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domingo, 9 de julho de 2017

Batatas floridas

As batatas floridas
O nome atrai-nos imediatamente. Não se trata de uma modernice mas de um prato tradicional da cozinha transmontana que conhecemos tão pouco.
A alimentação habitual nas regiões de Trás-os-Montes tinha por base o que se produzia localmente, pelo que era sazonal por excelência. Na época da floração da abóboras usavam-se as flores para fazer este prato. Para o confeccionar só era preciso cebolas cortadas às rodelas e batatas cortadas em fatias finas.
As flores de abóbora antes de arranjadas
Num tacho colocam-se as cebolas e as batatas em camadas e por cima as flores da abóbora a que se retiram os pés e o interior. Rega-se com azeite e polvilha-se com sal. Tapa-se o tacho e deixa-se cozer em lume brando. Cerca de 15-20 minutos está pronto. Polvilha-se com pimenta preta e serve-se. 
Os vários elementos em camadas
O resultado de um prato tão simples é magnífico. Pode acompanhar-se com o que se quiser, carne ou peixe, embora antigamente, em épocas de maiores dificuldades este fosse um prato em si.
A bola sovada transmontana
Experimentei esta receita feita pela minha amiga Matilde, natural de Pombal, Carrazeda de Ansiães, que transporta o gosto deste prato desde a infância. A completar comemos «bola sovada» (designação que tem a ver com a forma intensa como é amassada), um tipo de pão ázimo, que leva azeite que havia sido trazido de Trás-os-Montes para matar as saudades desta família. Para acompanhar queijo é uma delícia.

É por estas e por outras que me irritam às vezes as modernices bacocas, muitas vezes sem sentido, quando temos pratos tão simples que nunca experimentámos.

domingo, 7 de outubro de 2012

Em boa hora fui à feira

 O título deste poste veio-me à cabeça quando me recordei de um livro de infância «Em má hora foi à Feira», da colecção Tonecas. A história contava as desventuras de Zé Gaspar, um saloio ganancioso, que ia à feira vender o seu porco «Chiquito». O que se passava a seguir deixava o meu irmão às gargalhadas, embora eu lhe achasse menos graça.

Bolo do Tortozendo

Hoje porém é da Feira de S. Miguel que referi no poste anterior que eu lhes quero falar.

Fui a meio da manhã para fazer umas compras e ver se encontrava covilhanenses. Encontrei um amigo meu de infância a quem tive de perguntar o nome e que não me identificou de início. Coisas que acontecem quando as pessoas não se vêem há mais de trinta anos.

Como sempre acontece em Portugal as bancas ainda não estavam todas instaladas. Isso contudo não me impediu de fazer boas compras.
 Comecei por comprar uns enchidos com muito bom aspecto, pastéis de molho com um ar apetecível e um bolo do Tortozendo. É claro que este não me vai saber como o da minha infância, a própria vendedora me disse que nunca mais ninguém conseguiu fazer este bolo como o homem que os fazia no Tortozendo e que morreu com o segredo.
Comprei uma réstia de alhos e de cebolas que como podem ver se metia pelos olhos.
Comprei ainda dois queijos caseiros feitos na região do Fundão. São queijos de mistura curados feitos em Alcaria por Vasco Machado dos Santos e vendidos por uma simpática Paula Serra. Um deles foi o melhor queijo que comi nos últimos tempos e só a preguiça me impede de lá voltar e comprar mais queijo.

 Para manter este espírito beirão fiz um almoço com ervilhas tortas, ovos escalfados e enchidos que estava delicioso.
 É muito feio ser invejoso!.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Feira de São Miguel no Mercado da Ribeira

No domingo, dia 7 de Outubro, realiza-se uma réplica da Feira de São Miguel, uma feira tradicional do Tortozendo, uma freguesia da Covilhã.

Esta feira que tem lugar a 29 de Setembro é também conhecida por «Feira das Cebolas» e, apesar do nome, é um feira pagã com longa tradição. Vai ter uma festa no Mercado da Ribeira apoiada pela Câmara da Covilhã e de Lisboa e organizada pela Casa da Covilhã.
Bolo do Tortozendo
A Covilhã é a minha terra de adopção onde passei a infância e a adolescência, por isso aconselho a experimentar as coisas boas que só existem na região, como a cherovias, os pastéis de molho e, espero, o «Bolo do Tortozendo».
Se não sabem de que falo podem ler os meus postes sobre estes alimentos e ir lá experimentar.

Uma oportunidade para os covilhanenses se encontrarem e para os lisboetas irem à província, sem se deslocarem.