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domingo, 26 de maio de 2013

Objecto Mistério Nº 35. Resposta: Doseador de Mostarda

 
 A mostarda como condimento tem uma longa história. Fortemente apreciada na Idade Média era feita por “mostardeiros”, uma profissão já regulamentada em Paris no século XIII. Mas os primeiros estatutos da profissão, estabelecidos pela Corporação dos Vinagreiros e Mostardeiros, datam de 1394 e foram feitos em Orleans.

Em Portugal o uso da mostarda também foi precoce. Mas não é sobre isso que hoje quero falar, mas sobre as embalagens para a sua comercialização. Durante séculos a mostarda era embalada em potes de cerâmica, tal como encontramos ainda hoje em algumas variedades.  
As embalagens em vidro são mais recentes e devem datar do início do século XX. Hoje, quem vai ao supermercado tem dificuldade em comprar uma mostarda que não venha em embalagem de plástico. Colocadas em posição invertida facilitam a saída dos produtos no seu conteúdo com uma pequena pressão. 
Este objecto mistério é na realidade um mostardeiro ou, para ser mais precisa, um doseador de mostarda. É composto por um corpo em plástico transparente onde se coloca a mostarda e que assenta na base branca, quando não está em uso. É encerrado por um anel rotativo, em plástico, que prende a tampa em borracha. Fazendo pressão na borracha consegue-se dosear dose de mostarda que se pretende colocar no prato.
Um utensílio simples cujo conceito parece ser um precursor das actuais embalagens. Mas, como muitos dos objectos destinados a simplificar a vida, nunca foi usado e o papel de instruções permaneceu no seu interior.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Livreiros de gastronomia: Rémi Flachard


Não são muitas as livrarias especializadas em livros de gastronomia e culinária.

Na grande maioria das vezes os amantes deste tipo de livros procuram-nos em livrarias ou catálogos gerais.
Mesmo para os livros novos as livrarias normais são muitas vezes decepcionantes porque em número e qualidade deixam muito a desejar.
Além disso, hoje em dia, é impossível encontar um vendedor, numa livraria não especializada, que saiba alguma coisa sobre livros.
Ainda me lembro do António que trabalhava na Férin e que nos aconselhava sobre os livros que tinham acabado de sair ou sobre os antigos. Quando se foi embora a livraria nunca mais foi a mesma.

Nas grandes lojas onde vendem livros, o máximo que se consegue é perguntar a um empregado se tem um determinado título. Ele procura no computador e responde-nos. Às vezes mal. Mas livreiros, daqueles com quem ficamos a conversar, já só é possível encontrá-los nas lojas de livros antigos. É sobre esses que irei falando.

Portugal é um mercado pequeno para especializações, mas nos outros países este tipo de lojas também não abundam.

Falo hoje na Livraria de Rémi Flachard, em Paris. Situa-se na Rue du Bac, 9, perto do Sena e existe há cerca de 19 anos.
É uma loja de pequenas dimensões onde se podem encontrar preciosidades.
O seu trato não permite grandes familiaridades. Conheço-o há pelo menos 15 anos e ainda hoje me trata com imensa reserva. Apesar disso fala de Portugal , que visitou há muitos anos, com afecto. Descreve as suas recordações com pormenor embora, com o tempo, os nomes já lhes escapem.
A pequena loja tem sempre a porta fechada. Quando entramos olha-nos sem grande entusiasmo. O máximo de tecnologia que se permitiu ao longo do tempo foi o telefone. Não tem computador, não aceita cartões ou cheques. Apesar do preço elevado dos livros afirma sempre que ali perto existe uma máquina que dá dinheiro a todos os estrangeiros que lá vão, levando-nos a crer que para os franceses o pagamento em dinheiro é do conhecimento geral.

Os seus catálogos são uma fonte de conhecimento. Neles se encontram as maiores raridades nesta área, surpreendentemente, em estado impecável e com encadernações da época. O pior de tudo são os preços que não são minimamente acessíveis à bolsa dos portugueses.

Para além disso, conhece tudo o que foi publicado e os livros actuais que têm interesse na área da culiária ou vinhos.
Pergunta-nos o que procuramos e vai buscar o que se adequa às nossas necessidades. Se não tiver, diz-nos que saiu um título que nos pode interessar. Fala-nos de exposições relacionadas com o tema e tem sempre à venda algum objecto especial.

Da última vez que o visitei tinha à venda, por um preço inimaginável para portugueses, uma colecção de potes de mostarda. Mostro-lhes algumas fotos que me permitiu tirar com o telemóvel.
Não vou muitas vezes a Paris, mas quando lá vou procuro sempre arranjar algum tempo para dar um salto. É sempre um visita excitante para mim e que realizo antes de tudo. Paris pode esperar.