Já falei sobre esta tradição em 2019. Hoje repete-se o ciclo. Ver aqui:
https://garfadasonline.blogspot.com/2009/01/rom-e-o-dia-de-reis.html
Já falei sobre esta tradição em 2019. Hoje repete-se o ciclo. Ver aqui:
https://garfadasonline.blogspot.com/2009/01/rom-e-o-dia-de-reis.html
A romã é uma
infrutescência da família das Punicáceas, e a sua cultura é conhecida desde a Antiguidade. É originária do Médio Oriente, em especial das terras da Ásia
Menor, Transcaucásia, Irão (antiga Pérsia) e Turquemenistão.
Hoje em dia o Irão
e a Índia, são os maiores produtores. Não sei quando chegou a Portugal, mas a sua
produção continua ainda, nos nossos dias, pequena e dispersa. Talvez porque os apreciadores
dos seus belos bagos são poucos, ou porque os portugueses sejam preguiçosos
para descascar as romãs, ou não saibam como fazê-lo.
![]() |
| A romanzeira no Tacuinim Sanitatis (séc. XIV) |
Já usei várias
técnicas para descascar as romãs. Com a Nigella Lawson aprendi a cortá-las ao
meio, horizontalmente e a segurar cada metade, batendo com uma colher de pau. Resulta,
sem sujar as mãos, mas o melhor é seguir os passos dos povos que mais as
consomem e que cortam as duas “tampas”, pondo a descoberto os sítios de
separação dos vários gomos. Depois é só cortar por essa linha e separar os
bagos, tirando as peles que os envolvem.
Este ano ofereceram-me uns frutos maravilhosos. E este poste foi despertado pela sua beleza, que me levou a querer fotografá-los. Mas também, não esqueçamos, o seu agradável gosto. Aprecio-o em especial em salada, colocando os bagos numa taça, temperados com açúcar, canela e vinho do Porto. Gosto de juntar algumas gotas de limão, mas este ano tinha limão caviar e não resisti a juntar algumas “pérolas” desse citrino tão diferente, que não permite dele obter sumo.
E já no século
XX a pintura Maluda deixou-se encantar pela imagem poderosa deste fruto, e de que eu já falei anteriormente. Gosto sempre de voltar a estes lugares felizes.
![]() |
| Antonello de Messina |
![]() |
| Pormenor menino Jesus com romã. Sandro Boticelli. |
![]() |
| Luiz Melendez, 1771 |
![]() |
| Maluda, 1984 |
Este é um daqueles segredos que têm que ser partilhados.
É a antítese do cozinheiro chefe e identifica-se nesse papel. Nos seus programas apresenta-se como uma dona-de-casa, uma espécie hoje em vias de extinção.
Com o tempo fui-a adoptando e hoje vejo com interesse os seus programas, procurando sempre aprender alguma coisa.
Eu, que adoro saladas de frutas com diferentes misturas, já elegi, nesta época, a romã com fazendo parte dos seus elementos. Fica óptima.
É tradição portuguesa comer romã no Dia de Reis.
elagrana» em italiano, sucessor directo do latim milgroym e ainda «granada» em espanhol.