Chegou-me às mãos um folheto sobre «Jorge Brum do Canto», com o subtítulo «Um homem do cinema português». Escrito por Félix Ribeiro, em 1973, relata a sua experiência como crítico de cinema, a partir de Março de 1927, para o «Século», e mais tarde como realizador e actor nos seus filmes.Não vou aqui falar da sua obra cinematográfica, em que se destacam filmes como «A Canção da Terra» (1938), «João Ratão» (1940) e «Chaimite» (1953), mas de outros aspectos salientados na referida publicação.
Interessa-nos para o tema deste blog a sua acção como gastrónomo e grande conhecedor de culinária.
Nascido em Lisboa, a 10 de Fevereiro de 1910, era filho de Bherta Rosa Limpo, vindo o seu apelido do nome de seu pai Brum do Canto.
Para os mais distraídos, recordo que sua mãe foi a autora de um dos mais famoso livros de culinária portugueses: «O Livro de Pantagruel». Este livro foi publicado pela primeira vez em 1946, tendo-se esgotado em apenas 34 dias. Fez parte, durante décadas, dos enxovais de todas as meninas casadouras portuguesas.
Eu sabia que o seu filho Jorge Brum do Canto tinha colaborado nesse livro, em especial na revisão ortográfica. Mas o que me informava o folheto de Félix Ribeiro ia muito para além disso.Na realidade, a partir da 23ª edição de «O Livro de Pantagruel», para além das 3.000 receitas que constituíam o fundo da obra escrita por sua mãe, foram-lhe adicionadas outras 2.559, muitas das quais da autoria de seu filho Jorge. Ele próprio incluiu novos capítulos como «Temperos», «Vinhos», «Decoração de Mesas», etc.
A foto, que se reproduz, vê-se J. B.C. acompanhado de sua mãe e de sua irmã, os três autores de «O Livro de Pantagruel».Apesar da grande revolução que a culinária tem sofrido nos últimos tempos, o livro não perdeu o seu lugar, como livro de consulta, e continua a ser publicado. Vai presentemente na 73ª edição, agora a cargo de sua filha Maria Manuela Limpo Caetano.