quarta-feira, 21 de março de 2012
O Nitrophoska visto por César Abbott
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Rótulo de Batata Portuguesa
Rótulo para caixas de 30 Kg de batata portuguesa para consumo.As batatas destinavam-se ao mercado português, mas eram também exportadas como indicam as palavras «pommes de terre» e «potatoes», escritas no cabeçalho.
A firma José Ferreira Botelho & Cª, Lda., embora não me tivesse sido possível confirmá-lo, devia ser pertença de um elemento da família Ferreira Botelho, de Vila Pouca de Aguiar.
Esta família possuía um complexo agrícola no Vale de Aguiar onde se cultivavam batatas até há pouco tempo (ver interessante foto da apanha da batata em ... in movement).
Saliente-se que Trás-os-Montes foi a localização inicial para a cultura da batata em Portugal e a que apresentou sempre melhores condições para a sua produção.
Na Gazeta dos Caminhos de Ferro, de 1 de Maio de 1939, José Ferreira Botelho surge como importador de batatas de semente das variedades Erdgold (ouro da terra), Flava, Earthsilver (prata da terra) e Regina 101, considerando-as como sendo as que permitiam obter melhores resultados. Era também importador de adubo para culturas.
Tinha nessa altura escritório no Porto e em Lisboa.
Em 1963, data a que corresponde o rótulo apresentado, mantinha-se o escritório no Porto, como se confirma pelo «Guia Profissional de Portugal» e em Lisboa, como é confirmado no rótulo.Pelo menos até 1971 manteve-se a firma em Lisboa, no mesmo local, na Rua Jardim do Tabaco, 29-31, como se constata pelo «Informador Comercial e Industrial de Lisboa», sendo mencionado como comercializando adubos e batatas.
Não me foi possível encontrar qualquer outra informação adicional.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
As batatas na pintura de Van Gogh
Na obra de Vincent Van Gogh (1853-1890) as batatas ocuparam um lugar importante.Estão presentes num grande número de quadros e desenhos, sobretudo na fase inicial da sua obra.

Se bem que uma das suas primeiras pinturas «A apanha da Batata», tenha sido feito em Haia, em 1883, foi sobretudo no período em que viveu em Nuenen que mais vezes voltou ao tema.
(Camponês e Camponesa a plantar batatas, 1885)
Foi nesse período que Van Gogh teve o única encomenda da sua vida de artista. Um joalheiro de nome Hermans encomendou-lhe várias cenas campestres para painéis a colocar na sua sala. Os trabalhos eram subordinados a temas da vida no campo, como as sementeiras, a colheita, a plantação de batatas, etc.

Esta última representação tomou várias formas e foi realizado em litografia, a que se seguiram vários estudos a óleo, hoje existentes no Museu Vincent Van Gogh, dependente do Rijsksmuseum, em Amsterdão. Pintado em Abril, seguia-se à morte de seu pai em Março.
(Os comedores de Batatas, 1885)
Van Gogh considerou esta pintura a melhor das sua obras, em carta que escreveu a sua irmã, dois anos mais tarde.
Nesse quadro uma família reúne-se à volta de uma mesa para comer um prato de batatas fumegantes, iluminados pela luz de um candeeiro que lhes vinca os traços faciais de trabalhadores rurais. A mulher mais velha serve um café de cevada para pequenas taças sem asa.
Esta cena simples apresenta-nos um regime alimentar rural, extremamente pobre, em que a batata dominava, como aconteceu noutras sociedades, de que os irlandeses ficaram conhecidos como o grande exemplo.
Como obra de arte corresponde ao que Van Gogh entendia dever ser a pintura, uma obra dedicada às pessoas simples, levando-o a recusar correntes modernas. Há nesta pintura uma influência de Rembrandt, no que respeita às cores e à luz, como nos seus “plantadores de batatas” se pode ver a influência de Millet, no seu quadro de 1861.
Tive oportunidade de ver o quadro ao natural e o que mais me impressionou foi a impenetrabilidade das faces. 
Qualquer dos observadores, que se aglomeram frente a esta obra, pode tirar uma conclusão diferente do que a expressão facial dos representados no quadro traduz e dos seus sentimentos. Esta parece-me ser uma das grandes virtudes deste pintor e a razão porque os seus quadros são tão misteriosos.
Pormenor central com a figura de Gordina de Groot (1855-1927), que aparece noutras obras de Van Gogh
Bibliografia:
Rainer Metzger, Ingo Wakther, Vincent Van Gogh, Taschen, 1998.

