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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Portugal a Verde e Encarnado

 
Um pequeno folheto turístico sobre Lisboa, sem data, transporta-nos para uma cidade bicromática. Não é só a cidade de Lisboa que se representa em verde e encarnado. Os arredores e em especial a linha de Cascais e os “Estoris”.
 
Apenas um dos desenhos tem a assinatura de Roberto Araújo (Roberto Araújo Pereira, 1908-1969) que foi pintor e ilustrador e que colaborou na Exposição do Mundo Português, presumindo-se que os restantes se lhe podem atribuir igualmente. 
Roberto Araújo foi um dos fundadores da agência de Publicidade Belarte, juntamente com Mário Neves e com o seu irmão Alfredo Araújo Pereira. 
O folheto, escrito em francês, tem publicidade às sardinhas portuguesas e às frutas portuguesas que aqui se mostra, numa época em que o Turismo se ia desenvolvendo.
 

Um poste apenas parcialmente relacionado com a temática deste blogue, mas em que se revela uma beleza gráfica que me seduziu e me deu vontade de partilhar.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Uma fatura do Palace Hotel da Matta do Bussaco

 
Uma simples papel, neste caso uma fatura do «Palace-Hotel da Matta do Busaco», pode fornecer imensas informações.

A fatura em nome de Domingos Pestana, antecessor de pessoa ligada à minha família, data de 23 de Setembro de 1911. Sob o título do hotel surge o nome de Paul Bergamin, a quem o estado português o havia entregue em concessão.
O Palace Hotel do Buçaco é uma edificação neomanuelina e foi  construído a partir de 1888, ano da aprovação do projecto de Luigi Manini (1848-1936) e em que colaborariam também Nicola Bigaglia, Manuel Norte Junior e José Alexandre Soares.
Uma outra fatura anterior deste hotel surge no livro do meu amigo Jorge Tavares da Silva intilulado «Bussaco. Palace Hotel». Datada de 1891 mostra que já então o hotel estava em funcionamento sob a responsabilidade de Paul Bergamin, mas designava-se então «Hotel da Matta do Bussaco».
Paul Bergamin, de origem suiça, teve um hotel em Pampilhosa, num chalet que foi construído em 1886, e que era conhecido como o “Chalet suiço” ou «Hotel Bergamin». Este hotel situava-se perto da estação de caminhos de ferro, cujo bufete também era explorado por Bergamin e que serviu, em 1906, para efectuar a escritura para a construção do Teatro Grémio de Instrução e Recreio de Pampilhosa, em terrenos oferecidos por Paul Bergamin, tendo contribuído para a sua construção vários industriais locais, como sócios mecenas.
De Bergamin diz-se que tinha a formação de cozinheiro chefe e pasteleiro, mas não há dúvidas de que a sua função à frente do Palace Hotel do Busaco era bem mais vasta.
Com ele trabalhavam Conrad Wissman (1859-1947) e um seu familiar R. Wissman, cujos nomes surgem também na fatura referida.
Conrad Wissmann, era de origem alemã e trouxe para Portugal os seus sobrinhos. Para além do nome já referido veio também Emília Wissmann (1884-1979), que conheceu Afonso Rodrigues Costa (1875-1947) que trabalhava no Palace com quem veio a casar. Emília foi responsãvel pela criação de doçaria, entre as quais um pastel folhado recheado de doces de ovos moles, que presentemente foi recriado pela Confraria do Leitão da Bairrada e designado “Amores da Curia”, sendo apresentado em forma de coração, para justificar o nome.
Também Conrad Wissman é referido como cozinheiro-pasteleiro no Palace do Buçaco, mas do mesmo modo o seu papel foi muito maior. Em 1907, Conrad Wissmann e o casal Emília Wissmann e Afonso Rodrigues Costa, arrendaram a Villa Figueiredo, na Curia, que se iria converter no Grande Hotel da Curia. No parque das termas Emília Wissmann abriu a Pastelaria Bijou onde vendia os doces que confeccionava para o seu hotel e para o Palace da Curia, entre os quais o já referido.

Conrad Wissmann foi membro honorário da Sociedade de Propaganda de Portugal[1], proprietário do Hotel Central de Lisboa e do Hotel da Curia, gerente deste hotel, onde era coadjuvado por seus sobrinhos, também hoteleiros no Grande Hotel do Bussaco e também proprietário do Grande Hotel Avenida, em Vila do Conde.
Em 1911 quando decorreu o Congresso de Turismo em Portugal Conrad Wissmann era diretor do Hotel Central em Lisboa e vemos o seu nome surgir também no Palace Hotel do Bussaco.
Em 1916 Paul Bergamin convidou Alexandre Almeida para a gestão do Palace Hotel do Bussaco. Em 1922 assinou um contrato de trespasse iniciando remodelações no hotel que iriam durar até 1936 e que tornariam o hotel no que é hoje.
Aqui ficam as achegas à história deste hotel, onde entram muitos cozinheiros- pasteleiros em funções distintas das suas. Numa época de início de desenvolvimento do turismo em Portugal, tiveram um papel activo na hotelaria nacional.
Se também fizeram doces, não foi isso que lhes deu notoriedade. Nesse campo apenas Emília Wissmann deixou um doce com tradição.



[1]Primeira estrutura de incentivo ao turismo em Portugal.