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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

"Ser atado” ou como levar as expressões à letra

Já anteriormente falei dos fogões da Vacuum Oil, cuja publicidade era interessantíssima. Hoje mostro mais um exemplo de como «os publicitários são uns exagerados», como alguém disse há alguns anos.
Com um desenho de Emmérico Nunes (1888-1968) a criada apresenta-se literalmente atada e a explicação para os atrasos nas refeições não é dela mas da falta do fogão Vaccum que faz um pequeno almoço em 10 minutos, usando é claro, petróleo Sunflower comercializado pela Vacuum Oil Company. 
O anúncio foi publicado na contracapa da revista ABC (25-10-1928), que apresenta na capa o perfil de uma jovem, muito ao gosto dos anos vinte. O tipo de desenho e a assinatura (S.) fazem-me pensar que se trata de António Soares (1894-1978) que assinou as suas obras com «António», «Soares» e «António Soares» e possivelmente «S.», tal como Emmérico Nunes assinou «E».

terça-feira, 20 de agosto de 2013

«Um homem que tinha o espírito de contradição»

Já anteriormente falei sobre a interessante publicidade da firma Vacuum Oil no nosso país. Este empresa americana de petróleo, instalada em Portugal em 1896, associou-se depois à Standard Oil, vindo a dar a Mobil.
Durante o período que esteve representada em Portugal recorreu a ilustradores famosos como Emmérico Nunes que, em 1926, como o próprio afirmou ”se viu obrigado a aceitar um lugar de desenhador na secção de publicidade da Vacuum”, onde se manteve até 1931.
Esta pequena história não é, contudo, da sua autoria. O desenho está assinado MC que, espero, alguém venha a identificar, porque eu desconheço a quem se refere. 
Em geito de banda desenhada, foi publicada em 1941 no «Boletim Oficial das Juntas de Freguesia de Lisboa» que, no número comemorativo do XV aniversário da Revolução Nacional, trazia a fotografia de Oliveira Salazar na capa. 
Intitulada «Um homem que tinha o espírito de contradição» relata-nos as conversas entre Sebastião e a sua mulher Ester sobre a aquisição de um fogareiro Vacuum. Renintente na sua aquisição, Sebastião vai acabar por ceder, presume-se, de acordo com a evolução da história.
Quando, inesperadamente, chega a sua casa um grupo de familiares vindos da província D. Ester fica em pânico pensando no tempo que ia levar a acender o fogão. Mas a refeição chega rápida à mesa e tudo corre maravilhosamente. Sebastião considera o feito um milagre mas a mulher explica que tal só foi possível graças ao fogareiro Vacuum da vizinha. Fim da história, mas adivinha-se o seguimento. 
O mais interessante é que a Vacuum Oil nunca produziu fogões uma vez que era um empresa de comercialização de petróleo e lubrificantes (1). Um dos modelos dos seus fogareiros foi identificado por um coleccionador estrangeiro como sendo da Hipólito. Os fogareiros da Vacuum começaram por ser produzidos pela empresa Radius da Suécia. 
Mas outros modelos, em especial o “Sunflower” foram provavelmente feitos pela Hipólito. Parece-me verosímil dadas as semelhanças com os modelos da fábrica de Torres Vedras. 
Um aspecto interessante para futuro esclarecimento, quando nos dedicarmos a esta empresa. Entretanto, como são ainda vivos alguns dos trabalhadores dessa firma, que encerrou em 1999, pode ser que algum deles leia este poste e nos acrescente informação.
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(1) O 1º registo da Vacuum em Portugal foi feito em Outubro de 1906 e destinava-se a produtos da classe 4 (óleos e gorduras industriais), tendo sido feito pela Exxon Mobil Corporation. Não encontrei qualquer registo de fogareiro, tal como não surge nos Anuários Comerciais do início do século XX nos produtores de fogões. A Vacuum é referida como comercializando gasolina e lubrificantes.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O fogão da Vacuum Oil Company

A empresa Vacuum Oil chegou a Portugal em 1896 e tornar-se-ia, 60 anos mais tarde, na Mobil Oil. Destinava-se à comercialilização de petróleo e foi responsável pela introdução em Portugal de fogões, calorífero e candeeiros a petróleo.
A publicidade aos fogões da Vacuum Oil surgiu nos anos 20. Os anúncios que apresentamos foram publicados na revista ABC, nos anos de 1925 e 1926.

Seleccionei alguns deles para contar uma fotonovela de como se pretendia afastar a mulher portuguesa do uso do fogareiro de barro, o mais divulgado, substituindo-o por um fogareiro a petróleo, mais prático e limpo.

Na primeira imagem uma dona-de-casa, corta madeira em pedaços para os colocar num fogareiro de barro. Em contraponto uma outra dona de casa, possuidora do novo fogão, borda calmamente enquanto numa cafeteira aquece a água. Segue-se a imagem da mulher moderna que parte, com um martelo, o antigo fogareiro de barro « que já não se usa». Uma outra imagem mostra-nos uma mulher moderna, de cabelo curto e vestido de modelo arrojado, que usa o fogão a petróleo porque: «o seu preço é insignificante e é portátil simples, rápido e asseado». As duas últimas imagens transportam-nos já para um ambiente mais sofisticado e intimista.

Na primeira é o próprio marido que, calmamente, com o seu roupão vestido, aquece o chá.
E por último, o casal, no conforto do seu lar, sentado num sofá na sala, aguarda que o chá aqueça.
É uma história em que se enaltecem as virtudes do fogão, mas recomendando sempre a utilização do petróleo Sunflower que, aparece discretamente nalgumas das imagens com a flor do girassol, ostentada num calendário pendurado na parede, para reforçar a mensagem.
Um exemplo de boa publicidade.