e dava-me gosto mostrar os meus fornecedores que, nos últimos tempos, fui fotografando. Mas falar sobre este mercado lisboeta exige-me mais tempo e atenção.
Para não adiar mais, decidi agora, iniciar este tema com o último mercado que visitei, porque neste aspecto, é importante a actualidade. Tenho fotos de legumes e frutas exóticas tiradas em Viena de Áustria, que agora, à distância, tenho dificuldade em abordar.
Fui na última semana a Zurique a uma reunião. Foi uma daquelas visitas rápidas em que se vai num dia e se regressa no dia seguinte e pouco mais se vê que o hotel. Levantei-me cedo porque a reunião começava às 7 e 45.
Estava a tomar o pequeno almoço, olho para fora, e vejo uma feira de legumes e flores numa praça junto ao hotel. Tomei o pequeno almoço a correr para ter tempo de ir ver o mercado e fotografá-lo. Nem mesmo sei o nome da feira. Sei apenas que o hotel se chamava “Swisshotel” e ficava perto de uma estação de comboio chamada Oerlikon.
O mercado estava imaculado e extraordinariamente organizado e apetecia comprar aqueles belos produtos, alguns dos quais dificilmente encontramos em Portugal.
As bancadas, simétricas, tinham todas as embalagens em plástico verde, do mesmo tom. As lonas eram também todas em verde. Apenas os toldos variavam, alternando as riscas encarnadas com as verdes.
Um mercado com a organização que caracteriza os suíços e onde reinava um silêncio justificado pela hora matinal, ainda quase sem clientes, e pelo frio que cortava a manhã. Bastante diferente dos nossos mercados, sempre mais agitados, mas um lenitivo estimulante para quem ia passar o dia dentro de uma sala.


Estão presentes os produtos da Madeira e Açores, os de Penacova, Vila Nova de Poiares, Penacova, Aveiro, Ribatejo, Tentúgal, Serra da Estrela, etc. Podem também encontrar-se alguns representantes de outras confrarias menos conhecidas como a do nabo, que não parecia despertar qualquer interesse ou exposições de produtores como o da Casa do Sal da Figueira da Foz.
A bancada da Confraria do Nabo
Confraria o Moliceiro da Murtosa
O meu amigo Arménio da Confraria de Tentúgal e as Queijadas feitas no seu restaurante Casa Arménio
Em relação às confrarias gastronómicas a minha posição foi sempre um pouco ambivalente. Tive sempre a impressão de que se tratava de um conjunto de comilões que arranjaram um bom pretexto para comer. Mas não há dúvida que têm um papel meritório na divulgação dos produtos que escolheram defender e funcionam como um pólo de desenvolvimento da região.