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sexta-feira, 27 de março de 2026

Livro "Casa de Bertiandos. Receitas de copa e cozinha"

 

Aguarela de Alberto de Souza

No meu último livro acerca da Casa de Bertiandos, feito em parceria com a minha amiga Sandra Fernandes Morais incluímos várias imagens da mesma, com representações do século XIX. Na altura socorremo-nos de postais ilustrados existentes no Arquivo de Ponte de Lima, que gentilmente nos cederam as imagens.

Acontece que na minha última visita a Coimbra tive a possibilidade de adquirir vários postais de Ponte de Lima, da mesma época, entre os quais se encontravam duas visões da fachada da casa, uma delas com a centenária araucária e outra com duas figuras humanas, um trabalhador da casa e provavelmente um dos habitantes da mesma.


Há cerca de uma semana um amigo meu arranjou-me um a outra visão dessa fachada, reprodução de uma aguarela colorida, da autoria de Alberto de Sousa e datada de 1935. Frente à escadaria principal pode ver-se a presença de uma jovem camponesa, descalça.

Uma beleza que vem completar a pesquisa para o livro, mas que infelizmente já não chegou a tempo de o integrar. Uma obra, por mais completa que seja, nunca fica acabada!

 

 

 

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Há chá em Ponte de Lima

Diz-se habitualmente que os Açores são o único local da Europa onde se cultiva a planta do Chá. Na realidade será o único onde se cultiva com produção extensa e transformação comercial.

Foi assim, com surpresa, que durante a minha última visita ao meu amigo Álvaro Teixeira de Queirós, que descobri uma outra realidade. Em Ponte de Lima, na sua bela propriedade, nos jardins da casa do Cruzeiro ou de Nossa Senhora da Piedade, cresce um tipo de camélia especial, a Camellia sinensis.

Bordejando os dois lados de uma álea do jardim cresce, há quase cem anos, uma variedade Assamica, trazida de Moçambique por um tio do dono da casa. Esta variação, diferente da var. chinesa sinensis, é endémica na Índia, em Assam, e a base da maioria dos chás pretos indianos como o Oolong, o Preto e Pu-erh. Distingue-se da variante chinesa por ter folhas maiores e por apresentar maior concentração de polifenóis, menor concentração de aminoácidos e serem menos aromáticas.

Embora a sua função, com as belas flores brancas e amarelas, tenha sido durante décadas decorativa, o dono da casa recolhe, desde há algum tempo, os seus rebentos que depois de secarem e macerarem manualmente servem para consumo da casa.

À hora do chá, um ritual diário sagrado para mim, tive oportunidade de beber o resultado da sua cultura. Efectivamente um chá suave e pouco aromático, que constitui uma experiência surpreendente.