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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Objecto Mistério Nº 39. Resposta: Ferro de passar com duas pegas

Este objecto intrigante deu-me muito trabalho, até porque não consegui encontrar um igual.
Penso tratar-se de uma variante do ferro a que os franceses chamam fer à ballonner. É um tipo de ferro em que o objecto destinado a alisar os tecidos se encontra na extremidade de uma haste, quer esta seja vertical ou horizontal. O “ferro” em si pode apresentar a forma de um ovo, esfera, cogumelo e, pelos vistos, de um cilindro.
Este tipo de ferro era aquecido e destinava-se a alisar os locais mais difíceis do vestuário, como os folhos ou as mangas em balão (daí o balloner que vem de ballon).
Os utensílios com pegas de madeira são do final do século XIX e entre elas encontram-se os que apresentam duas pegas, tal como o exemplar apresentado.
Esta forma cilíndrica poderia destinar-se a passar folhos ou fitas. Uma das variantes para passar as fitas era o ferro de haste vertical chamado girafa, em que ficava em cima a parte propriamente destinada ao alisamento.
A propósito deste tema, não posso de deixar de dizer que na minha busca por este tipo de objectos, descobri que hoje em dia as fitas se alisam com maior facilidade com um alisador de cabelo (também conhecido por Babyliss) do que com o ferro de engomar.
Não é que eu necessite frequentemente de passar fitas mas experimentei e fiquei admirada pela forma como nos adaptamos, de forma inteligente, às inovações tecnológicas.


quinta-feira, 30 de maio de 2013

O ferro de engomar eléctrico nas facturas da CRGE

Nas décadas de 1920 e 1930 as facturas da Companhias Reunidas de Gás Electricidade (CRGE) não se limitavam as apresentar as contas aos seus clientes. Eram também educativas e serviam de veículo para a divulgação dos novos electrodomésticos.
Apresentei há algum tempo uma factura em que se fazia a defesa do uso do frio para a conservação dos alimentos.
Hoje mostro outras facturas, por ordem cronológica, em que se focavam as vantagens de engomar com ferros eléctricos. Vantagens evidentes se pensarmos nas alternativas.
Na realidade no final dos anos 30 os ferros de engomar, que a própria CRGE vendia a prestações mensais, eram já o segundo electrodomésticos nos lares portugueses, apenas suplantado pelos rádios.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Os Ferros Eléctricos Morphy Richards

O ferro eléctrico foi o aparelho doméstico que mais depressa ganhou lugar nos domicílios portugueses. Não é de admirar se pensarmos no que existia anteriormente: os ferros aquecidos com carvão em brasa.

A primeira patente de um ferro eléctrico surgiu em 1882 registada por Henry W. Seely, um americano de Nova Iorque. Os primeiros ferros utilizavam um arco de carbono que não era um método seguro. Foi dez anos depois, em 1892, que surgiram ferros com resistência eléctrica, registados inicialmente por duas companhias a Crompton Cº. e a General Electric.
Em 1905 Earl H. Richardson introduziu no mercado um ferro que concentrava o calor na base do mesmo, um enorme avanço se nos lembramos que até aí todo o corpo do ferro aquecia. A presença deste ponto quente (hot point) foi um sucesso e em 1907 a própria empresa que os produzia passou a designar-se Hotpoint Electric Heating. Seria mais tarde integrada no grupo General Electric.
Esta é uma parte da história americana dos ferros eléctricos. Na Europa foi em Inglaterra que um engenheiro de nome Charles Richards, se  associou a um vendedor, Donal Morphy, para formarem uma empresa designada Morphy Richards a 8 de Julho de 1936. Em 1938 começaram a fazer ferros eléctricos que tiveram grande divulgação tanto no país de origem como no nosso.
 Quanto aos ferros a vapor só surgiram na década de 50 e os créditos para a sua invenção são atribuídos a Thomas Sears. Quanto à Morphy Richards começou a produzi-los em 1954, tendo lançado um modelo tão revolucionário que se iria manter durante 20 anos.
Em Portugal foi sobretudo a partir da década de 1930 que se deu a passagem do uso de ferros de passar não eléctricos para eléctricos. O Instituto Nacional de Estatística, em 1930, registou uma importação de ferros não eléctricos da ordem dos 80%, mas em 1932 esta já tinha descido para 30% e em 1937 para 13%. Nos anos 50 os ferros eléctricos estavam à frente de qualquer outro electrodoméstico nos lares portugueses, apenas superado pelas telefonias.
A marca Morphy Richards, uma das mais divulgadas, era vendida em Portugal pelos Estabelecimentos Sida, situados na rua de S. Nicolau, 44-48. Publicitados em várias revistas como a Eva, estes ferros tiveram na década de 1950 grande sucesso com uma linha com cores suaves em azul, amarelo e verde.
O expositor aqui apresentado tinha a finalidade de mostrar um modelo de ferro da marca Morphy Richards. Destinava-se ao mercado português e foi feito no nosso país por S. Freitas, que realizou outras peças deste tipo, para outros produtos.

A imagem de um casal feliz em que a mulher agradece ao marido a oferta de um ferro Morphy Richards com vários beijos na face traduz uma realidade que durante décadas se viveu em Portugal: a da oferta de electrodomésticos pelos aniversários e Natal às donas-de-casa. A legenda sucinta diz tudo:«Ah. Um Morphy Richards».