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segunda-feira, 31 de julho de 2017

Smile

Podia chamar-se uma gemada risonha. Agora com a linguagem simplificada das redes sociais é um smile.
Uma foto da minha amiga Conceição Montez, sempre atenta à forma expontânea que as coisas apresentam.
Para começar o dia a sorrir.


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Objecto Mistério Nº 48. Resposta: Escalfeta para ovos

Nesta resposta limito-me a seguir a informação dada pelo fabricante, a fábrica de alumínios Dália, que na cinta em papel assim a denomina. Na verdade a palavra «escalfeta» não se encontra dicionarizada com este sentido.
A palavra correcta devia ser «escalfador». Contudo se consultarmos os dicionários encontramos:
ESCALFAR (do lat. excalfacere) - Aquecer (água) no escalfador. || Escalfar ovos 1. passá-los por água muito quente: «Se este prato houver de levar gemas de ovos, escalfem-se à parte em uma panela, e ponham-se por cima do picado» (Domingos Rodrigues, Arte de Cozinha, 1693).
Escalfador múltiplo. Imagem tiradada internet
Quanto à palavra ESCALFADOR não se encontra no Bluteau (1712-1723) mas vamos encontrá-la no Moraes (1789) definida como um vaso em que se traz e se conserva a água quente por exemplo para o chá. Na realidade esta definição não está certa porque se refere à «urna para chá» que se distingue do «samovar» na forma, mas sobretudo por não ter uma fonte de calor própria.
Em 1937 Cândido de Figueiredo repete a definição de escalfar anteriormente apresentada, acrescentando que na província alentejana é o mesmo que esfalfar.
Escalfador de ovos.
Podíamos continuar a falar de escalfadores de ovos mas isso levar-nos-ia obrigatoriamente a usar palavras em inglês uma vez que não se compara o apreço que esta forma de tratar os ovos têm nesse país, sobretudo se o compararmos com o nosso. Em Portugal não se comem ovos escalfados ao pequeno-almoço, como fazem os ingleses e os franceses. Por isso pouca falta nos fazem os egg-cookers ou os egg coddlers que raramente se encontram no nosso país.

Já apresentei contudo um interessante exemplar de escalfador de ovos, pelo que evito repetir-me. Ver escalfador de ovos.  
Desenho inédito de Rosário Felix para o meu próximo livro.
Os ovos escalfados entre nós comem-se na sopa (de tomate p. ex.), nas açordas, nos pratos de ervilhas ou de favas. São sobretudo cozinhados no líquido do prato e portanto dispensamos esses belos utensílios mais sofisticados.
Voltando ao objecto mistério devo confessar que me atrai esta designação «escalfeta» que  me faz lembar esse objecto também entretanto esquecido usado nas Beiras no tempo frio para colocar dentro dele as brasas e aquecer os pés na grelha superior por vezes com um rebordo de madeira protegendo os sapatos. Mais antigas ainda são as pequenas escalfetas para aquecer as mãos, ainda mais desconhecidas.

Resumindo, eu que sou uma ignorante atrevo-me a dizer que esta alternativa de escalfeta ao escalfador até não está nada mal vista. E já agora se alguém conhece esta expressão, que até pode ser regional, gostava que desse a sua opinião.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Põe o ovo a galinha põe

Aparelho eléctrico para escalfar ovos
Sob esta designação está presente no Centro de Artes Culinárias uma pequena exposição dedicada à galinha e ao ovo.
Aproveitando a época da Páscoa, tão associada ao ovo, porque não falar no sua progenitora: a galinha (não, não é o coelho). 
Procurando na literatura infantil descobri que de todos os animais a galinha é das menos representadas (o mesmo não se podendo dizer do galo).
Este livro descobri-o só agora e é uma história de amor entre a galinha e o galo, escrita por Mário Gonçalves que embora não esteja datado, deve ser da década de 60.
Se puderem vão visitar o Mercado de Santa Clara e aproveitem para ver a exposição de pratos que se mantém e que vale a pena.

domingo, 11 de maio de 2014

Objecto Mistério Nº 40 Resposta: Porta-oveiros

 Desmontando as peças pode verificar-se que o suporte tem seis cavidades onde são incluídos os oveiros e daí ter optado por este termo: porta-oveiros. Não sei se a designação mais correcta seria porta-ovos, mas ficava sempre o risco de se confundir com as caixas para ovos. Sendo o objecto em que se coloca o ovo quente ou o ovo cozido designado oveiro parece-me mais lógica a designação que escolhi.

Não devem ser confundidos com os escalfadores para ovos, em que o ovo é cozido em água quente até ao ponto desejado, enquanto que neste tipo de peças foram cozinhados previamente num outro recipiente.
Este objecto é em porcelana e não está marcado. Apesar da imagem que nos faz lembrar um barco moliceiro e andorinhas a voar, temas que consideramos portugueses, não me parece de fabrico nacional. É verdade que a Vista Alegre utilizou este tipo de pintura em alguns serviços, com um esfumado rosa e uma paisagem polícroma, mas desconheço que tenha feita este tipo de objectos. Poderá ser de origem francesa mas é apenas uma suposição. 
Se tiverem sugestões agradeço que as expressem. Ficamos todos a ganhar.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Os ovos da Páscoa

A tradição dos ovos na Páscoa tem origens pagãs, cuja interpretação é variável mas que nos remete para a a ideia de renovação.
Nos séculos XVIII e XIX usavam-se em cartão moldado e em “papier-maché” forrados com papel, renda, veludo e atados com laçinhos. Lá dentro podiam encontrar-se pequenos presentes.
Durante o século XIX, com os avanços nas técnicas de fabricação de chocolate começaram a fazer-se ovos de chocolate. Inicialmente eram compactos mas com os progressos da industria  e o conhecimento da moldagem passaram a ser ocos.
Embora os primeiros tenham tido origem em França e na Alemanha não consegui saber quais as marcas que os produziam. Mais organizados, os ingleses afirmam que os primeiros “Ovos de Chocolates Cadbury” foram feitos em 1875. Os primeiros  eram feitos com chocolate preto cheios de drageias, mas em 1905 começaram a produzir chocolate de leite que muito contribuiu para a divulgação dos dois: do chocolate e dos ovos de Páscoa que desde então são predominantemente fabricados com este tipo de chocolate.
Não sei dizer quando chegaram a Portugal os ovos de chocolate da Páscoa. Posso assegurar a sua existência desde a década de 1950. É possível que tenham existido anteriormente mas ainda não encontrei provas.
Os exemplares aqui apresentados são dessa época. O chocolate da Regina manteve-se intacto até aos dias de hoje e espero nunca saber qual o tipo de chocolate de que é feito. As outras embalagens de feitio de ovos, em diferentes materiais, feitos por várias fábricas como a Aliança e a SIC, deviam conter amêndoas.
Em qualquer das apresentações o que contava era o simbolismo e a alegria com que eram recebidos. O ovo de chocolate intacto prova que não era o paladar do chocolate que era importante mas a ideia.
Para todos uma Páscoa Feliz!.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Objecto Mistério nº 30. Resposta: Separador de Ovos


Eu tinha razão. Era uma pergunta fácil. As respostas estão certas e a Joana  foi muito rápida a responder.
Em Portugal estes separadores de ovos são pouco usados. Normalmente separa-se a gema da clara usando a casca do ovo ou, os mais confiantes, com a palma da mão, deixando escorrer a clara entre os dedos.

Este utensílio apesar do seu aspecto novo tem seguramente mais de 50 anos. É de origem alemã e tem na face anterior, em baixo,  as palavras «Eiweiss» e em cima «Eigelb» que significam respectivamente clara e gema e que tornam explícita a sua função.
Foi-me o oferecido por uma amiga que escondeu as letras, tal como como eu fiz, e me perguntou para que servia. Trouxe-o de Berlim para me oferecer e a graça do episódio é que se eu não soubesse para que servia não iria responder. É que eu não sei uma palavra de alemão.

sábado, 3 de setembro de 2011

Objecto Mistério Nº 26. Resposta: Tesoura para cortar ovos quentes

O último objecto mistério apresentado corresponde a uma tesoura para cortar ovos quentes.

Apertando as suas “orelhas” surgem uns dentes que permitem cortar a parte de cima do ovo, tornando o corte da casca mais regular. Torna-se assim mais fácil chegar à gema e misturar a gema com a clara.

Quem não tem este objecto corta a parte de cima do ovo com uma faca, que depois roda. O resultado é o mesmo, mas a casca restante fica sempre mais irregular.

Não se pode dizer que os portugueses tenham muito o hábito de comer ovos quentes. São poucos os que o fazem, ao contrário dos franceses e ingleses.
Contudo, existem em Portugal vários modelos de oveiros, em cerâmica e porcelana, que mostram que tiveram algum uso em Portugal.
A mim os ovos quentes lembram-se sempre pequenos almoços de Domingo. É verdade que também eu me tenho esquecido deles, mas houve tempos em que cheguei mesmo a fazer uma pequena carapuça para tapar os ovos quentes no Inverno. Era uma época em que os dias eram maiores e o tempo passava mais devagar.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Votos de Páscoa Feliz

Postal impresso na Dinamarca em 1956
Desejos de Feliz Páscoa na companhia da família e amigos.
Enfim, de quem mais gostarem.
Figuras recortadas que nos saltam aos olhos quando abrimos o postal

Um dia alegre como o destes pintainhos saídos do ovo, num postal desdobrável, imagens associadas ao aparecimento da Primavera e tomadas como símbolo da ressureição que se convencionaram associar à Páscoa. 


Com pratos deliciosos, de preferência feitos pelos homens da casa, enquanto as mulheres se distraem a ver televisão como na imagem do The New Yorker ou simplesmente, o que ainda é melhor, a conversar umas com as outras.

E no que respeita a doces... esqueçam os conselhos médicos.

De qualquer modo, um dia feliz.

Aproveitem e esqueçam que o FMI veio passar a Páscoa connosco.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Museu Virtual: Oveiro coberto

Nome do Objecto: Oveiro coberto.

Descrição: Dois oveiros cobertos em inox, com pé e pequeno botão na tampa em baquelite branca, apresentados em caixa de cartão forrada a papel.

Material: Inox e baquelite branca. Forro em feltro branco.

Época: Anos 20-30.

Marcas: Não tem.

Origem: Mercado inglês.
Grupo a que pertence: Equipamento culinário.

Função Geral: Recipiente para servir alimentos.

Função Específica: Servir ovos quentes

Nº inventário: 1006

terça-feira, 15 de junho de 2010

Museu Virtual: Caixas para Ovos

Nome do Objecto:
Caixa para Ovos

Descrição:
Caixa rectangular de arame com as dimensões de 18.5 x 14.5 cm. Reforçada exteriormente com folha de Flandres pintada de azul. É constituída por duas partes articuladas com 12 alvéolos redondos para ovos. Fecho simples e duas asas forradas de plástico azul.

Material:
Arame, folha de Flandres e tubo de plástico.

Época:
Anos 30-40

Marcas:
Não tem.

Origem:
Mercado espanhol (Barcelona).

Grupo a que pertence:
Equipamento culinário

Função Geral:
Recipiente para guardar ou transportar alimentos

Função Específica:
Para colocar ovos crus para transporte.

Nº inventário: 730


Objecto semelhante: 731

Nome do Objecto:
Caixa para Ovos
Descrição:
Caixa triangular em plástico com as dimensões aproximadas de de 18.5 x 18.5 x 18.5 cm. É constituída por duas partes articuladas com 12 alvéolos redondos para ovos. Três fechos de encaixe e pequena asa no canto superior.
Material:
Plástico de cor rosa claro, semelhando entrançado de verga.

Época:
Anos 50-60

Marca:
Osul

Origem:
Mercado português (Covilhã).

Grupo a que pertence:
Equipamento culinário

Função Geral:
Recipiente para guardar ou transportar alimentos

Função Específica:
Para colocar ovos crus para transporte.

Nº inventário: 731

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Museu Virtual: Escalfador de ovos

Nome: Escalfador de ovos

Descrição: Objecto em metal, de secção oval (pode também ser circular), com uma placa interior móvel, com orifícios destinados a colocar os ovos. No centro da placa encontra-se uma haste vertical com um pé, que permite introduzir e retirar os ovos da água quente, onde são imersos.

Material: folha de Flandres pintada.

Época: Século XIX

Marcas: Não tem.
Origem: Oferta da minha amiga Graça Pericão (Coimbra)

Grupo a que pertence: Equipamento culinário

Função Geral: Recipiente para cozimento de alimentos

Função Específica: Cozer ou escalfar ovos

Nº inventário: 728

Outros exemplos: Utensílio eléctrico para o mesmo fim.
Nota: observei um semelhante, pintado, na Casa de Foz de Arouce, Lousã, Coimbra. O Museu-Biblioteca Condes de Castro Guimarães possui um exemplar idêntico, em prata, do século XIX.

terça-feira, 9 de março de 2010

Significado dos "ovos partidos" na pintura

O quadro «Ovos Partidos», de 1756, foi pintado por um francês, Jean-Baptiste Greuze (1725–1805), e encontra-se hoje na colecção do Metropolitan Museum of Art, em Nova Yorque.

Embora o quadro tenha sido pintado em Itália, usando fatos e ambientes da época, utiliza como modelo um tema do pintor holandês, do século anterior com o mesmo título. O quadro da autoria de Frans van Mieris the Elder, encontra-se no Hermitage, em S. Peterbourg. De acordo com Diderot, Greuze era um moralista, que escondia as suas preocupações com a sexualidade. Uma outra obra sua «O pote quebrado» remete-nos para o mesmo tema.
A sua pintura integra-se no que se considera «pintura de género» e representa uma cena do dia-a-dia.
Os ovos partidos simbolizam a perda de virgindade. No lado direito da pintura uma criança tenta reconstruir um dos ovos, o que é interpretado como uma imagem da inocência. A figura da idosa não dá direito a dúvidas no que respeita à sua atitude agressiva para com o jovem, que se apresenta com ar culpabilizado.
No século anterior um outro pintor, Jan Steen, havia-nos dado uma imagem com a mesma simbologia: «O interior da Estalagem», também conhecido por «Ovos quebrados» (c.1665-70).
Jan Steen, de origem holandesa, ficou famoso pelas sua cenas moralizantes da vida doméstica.
O quadro «Interior de Estalagem» encontra-se na National Gallery de Londres e mostra-nos uma cena de taberna, com vários pormenores com referências eróticas como o cabo do cachimbo, a forma como o cliente pega na saia da estalajadeira feminina, as conchas de marisco no chão e, por fim, os ovos partidos.
A simbologia dos ovos, na pintura, tem, noutras obras, um significado inverso. Quando íntegros e apresentados em guirlandas junto a um jovem, são interpretados como elementos afrodisíacos e símbolos da sua capacidade sexual, ou, ao invés, quando rachados, tomam o significado de impotência.
Uma interpretação que nos torna a leitura da pintura mais fácil e rica.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Os ovos e a Páscoa

A associação dos ovos com a Páscoa foi o mote para esta entrada.
O ovo foi considerado um símbolo do renascer da terra nas celebrações pagãs da Primavera.

Também como símbolo de renascimento estava presente nas antigas cerimónias da Pessach, a Páscoa judaica, quando se celebra o momento em que o anjo exterminador passou sobre as casas dos judeus escravizados no Egipto, cujas portas tinham sido marcadas por ordem de Jeová para que escapassem do castigo divino contra os egípcios.

Na Idade Média, os cristãos adoptaram o ovo como um símbolo para festejar a ressurreição de Jesus Cristo, na Páscoa. Após o período de sacrifícios que a região católica impunha aos fiéis durante a Quaresma, que passavam por restrições alimentares, era agora permitido comer todo o tipo de alimentos.
Se o cabrito ou cordeiro é o alimento mais simbólico da Páscoa, representando o Messias inocente que viria a ser imolado, outros lhe estão associados como os ovos e os folares. As amêndoas, com história mais recente, pela sua semelhança com os ovos seguiram-lhe o caminho.
Durante a Quaresma os ovos foram proibidos, talvez por exagero de interpretação de alguns padres. De tal modo a questão era duvidosa que, a 24 de Fevereiro de 1768, o Patriarcado foi obrigado a emitir um Edital para informar que era permitido o uso de ovos e lacticínios na Quaresma. O edital foi mandado afixar em todas as igrejas e no mesmo ano foi publicado um livro, em que o assunto era explicado mais em pormenor.
Houve portanto um período em que existiu essa proibição e apenas com a chegada da Páscoa o seu consumo podia ser liberalizado, o que poderá ser um elemento mais a favor desta associação.

Desejo uma Feliz Páscoa, passada de forma simples, aqui simbolizada por um ovo apresentado num oveiro Secla ou mais elaborada, a recordar os ovos Fabergé. Uma memória do tempo das “vacas gordas”, em época de crise económica.