Mostrar mensagens com a etiqueta Talheres. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Talheres. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Uma colherada no Garfadas


 Agora, que o uso de colheres de pau foi proibido nos restaurantes e as pessoas usam cada vez mais colheres noutros materiais, este vai ser um objecto em vias de extinção.
Este raciocínio não se aplica contudo às colheres decorativas. Embora as mais famosas sejam as colheres russas feitas em Khokhloma, em Portugal aparecem às vezes colheres pintadas.
Feitas habitualmente em madeira apresentam normalmente pinturas simétricas simples. Muitas têm uma pequena argola ou gancho que permite a sua suspensão. 
A colher aqui apresentada não se enquadra em nenhumas dessas categorias e surpreende pela qualidade da sua pintura. A imagem do cozinheiro remete-nos para o século XIX e é provável que seja dessa época ou do início do século XX.

Apresento-a apenas para que apreciem a sua beleza.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O fascínio dos alumínios. Parte 1

 
Alumínios. Exposição no Museu Municipal de Penafiel
O título, apresentado no plural, foi escolhido para falar especificamente nos utensílios domésticos de alumínio. A descoberta deste metal, o elemento 13, é recente. Produzido pela primeira vez em Copenhaga por Hans Christian Oersted, em 1825, era um produto impuro que continha potássio. Dois anos depois um químico alemão, Friedrich Wöhler, aperfeiçoou o método substituindo o sódio pelo potássio.
Escória de Alumínio. Museu Municipal de Penafiel
Este metal teve um período de grande admiração chegando uma barra de alumínio a estar exposta na exposição de Paris de 1855. Napoleão chegou mesmo a dizer que os talheres de alumínio eram reservados para os convidados de maior cerimónia. Em 1886 Charles Martin Hall conseguiu desenvolver o primeiro processo de extração do alumínio e iniciou-se a sua divulgação. No início do século XX o alumínio já tinha suplantado o cobre graças às suas propriedades. As suas virtudes são imensas: é leve, maleável, forte, resistente à corrosão, apresenta grande condutividade ao calor e à electricidade e pode ser totalmente reciclado.
Mesa com alumínios. Museu Municipal de Penafiel
Talvez por isso mesmo tenha sido o metal escolhido para ficar na lua a primeira obra de arte humana: uma estatueta de um astronauta deixado pela Apolo 15, em 1971.
Mas este metal, o terceiro em abundância na natureza, tem também um lado negro. Na sua forma solúvel (+3) é tóxico para as plantas. Não entra na constituição do corpo humano e, embora possa estar presente em alguns alimentos em pequenas quantidades, é prejudicial em maiores quantidades, como pode acontecer com o consumo de alguns aditivos alimentares ou no uso de alguns desodorizantes que são colocados sobre a pele. Ultimamente tem surgido estudos que implicam o alumínio como um factor de risco para a doença de Alzheimer, mas isso nunca foi provado.
Que seria de nós sem as ligas de alumínio indispensáveis ao fabrico de aviões e em tantos metais condutores.
Medidas de alumínio. Colecção da autora.
Contudo o alumínio deixou de ser usado nos utensílios de cozinha. De metal fascinante e moderno passou a maldito. Passou de moda. Vieram novos metais para usarmos nos talheres e na baixela de cozinha e o alumínio foi sendo esquecido. Nalguns dos tachos que usamos hoje nas nossas cozinhas ele está lá escondido na base no meio de outros metais, usado pela sua extraordinária capacidade condutora de calor que nenhum outro metal possui. Isto eu aprendi ao falar com o sr. Firmino, dono da última fábrica de alumínios de Penafiel. 
Consola com caixas para especiarias. Colecção da autora.
Este entusiasmo veio-me da visita à Exposição de alumínios que esteve presente no Museu de Penafiel e que infelizmente já acabou. Sobre isto eu falarei no próximo poste.
Devo contudo dizer que todo este meu interesse não existiria sem o fascínio que a cozinha da minha vizinha, na Covilhã, exerceu sobre mim. Quando era criança vivia ao ao lado da nossa casa o chefe dos Bombeiros, o sr. Garcia que, quando havia fogo, os Bombeiros vinham buscar num carro de incêndios. Ele descia as escadas a coxear, herança de um antigo acidente, e dirigia-se rapidamente para o carro que o aguardava já fardado com um fato escuro, um cinto de cabedal largo que lhe pronunciava o abdomen e um chapéu de bombeiro em metal dourado. Antes tocava a sirene e todas as pessoas ficavam em silêncio. Se tocava interruptamente o fogo era na cidade, se a sirene interrompia o som era nos arredores. As pessoas ouviam e diziam: “é fora”, quando era o caso e ficavam mais aliviadas.
Caixas para detergentes de louça. Ao centro a areia. Colecção da autora.
Visitei algumas vezes a cozinha desses meus vizinhos, pessoas de idade, de ar respeitável e ambos um pouco obesos para a época, fazendo sugerir que a alimentação era importante naquela casa. Das comidas nada sei mas o que ficou para sempre na minha memória foram as travessas de madeira em que se penduravam as panelas, onde estas se alinhavam em medidas crescentes e com um brilho inacreditável. Nunca mais na minha vida vi alumínios tão bem areados, palavra que espelha a forma inicialmente usada (com areia) para os tornar resplandecentes. O seu brilho era outra das características que os tornavam atraentes e nunca mais existiu baixela de cozinha tão bela. 

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Objecto Mistério Nº 51. Resposta: Pinça para Espargos.

 Foi no século XIX que o serviço de talheres de mesa se expandiu. Surgiram os talheres de peixe (embora a sua divulgação fosse mais tardia) e muitos outros para o serviço de mesa requintado.
Embora muitos deles persistam e tenham entrado no quotidiano, outros já não existem. Um dos utensílios usados à mesa foi a pinça para servir espargos, em prata ou em liga de metal que a incluía, como a Christofle, entre outras. 

Os modelos de pinças para servir espargos foram vários desde a mola larga, sem pega, ao tipo de pinças individuais.
Li em qualquer lado que o modelo aqui apresentado foi mais usado pelos ingleses mas não posso confirmar.

A peça tem apenas uma marca que não consegui identificar, mas será talvez francesa (a ignorância é muito atrevida).

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Garfadas artísticas no Garfadas


Trabalhando com talheres o americano Gary Hovey faz, desde 2004, objectos artísticos em que predominam os animais.
O seu trabalho começou 10 anos depois do diagnóstico de Doença de Parkison e as suas limitações são agora maiores, contando com a ajuda de amigos para realizar as suas imaginativas obras, feitas exclusivamente com colheres, garfos e facas .
 Para quem quiser ver a restante obra do artista fica o link.
 PS. Agradeço ao meu amigo Manuel Paula a descoberta desta obra.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Museu Virtual: Talher de Trinchar em caixa

Nome do Objecto: Talher de Trinchar em caixa.
Descrição: Caixa de cartão forrada exteriormente com papel e no interior com veludo e seda, que contém um conjunto para trinchar. É constituído por um garfo com suporte, uma faca de trinchar e um afiador de faca.
Material: Aço inoxidável e “falso osso” (celulóide?).
Época: Cerca de 1930.

Marcas: Cutler Craft®, Sheffield, Stainless.

Origem: Mercado inglês.

Grupo a que pertence: Equipamento culinário.
Função Geral: Equipamento culinário para o serviço e consumo.

Função Específica: Trinchar carne à mesa.
Nº inventário: 504

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Objecto Mistério Nº 23. Resposta: Colher para servir salsichas

O objecto mistério de hoje é uma colher para servir salsichas.
Faz parte do grande número de utensílios de mesa que surgiram na segunda metade do século XIX.
Os serviços de talheres de mesa, nessa época, passaram a integrar peças de diferentes formas, de acordo com a sua função. Por esse motivo, muitos destes serviços chegaram a ter mais de cem modelos diferentes.
Uma das razões para a diversidade dos talheres, ficou a dever-se ao aumento do número de pratos sucessivos apresentados à mesa, quando se introduziu o chamado «serviço à francesa».
Mas a ostentação desta variedade indicava também requinte e conhecimento das normas de etiqueta, tema muito valorizado então, como se pode constatar pelo elevado números de livros de etiqueta e civilidade publicados nessa época.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

"Façamos brilhar os talheres"

Em meados do século XX era costume as donas de casa fazerem livros de recortes de jornais com receitas de culinária, conselhos e truques de economia doméstica. Era um trabalho que exigia tempo e paciência. Dois atributos de que hoje já ninguém usufrui. Por isso mesmo este tipo de livros se extinguiu.

Tenho vários desses livros, alguns muito elaborados, com fotografias de pratos recortados, ou de frutas e legumes que decoravam as páginas.
Por vezes encontram-se receitas soltas, à espera de serem coladas nos sítios adequados. Quando coladas é ainda possível calcular a época através do grafismo e da sequência, mas as folhas recortadas, soltas, não nos permitem qualquer datagem.

Mostro hoje um recorte onde se ensina como fazer brilhar os talheres.
Achei-o interessante, não pelo conselho em si, mas pela linguagem, cheia de considerandos sobre a forma de encobrir a miséria. Pelo modo como as coisas vão neste país ainda pode ter alguma utilidade.
Espero que gostem.