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domingo, 28 de outubro de 2012

Uma geleira quase centenária

Este tipo de caixas para fazer gelado foram feitas em Inglaterra na década de 1920-1930 pela empresa Beldray.

A firma foi fundada em 1872 por Walter Smith Bradley, a que se seguiram os seus filhos Herman e Hector. O nome da empresa era um anagrama do sobrenome da família (Bradley) e o logotipo apresentava um sino (Bell) sobre um carro de transporte, cujo nome antigo era «dray».
Começaram por fabricar baldes, leiteiras e outros utensílios com fins domésticos e agrícolas. Num segundo período produziram objectos decorativos, em metal, como por exemplo jarras arte-nova. Foi após a 1ª Guerra Mundial que a sua produção se modificou e foi nessa época que foi feita esta geleira. Durante a 2ª Guerra Mundial a sua produção iria novamente mudar para acompanhar o esforço de guerra e produzir material bélico.
Esta geleira destinava-se a fazer gelados e apresentava-se em quatro tamanhos. Tem duas tampas, uma na parte superior onde se metia a mistura para gelar, como se fosse um termo, e em baixo tem uma outra tampa que dá acesso a um compartimento onde se introduzia o gelo picado e sal. A mistura do gelado devia ser mexida cada dez minutos e ao fim de 30 minutos o gelado estava pronto.
A caixa podia também ser usada para colocar frutos ou sandes e ser transportada por exemplo para um pic-nic.

Nos Estados Unidos foram também produzidas caixas muito semelhantes pela Auto Vacuum Freezer Co, Inc New York, entre 1912 e 1923.
Foi ao tentar encontrar uma ligação entre as duas empresas que descobri uma figura interessantíssima: Beulah Louise Henry (1887–1973) que foi uma inventora americana e uma mulher muito moderna para o seu tempo. Registou pelo menos 49 patentes e criou mais de 100 invenções. O número de invenções que concebeu foi tão grande que passou a ser designada como a «Srª Edison». A sua primeira invenção, em 1912, foi precisamente o «vacuum ice cream freezer» (Patente US 1037762). Este modelo foi comercializado em Inglaterra e nos Estados Unidos e daí o nome comum.
Nos Estados Unidos, imagens deste modelo apareceram num famoso livro de cozinha o «Boston Cooking School Book» escrito por Fannie Merritt Farmer, em 1923 e que se tornou um clássico nesse país.
O exemplar aqui apresentado veio de uma casa portuguesa e ignoro como terá vindo parar ao nosso país. No rótulo que apresenta na sua face anterior está escrito em inglês: «Uma necessidade em todas as casas» e do outro lado:«Um prazer usá-lo». Provavelmente tratar-se-ia de grandes apreciadores de gelado.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Um açucareiro português dos anos 50

A primeira vez que olhei para este açucareiro pareceu-me ver um objecto que, de algum modo, me era familiar.
Quem olhar para ele pensa imediatamente que deve ser inglês ou americano, uma vez que foram os que mais utilizaram este modo de servir açúcar.

Rebusquei na minha memória e lembro-me de ter utilizado este tipo de açucareiro. Cheguei mesmo a ter um mais pequeno, igualmente em vidro, em que da tampa em metal saía um pequeno tubo biselado. Invertia-se o objecto e o açúcar saía livremente. Era preciso muita experiência para acertar na quantidade de açúcar e ao fim de pouco tempo desisti de usar esta estrangeirice.
Fiquei portanto surpreendida quando relacionei o objecto aqui apresentado com a imagem de um açucareiro feito por António Augusto Pedro. Este português, industrial, residente em Lisboa na Avenida D. Rodrigo da Cunha, Lote 4- 1º B Dtº requereu no dia 24 de Abril de 1954, o registo deste modelo industrial de açucareiro.
Este açucareiro era portanto português. O frasco em vidro tem seis faces, com estrias verticais e horizontais, que permitem mais facilmente segurá-lo. A base é circular e tem em relevo, a identificá-lo, as marcas AP que, presumo, correspondem a António Pedro. Desconheço em que fábrica era executado o mesmo ou se era produzido pelo próprio. Tratar-se-ia de um objecto destinado a exportação? Perguntas para as quais é difícil encontrar resposta.

Não há dúvida que pouco foram usados em Portugal. O seu uso teve como princípio noções de higiene. Tratava-se de uma embalagem fechada e portanto sem possibilidade de ter aceso fácil ao açúcar, pelo que foi usado sobretudo em restaurantes. No caso presente,  as suas grandes dimensões (17 cm de altura) adequam-no mais a esse destino.
A legislação que proibiu a dispensa de açúcar a granel nos estabelecimentos alimentares, substituindo os diferentes tipos de açucareiros por pacotes individuais de açúcar, pôs fim a estas invenções.