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quarta-feira, 22 de julho de 2009

Pérolas Publicitárias. "Cerveja Perola"

Comprei há meses um lote de rótulos de bebidas e outros produtos alimentares e pensei que eram um bom tema para o meu blog.
Ao olhar para os rótulos de uma cerveja chamada «Perola», um nome que hoje seria altamente improvável ser usado numa bebida, ocorreu-me o título de “Pérolas Publicitárias” para este tipo de rubrica. Para fazer alguma sentido teria pois de começar com a apresentação deste rótulo.

Comecei à procura de informações sobre a empresa que a produziu, a Fábrica de Cervejas Estrella e consegui descobrir que, apesar de já não produzir cerveja, existia ainda agora sob o nome de Companhia de Cervejas Estrela, SA.

Consegui a morada e o nome e telefonei para lá. Tudo parecia bem encaminhado. Falei com uma senhora muito gentil que me disse que quem tinha conhecimentos sobre a antiga fábrica era o senhor engenheiro, que não estava de momento presente. Aconselhou-me a telefonar mais tarde. Quando telefonei fui aconselhada a telefonar noutro dia. Telefonei novamente. O senhor engenheiro estava em viagem. Deixei o meu número de telefone e o endereço do blog, após ter explicado a que se destinava a informação. Durante meses telefonei repetidamente. Há pouco fiz a última tentativa. Novamente não estava, o que me fez compreender que não havia qualquer interesse nesta conversa. Em Portugal existe um sentimento estranho, que faz com que as pessoas não tenham orgulho no passado das suas firmas. Numa época em que as empresas aparecem e desaparecem, seria de crer que, ter dezenas ou centenas de anos no mercado, seria um atestado de boa gestão e honestidade.
Em países como a Inglaterra esse orgulho está bem patente quando vemos uma data, a da fundação, junto ao nome da empresa: «since....».

Já tinha tido esta experiência quando contactei a empresa Jerónimo Martins, a propósito do meu livro «Mesa Real». Foram durante o século XIX fornecedores da Casa Real e ostentavam o facto nas cartelas das suas facturas ou no título das suas cartas. Foram também os importadores de Christofle em Portugal e, de acordo com facturas encontradas na Torre do Tombo, os vendedores das mesmas para a corte. Contactei a empresa e falei com uma menina das relações públicas, que me recebeu no seu moderno gabinete, e me disse que de momento não estavam interessados no passado relacionado com a parte de mercearia, mas que agora lhes interessava mais salientar a parte financeira ou de investimento. Não me recordo já das palavras mas sei que fiquei perplexa.

Mas voltemos aos rótulos de cerveja. O pouco que consegui descobrir foram os “Estatutos da Companhia de Cerveja Estrella” publicados em Lisboa na Imprensa Libanio da Silva, em 1926 e uns outros “Estatutos”, de 1938, publicados igualmente em Lisboa na Tipografia Ramos, que nos permitem datar a fábrica nesse período. Ignoro quando suspendeu a laboração.

Os dois rótulos da «Cerveja Perola», que apresento, correspondem a uma cerveja para exportação e a uma outra para o mercado nacional e são, provavelmente, da mesma época.