Mostrar mensagens com a etiqueta Plásticos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Plásticos. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

O Pote de Ouro

Podia colocar este pote como Objecto Mistério e, provavelmente, a maioria das pessoas não estabeleceria qualquer relação.
Pensava eu que era do conhecimento geral que em cada uma das extremidades do arco-íris se encontra um pote de ouro. Não que eu alguma vez o tenha encontrado: excepto este, claro. E se encontrasse os Leprechaun, ou os pequenos gnomos verdes, não me iam deixar trazê-lo.
Depois de falar com várias pessoas descobri que desconheciam a história. É verdade que se trata de uma lendas irlandesa, mais conhecida pelas sociedades de língua inglesa, mas como os livros infantis não tem pátria achei que todos conheciam a história.
Os leprechaun são uns pequenos seres que vivem nas florestas irlandesas. Vestem-se de verde com um grande chapéu e passam o dia a remendar sapatos. A sua principal função é proteger os potes de ouro que se encontram no fim do arco-íris, que os homens, sempre gananciosos, querem roubar.
Há imensos livros sobre o tema com histórias variadas destes seres mitológicos. Até encontrei um com uma capa que parece que nos diz qualquer coisa, a nós portugueses.
Pois o que desencadeou esta conversa foi este pote de plástico, repleto de moedas de escudo e centavos dos anos 60 e que era um mealheiro. Seguramente feito em Portugal, não está infelizmente identificado.
Agora que o plástico está ameaçado preservemos estes belos exemplares. Não vai haver outros!.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Os tabuleiros TV

Acordei há dois dias a pensar nos tabuleiros TV. Acho que foi nos anos 70 que comprei dois tabuleiros amarelos, mas agora à distância não consigo lembrar-me se alguma vez os utilizei.
Os primitivos tabuleiros TV eram feitos em alumínio e surgiram nos USA em 1953, vendidos já com comida confeccionada pela empresa Swason. Esta firma vendia para o dia de Acção de Graças (Thanksgiving) peru congelado, mas nesse ano calculou por baixo o valor total dos perus que necessitava comercializar. Apenas menos 26 toneladas, um número impensável no nosso país. 
Fotografia tirada da internet
Para evitar situações semelhantes decidiram comercializar peru fatiado já preparado com outros alimentos e, para o fazer, conceberam uma embalagem em alumínio com várias divisórias. A ideia foi muito bem recebida e a firma passou a comercializar várias refeições que a publicidade dizia se destinavam a mulheres ocupadas mas que queriam manter o hábito dos jantares familiares.
Este foi considerado o primeiro jantar TV, um sucesso, pois sabem com os americanos apreciam comer à frente da televisão qualquer porcaria colocada num prato. O tabuleiro usado, em alumínio, tomou o nome de «tabuleiro TV» e passou depois a ser feito em plástico, com cavidades para meter o prato, os talheres, os copos e outros alimentos. Não sei concretamento quando começaram a ser vendidos mas várias empresas como a Tupperware, produziram-nos em cores vivas.
Fotografia tirada da internet
Em Portugal devem ter chegado no final dos anos 70. Estes aqui apresentados foram feitos na fábrica de plásticos de Leiria, mas é provável que tivesse sido também produzido noutras fábricas. 
Tinham um ar moderno e faziam lembrar as refeições servidas nos aviões, que então as pessoas ainda não associavam a má qualidade.
Foram comprados por quem gostava de novidades mas devem ter sido muito pouco utilizados, não só porque muitas pessoas ainda não tinham televisão em casa e porque ninguém comia no sofá. Hoje é possível encontrar os modelos antigos à venda no mercado, mas espantem-se, ainda há firmas a produzi-los indistinguíveis dos primitivos. Será que há quem os use?

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Um serviço infantil em forma de palhaço

Este objecto com a forma de brinquedo é na realidade um conjunto em plástico que serve para dar as refeições a uma criança, de forma divertida. Foi feito na década de 1940 nos Estados Unidos e trazido para Portugal por um avô Coutinho que o personalizou para a sua neta Celina Maria, ao mandar gravar o seu nome na barriga do palhaço.
O conjunto ou serviço é composto por 5 peças: um pires azul, uma chávena encarnada, uma taça amarela, um oveiro branco e um saleiro cónico azul. 
Era na altura produzido pela forma Crown Craft Produts, situada em Nova Iorque que usou a expressão «tak-a-part», que não existe, em vez de «take apart», para explicar que é uma peça desmontável.
 Na embalagem o fabricante dizia que o número da patente estava pendente mas na realidade nunca chegou a ser pedido. Talvez isso explique a produção do mesmo objecto na década de 1960 pela firma Monarch Plastics Corp. de St. Albans, NY., idêntico na forma e na embalagem, embora nessa altura o boneco já não apresentasse pinturas.
Palhaço feita pela Monarch Plastics
Um presente que certamente provocou a alegria da sua neta, embora seja de concluir que nunca chegou a ser usado dado o bom estado do palhaço e da embalagem.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Objecto Mistério Nº 41. Resposta: Galheteiro

  
 Como todos adivinharam trata-se de um galheteiro que inclui dois reservatórios: um destinado ao azeite, a que presumivelmente corresponde a tampa amarela, e outro destinado ao vinagre (de vinho) identificado pela tampa encarnada.
A saída dos líquidos é feita pela tromba do elefante onde existem dois orifícios. Para que o líquido saia é necessário retirar a tampa correspondente afim de se fazer sentir a pressão atmosférica.
O corpo do elefante é em plástico fino de consistência dura que me faria pensar tratar-se da década de 1950. Contudo as cores utilizadas colocam-no mais na década de 1960.

Embora de fácil identificação é realmente um utensílio estranho e nunca tinha visto um idêntico. Não se pode dizer que seja prático e talvez por isso não terá tido grande sucesso.

Na ausência de marcas que o identifiquem ignoro se é português mas penso que é a hipótese mais provável. 

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A Dona de Casa em música

Pela voz da cantora Lina Maria e com acompanhamento musical da orquestra de Tavares Belo, foi gravado pela Rádio Triunfo um disco de 45 rotações intitulado «Dona de Casa».

Não encontrei qualquer registo à data mas parece tratar-se de uma gravação dos anos 60. A foto da capa é da autoria de Augusto Cabrita que foi também o responsável por outras capas de discos de sucesso na época, como os da Amália Rodrigues e de Simone de Oliveira.
Dona de Casa - Roy Lichenstein
A ideia de «dona de casa» implicava que a mulher não exercia qualquer profissão fora de casa. A sua actividade ficava assim circunscrita ao interior do domicílio, nas suas várias facetas de mãe, mulher, mas sobretudo exercendo funções domésticas. Este último aspecto começou a desenvolver-se no final do século XIX com a redução progressiva do número de criadas.
Com a simplificação das funções domésticas por via da industrialização, no período posterior à segunda guerra mundial, começou a esperar-se mais uma feminilização da mulher no interior doméstico. A publicidade dos anos 50 a 70 apresentavam um dona de casa cuidada, exercendo a sua actividade no lar com saltos altos, cabelo arranjado e vestida com elegância.

Em Portugal o concurso «Mulher Ideal Portuguesa», iniciado em 1966 e que se manteve até 1973, pretendia escolher uma dona de casa que soubesse cozinhar, mas que fosse também elegante e culta. Nos seus conhecimentos exigia-se mesmo que soubesse fazer cocktails e tivesse noções de decoração doméstica. Da iniciativa do Clube da Donas de Casa, de que fazia parte a directora da revista com a mesma designação, incluía no júri outros nomes como o de Maria Emília Cancela de Abreu, então directora da revista Banquete.

Na foto seleccionada para a capa do disco, Lina Maria surge sóbria mas elegantemente vestida, com uma saia preta e blusa branca e com sapatos de salto alto. A mão anelada segura num bloco de apontamentos onde regista os seus próximos passos, mostrando ser uma dona de casa organizada.
Sentada no escadote, onde está pendurado um pano do pó, tem a seus pés um balde e um alguidar de plástico, símbolos da modernidade doméstica, na época.
Uma imagem surpreendente para os nosso dias, que então fazia todo o sentido. Ou não fosse Augusto Cabrita um conceituado fotógrafo.

terça-feira, 30 de março de 2010

O menino da TODDY

Hoje em dia as empresas recorrem às chamadas figuras públicas ou até a artistas famosos para a promoção de produtos. Exemplo disso é o caso de sucesso obtido pela Nexpresso em que participou na publicidade George Clooney. O êxito de vendas levou á criação de novos spots publicitários, com histórias diferentes, mas em que se mantinha a imagem de marca, transmitida pelo famoso actor.

Já anteriormente a Lux tinha obtido um grande sucesso ao utilizar, na sua divulgação, várias estrelas de cinema e frase comum: «Nove em cada dez estrelas de cinema usam LUX». Havia aqui uma mensagem subliminar de que, se as mulheres mais bonitas o usavam, a mulher comum ao usá-lo se podia tornar mais bela.
Mas antes de existirem “embaixadores de marcas” existiam mascotes publicitárias. Um boneco ou a imagem de um animal eram os mais utilizadas. Veja-se o exemplo do boneco da Michelin, ou do coelho rosa das pilhas Duracell, mas também de figuras humanas como o homem de cabelo branco da Quaker Oats ou, no caso aqui apresentado, o menino da Toddy. Este menino de boina branca com as letras TODDY a encarnado nele escritas, espreitava a cabeça nos anúncios ou aparecia de corpo inteiro. Pretendia dar a imagem de uma criança saudável e era essa a sua mensagem: aquela bebida fortalecia e era boa para a saúde.

A sua representação em boneco de plástico é extremamente rara. Penso tratar-se de um boneco em celulóide, um termoplástico que foi muito usado em brinquedos, até aos anos 50. A sua fragilidade fez com que muitos desses objectos não chegassem aos nossos dias em boas condições. Este que consegui tem, como podem ver, fracturas na cabeça e faltam-lhe as extremidades dos pés. Mas provavelmente não vou encontrar outro, pelo que não hesitei em adquiri-lo.

A imagem do menino Toddy, de autoria desconhecida, não resistiu ao tempo. Após a aquisição pela Pepsico, em 2003, a marca decidiu apostar numa nova imagem publicitária e passou a usar uma vaca estilizada como mascote.
Nos anos 80, o produto apresentado em bebida líquida levou à criação de um novo ícone publicitário: o Toddynho, criado pela empresa Mc-Cann-Erickson, para o mercado brasileiro.
Hoje o menino da Toddy só se cruza connosco em momentos raros, como este.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Plásticos Pretensiosos

A indústria de plásticos tem já mais de um século de história. O grande desenvolvimento deu-se contudo nas décadas 30-40 do século XX.

Em Portugal a primeira fábrica surgiu em 1935. Era a Nobre & Silva e situava-se na região de Leiria. Outras se lhe seguiriam em 1945. E para quem quiser acompanhar a história dos plásticos em Portugal aconselho o livro de Maria Elvira Callapez «Os Plásticos em Portugal. A origem da indústria transformadora». A grande vantagem do plástico foi sempre a sua versatibilidade e a capacidade de resistência, quando comparada com outros materiais como o vidro e a cerâmica.

Quando nos anos 50-60 se deu a grande divulgação do plástico para uso doméstico, não era ainda claro o seu posicionamento. De repente todos os objectos domésticos eram produzidos em plásticos. Ao olhar para alguns desses objectos ocorreu-me a expressão que usei no título: «plásticos pretensiosos». Chamei-lhes assim porque pretendiam imitar o vidro ou a cerâmica.

Hoje estão na moda copos de plástico, com vantagens em diversas situações, como por exemplo para uso nas piscinas. Ao caírem não há o problema de ficarem fragmentos de vidro dispersos. Mas são evidentemente de plástico. Não pretendem parecer que são de vidro.
Estes objectos a que chamei plásticos pretensiosos são cópias de vidros lapidados e existe uma extensa gama que inclui copos, pratos, compoteiras, caixas, etc. Há ainda outros que semelham a cerâmica.
Fizeram-me lembrar algumas peças em faiança do século XVIII, como as terrinas, moldadas ou copiadas de peças em prata. Também estas, na altura, não tinham ainda descoberto o seu caminho. Apesar do nome que lhes chamei acho-as agora objectos encantadores na sua ingenuidade. Aqui ficam alguns exemplos que fui guardando. Espero que gostem.