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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Um bule inglês Cosy

Esta peça corresponde a um bule "Cosy", fabricado pela prestigiada fábrica Wood & Sons, em Burslem, Inglaterra. O nome "Cosy" deve-se ao facto de ter sido pensado para manter o chá quente por mais tempo. O seu formato arredondado e a tampa com um encaixe profundo, ajudavam a vedar o calor. Muitas vezes eram vendidos como uma capa de metal, cromada e forrada a feltro, que encaixava na cerâmica para isolar ainda mais o calor.

A fábrica foi fundada em 1865 por Absalom Wood, e durante o século XX, expandiu sua produção e exportou para inúmeros países, como é visível na base da peça. Viria a encerrar em 2005.

Chama-nos à atenção o contraste entre o azul vibrante e a asa em preto, que lhe dá uma estética Art Déco muito elegante e, aos nossos olhos, inovadora.

 

Surpreendente é a base, com um autêntico "mapa-múndi" de registos. Refere patentes nos EUA (1923), Grã-Bretanha, Canadá (1922), Argentina, Brasil e Chile. De acoro com as datas das patentes (1922-1923), esta peça foi provavelmente fabricada entre meados da década de 1920 e 1930. Isso indica que, na altura, este era um produto de exportação inovador e muito protegido legalmente. Apesar desta internacionalização interrogamo-nos, como veio parar a Portugal, onde nunca tinha visto nenhum, razão porque aqui o mostro.

quarta-feira, 27 de março de 2024

Objecto mistério Nº 66. Resposta: Suporte de cálices de licor

 

Quando me chegou às mãos desconhecia para que servia. A sua forma longilínea, com uma barra central articulada com reentrâncias circulares, fez-me crer que se destinava a colocar cálices. Experimentei e ficou quase perfeito. Na realidade as hastes dos cálices deviam ser um pouco mais baixas e a campânula ligeiramente mais pequena. Mas o fim era este: transportar em segurança seis pequenos cálices.

De estética Art Deco, tem na base uma das marcas da WMF. Esta importante fábrica alemã foi fundada em 1853 por Daniel Straub, juntamente com os irmãos Schweizer, com o nome Straub & Schweizer. Em 1880, a empresa fundiu-se com a Metallwarenfabrik Ritter & Co. para formar a sociedade anónima Württembergische Metallwarenfabrik (WMF), com sede em Geislingen.

Marca tirada do site de David N. Nikogosyan

O G que surge abaixo da marca refere-se na realidade a essa cidade. A partir de 1925 os produtos ficaram mais artísticos graças à criação de um Departamento de Produtos Decorativos Contemporâneos (NKA). Criado sob a direção de Hugo Debach tinha o objectivo de consolidar o nome WMF entre os consumidores interessados em arte e design. Na fábrica que ainda hoje existe trabalharam nomes conhecidos de que saliento o nome de Peter Behrens, entre outros.

O estudo das marcas é complexo e consultei o trabalho do alemão David N. Nikogosyan. Coleccionador de peças WMF guiou-me pelas inúmeras marcas e permitiu-me concluir que a peça é de 1909-1920, apesar de existirem imensas variantes que a poderão colocar em 1925. De qualquer modo uma peça moderníssima para a época.

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Histórias de regadores e regadores sem história

Nunca pensei vir a escrever sobre regadores. Contudo quando os meus olhos caíram sobre um exemplar puro dos anos 60, de cor laranja e grande flores amarelas, violetas e roxas, a fazer-me lembrar a insígnia da Mary Quant, não resisti. É verdade que sobre ele não posso contar qualquer história porque desconheço a quem pertenceu. Achei-o lindíssimo e extraordinariamente pouco prático e, o pouco uso que deve teve ter tido, atendendo ao seu excelente grau de conservação, confirma-o.

 Quando o vi lembrei-me de uma história da minha vida de estudante. No meu tempo de Faculdade as noitadas eram raras, ao contrário do que hoje acontece. Talvez por isso os episódios também ficassem mais marcados na memória. Numa noite apareceu-me em casa uma amiga, acompanhada de uns amigos. São pessoas conhecidas mas ignoro aqui os nomes, embora não possa deixar de mencionar a presença do pintor Jorge Martins, que deu azo a esta história. Ficámos na sala a conversar longas horas. A sala de esquina de uma casa pombalina, com várias janelas, permitia a entrada de luz vinda de um grande largo onde se situava. A ele se juntava a luz fraca do interior. 

Num ambiente calmo falámos durante horas, mas não me recordo do tema da conversação. Usavam-se então plantas no interior e quando a luz começou a abrir, constatei que as plantas estavam a precisar de água. Fui buscar um regador e reguei as plantas. Lembro-me de o Jorge Martins ter dito que num ambiente daqueles se justificava um regador com maior beleza. Fiquei estupefacta com a sua sensibilidade estética, sobre um tema que nunca me havia ocorrido.

Passado algum tempo fui à loja do Vergílio Seco, que tinha então um antiquário no Príncipe Real e vi o jarro de louça branca com flores que aqui mostro. Lembrei-me da conversa e pensei: é este o adequado. Comprei-o e durante muito tempo usei-o com o fim de regar as plantas da sala.

Um dia promovi-o a jarro de flores e deixou de ser um objecto utilitário.

Hoje, bem mais prática, como nos ensina a idade, uso um regador de plástico, sem estilo ou história. 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

As chaleiras Alessi



 A chaleira, para aquecer a água para o chá, é um objecto indispensável no meu quotidiano. Procuro formas que tenham beleza, mas simples. Nunca comprei uma de design e se o fizesse não teria coragem de a usar.
Habitualmente apenas mostro imagens dos objectos que fazem parte da minha colecção. Hoje infelizmente tive que ir buscar à internet imagens de duas chaleiras icónicas produzidas pela Alessi e que nunca cheguei a comprar devido ao seu preço elevado

A primeira, produzida em 1985, é da autoria de Michael Graves e chama-se «Bird Whistle», apito de pássaro, nome que se deve à presença de uma ave no apito, em plástico colorido, que fazia sentido ao lembrar o seu som, quando a água ferve.
Para festejar os 30 anos de existência, Graves redesenhou o apito, em 2005, e transformou o pássaro num reptil pré-histórico. Este modelo foi designado «Tea Rex» e os dois apitos passaram a ser vendidos em separado. Para o comprador poder escolher.
Mas em matéria de chaleiras de design a Alessi não ficou por aqui e em 1992 o arquitecto Frank Gehry desenhou a «Pito water kettle» feita em madeira e aço. Tanto a pega superior como a asa tem o feitio de peixes. Também esta chaleira tem dois apitos melódicos, a lembrar o som das baleias, que podem ser substituídos de acordo com a disposição do seu possuidor.
 Quando vejo estas chaleiras Alessi lembro-me sempre da minha amiga Natacha que tinha uma «Bird whistle» há muitos anos atrás. Quando ia lá a casa olhava sempre para a chaleira com prazer. Um dia deparo-me com a imagem horrível do bico e a asa derretidos. Distraída, como sempre, tinha deixado a chaleira ao lume por tempo indefinido. A água evaporou e o metal aqueceu até derreter o plástico. É por isso que se algum dia perder a cabeça e comprar uma, só a irei usar para ouvir o apito e depois guardo-a religiosamente.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Andy Warhol e as cornucópias de Alcobaça

 
Decidi-me por este título absurdo e panfletário, ao modo dos jornais tabloides, para falar de um doce de Alcobaça cuja associação a uma criação deste artista me é frequente.
Não sou grande apreciadora de doces de pastelaria que, na maioria das vezes, não compensam na relação gosto / calorias. Mas há alguns a que não resisto e um deles são as cornucópias da Alcoa.
São uns doces deliciosos que em 2013 ganharam o primeiro prémio no concurso de doces conventuais de Alcobaça. Como o nome indica têm a forma de cornucópias, sendo o cone feito com uma massa frita, estaladiça semelhante à dos coscorões, sendo recheada com abundante doce de ovos. 
Uma delícia irresistível de que trago sempre uma caixa quando vou a Alcobaça, embora agora também já se possam comprar em Lisboa.
É precisamente sobre a caixa que quero falar para justificar o título. Desenhada de forma inteligente destina-se a conter no seu interior os cones em posição vertical, para impedir o derrame do doce de ovos, tem no seu interior um tabuleiro perfurado com seis orifícios circulares.
Quando vejo esta caixa lembro-me sempre de um objecto de design que comprei há alguns anos nos Estados Unidos. Trata-se de um tabuleiro acrílico concebido por Handy Warhol, com orifícios para introdução de quatro taças cónicas em melamina, decoradas, e suas respectivas colheres em plástico. 
Na caixa, onde surge a imagem do autor, é descrito como um «conjunto para gelados com quatro cones, colheres e tabuleiro”. Acrescentando: «Sirva uma porção dupla de cultura pop aos seus convidados».
Apesar desta indicação é evidente que nunca tive coragem para a usar. Considero-a uma peça do meu museu (imaginário) e tenho finalmente a oportunidade de a mostrar e de fazer esta associação que me assalta sempre que vejo as cornucópias doces de Alcobaça dentro da sua embalagem.

Depois disto o título já faz algum sentido, não acham?

sábado, 2 de maio de 2015

Uma lancheira de design

 Este objecto de design designa-se «Lunch Book» que se traduz por lancheira, uma instituição nos Estados Unidos, agora cada vez mais frequente em Portugal, trazendo de volta os anos do Estado Novo.
Na realidade «lancheira», que é sinónimo de «merendeira», aplica-se aos cestinhos ou caixas destinadas a levar a comida. Os americanos usavam caixas de lata, com uma pega, com desenhos de cores, sobretudo destinadas às crianças. Na minha infância lembro-me de um cestinho onde eu levava para a escola o lanche, uma vez que, como o nome indica, a isso se destinavam.

Hoje é usada como sinónimo de marmita, que na altura se destinava aos adultos para levarem o almoço para o trabalho. Com a nossa imprecisão de linguagem as duas palavras tornaram-se sinónimos, embora o não sejam. Quando muito a marmita vai dentro da lancheira, o que é verdadeiro sobretudo se pensarmos que hoje as lancheiras se transformaram em mochilas ou outros sacos do género.


A grande diferença no que respeita às marmitas está contudo nos modelos. Antigamente usavam-se caixas de alumínio ou esmalte, empilhadas e fixas por molas, enquanto agora são em plástico, coloridas e mais atractivas. E ganharam estatuto. As pessoas já não se importam de comer da marmita.

Voltemos à razão deste poste: a lancheira que é da autoria de Alessandro Garlandini e Sebastiano Ercoli e que ganhou o 1º prémio na competição para o tema na  Expo Milan 2015.
«Lunch Book» é um livro de receitas feito com pratos de papel que pode ser usado para comer durante a exposição. Cada prato, feito em papel 100% reciclável,  mostra uma receita de um diferente país.

A Expo Milano 2015 é uma exposição internacional que inaugura hoje (dia 1 de Maio) e se extende até 31 de Outubro. Os seus organizadores esperam que seja o maior evento sobre alimentação já realizado. Com uma área expositiva enorme , sob o tema Feeding the Planet, Energy for Life, serão mostrados os avanços tecnológicos e as preocupações a discutir vão no sentido de garantir alimentos seguros, suficientes para a população e que respeitem o planeta. Que mais se pode pedir?

Estarão presentes 140 países e espero que Portugal seja um deles. Eu infelizmente não vou estar e não vou ter acesso a esta «Lunch Box», um objecto efémero, que pessoalmente não seria capaz de utilizar e iria guardar como uma fina peça de porcelana.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Museu Virtual: Serviço de Chá, modelo cúbico

Nome do Objecto: Serviço de Chá
Descrição: Conjunto incompleto para chá composto por: 1 bule, 1 açucareiro, 1 chávena e dois pires. Tanto o bule como o açucareiro apresentam base quadrada e forma respectivamente cúbica e paralelepipédica, com tampas idênticas, sem botão superior, existindo apenas duas reentrâncias laterais, de cor alaranjada, para deslocação das mesmas. Pega embutida no corpo geométrico, sem proeminência, igualmente visível pela presença da cor alaranjada. Tanto as chávenas como os pires são octavados. Decoração do tipo craquelé acentuada a preto, contrastando com  triângulos laranja no cantos das peças e asa da chávena.
Material: Porcelana.
Época: cerca de 1930 (entre 1920 e 1940).
Marcas: «Coimbra Portugal» (empresa Porcelana de Coimbra). O bule tem escrito na base o modelo: «Cúbico» e a pintura: «A. L. 1.015».
Origem: Mercado português.
Grupo a que pertence: Utensílios domésticos. Equipamento culinário.
Função Geral: Recipientes para o serviço ou consumo das bebidas
Função Específica: Servir e consumir chá.
Nº inventário: 1379 A a E. 

Objectos semelhantes:
1 – Uma leiteira deste conjunto existe na colecção do Museu Nacional do Azulejo.
2 – Um serviço de café composto por cafeteira, leiteira, açucareiro, 6 chávenas e 6 pires idêntico, com peças de porcelana moldada, de formas cúbicas, do modelo cúbico, mas com decoração diferente (Ref. L.B. 5048) foi apresentado no blog: «Moderna uma outra não tanto». O serviço tinha para além destas peças um prato para bolos e uma compoteira.
NOTAS:
Este tipo de modelo de bules cúbicos teve a sua origem em Inglaterra, tendo sido Robert Crawford Johnson (1882–1937) o responsável pelo seu desenho que registou em 1916 (Patente Nº 693783)  com o nome de "Cube Teapots Ltd", firma situada em Campbells Yard em Leicester. Os primeiros serviços feitos por esta firma eram em casquinha, feitos na própria empresa, em Leicester, e posteriormente foram produzidos em Birmingham por Napper & Davenport.
V & Albert Museum
A primeira produção deste tipo de bules inovadores em cerâmica só se veio a dar cerca de 1925, sendo a primeira fábrica a produzir este serviço a "Arthur Wood" situada em  Stoke-on-Trent, mas muitas outras se seguiram como “T G Green”  e a ” Wedgwood & Co Ltd”. Mas se as primeiras fábricas produziram o modelo sob licença, seguiram-se muitos outros modelos em cerâmica produzidos por fábricas inglesas mas também europeias que copiaram a forma, alterando a decoração.
Neste período desenvolveu-se a moda das casas de chá em Inglaterra e as viagens por cruzeiro em grandes paquetes. O “design” do serviço tornavam-no ideal para estas funções por ser mais facilmente armazenado, ser mais resistente e tinha a vantagem de pingar menos (um assunto a que os ingleses foram sempre sensíveis e os portugueses ainda hoje não compreenderam). As suas formas geométricas facilitavam também a sua disposição em tabuleiros, com que alguns eram vendidos, pelo que rapidamente começaram a ser usados nos grandes paquetes da linha Cunard e noutros.
O grande transatlântico Queen Mary possuía serviços deste tipo em porcelana, com tabuleiros em bakelite, para servir o chá nos decks e cabines da 2ª e 3ª classe, enquanto na 1ª classe os serviços eram em casquinha.

Em Portugal é desconhecida a autoria destes modelos mas, os vários exemplares conhecidos foram todos produzidos pela empresa de Porcelana de Coimbra, no período referido (1920-1940).

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

A escova de louça LOLA ou a minha Lola preferida

  
Vou falar de um produto de que, ia dizer, me lembro desde sempre, mas pensando bem é apenas desde que comecei a lavar a louça.
Refiro-me à escova para lavar louça Lola, que seguramente os mais novos já não conhecem.

No entanto o nome da marca «Lola» ficou como sinónimo de escova de lavar a louça, tal como aconteceu com o Frigidaire para qualquer frigorífico (sobretudo na África portuguesa) ou a Gilette para as máquinas de barbear.
A história da Lola começou em 1930 na Alemanha Oriental mas no Ocidente a sua grande divulgação começou apenas em 1968 quando um vendedor tentou vender escovas de madeira fabricadas na Alemanha Oriental num loja chamada «Pottery of all Nations», em Nova Iorque. As primeiras dúzias que o proprietário adquiriu venderam-se rapidamente, o mesmo sucendendo com as seguintes, o que levou o proprietário a importá-las directamente da Alemanha Oriental. De notar que se estava em plena “guerra fria” e nada impediu este interessante negócio.

Logo no ano seguinte formava-se a «Lola Brush Corporation», pelas mãos de Larry Lewis e Jim Berger, que passaram a vendê-la nos Estados Unidos. A ele se juntaria um especialista em produtos domésticos Edward D. Spitaletta, passando a firma a designar-se «Lola Products Corporation» e posteriormente «Lola Products». Na década de 1970 esta empresa com uma gama de produtos úteis e fáceis de utilizar na higiene doméstica tornou-se no líder de mercado neste campo.
Após 2001 a empresa ficou apenas nas mãos de Ed Spitaletta, que introduziu novos produtos adaptados aos tempos actuais, mas onde permanece inalterável a escova para a loiça Lola. Como dizia o meu amigo alemão Helmut, a quem pedi ajuda para eventuais traduções: «Não se muda um produto que está optimisado».
A empresa "ebf" - Bürsten und Besen oHG, uma fábrica alemã fundada em 1886, ainda produz Lolas, mas sob licença,com outro nome, pois a utilização do nome Lola é interdita.

Em Portugal não sei dizer quando começou a ser comercializada, mas sei que desde que a descobri achei impensável lavar a louça com as mãos e uma esponja ou um pano.
Um dia dei comigo a só encontrar Lolas em plástico. Não tive outra opção senão comprá-las porque deixei de encontrar as verdadeiras. Ainda hoje quando vejo pequenas lojas de venda de produtos para casa, em especial na província, entro e pergunto se têm Lolas. Os mais novos abrem os olhos e tenho de explicar. As pessoas mais velhas informam-me que nunca mais apareceram.
No entanto surgiram substitutos em madeira. Na internet podem encontrar-se cópias perfeitas, sem marca, com a designação de que se trata de escovas feitas com madeira de faia, fio de aço inoxidável e fibra de tampico, sendo o design 100% sueco. É por isto que o registo de patentes é importante!.
Presentemente o mercado de design doméstico produziu variantes interessantissimas de Lolas, sobre as quais se justifica um outro poste, mas entretanto deixo um aperitivo.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Um pai espanador que deu um filho escritor

Pelo título não se pensaria que iria falar sobre objectos de design. Embora tenham invadido o nosso dia a dia, são os destinados à cozinha e mesa os que mais me fascinam. Surgem com uma velocidade enorme e os novos modelos surpreendem-nos sempre. Infelizmente o seu preço é pouco acessível e torna-se difícil adquiri-los à medida que vão surgindo.
Um outro inconveniente que acarretam deve-se à sua própria beleza que os faz entrar rapidamente no estatuto de objectos de culto e acabo por os guardar cuidadosamente. Guardo vários nas caixas originais, tal como fazia com as minhas bonecas na infância. Comecei a adquiri-los nas minhas visitas ao estrangeiro mas hoje estão já facilmente disponíveis em todo o lado.
Voltando ao título refiro-me a dois objectos utilitários da Pylones. Esta empresa de origem francesa que começou em Paris em 1987 por iniciativa de Jacques Guillement e da sua mulher Lena. O seu sucesso ficou a dever-se ao inventivo e alegre design de peças de uso comum mas foi também importante a escolha do nome. Adaptaram para francês o nome «Pylon» título de uma novela do autor americano William Faulkner, publicada em 1935.
Hoje a Pylones tem a trabalhar para ela vários designers e os seus produtos vendem-se em lojas dispersas pelos vários continentes.
Apresento hoje o pai, um espanador com um cabelo feito de penas azuis que eu nunca teria coragem para usar e um filho, mais utilisável, uma esferográfica.
Voltarei ao tema com outras peças mas entretanto deixo um interessante filme publicitário sobre a marca.


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Objecto Mistério Nº 17. Resposta: Dispensador de sacarina

Trata-se de um dispensador de sacarina. Digamos que é o sucessor do açucareiro, numa época em que as pessoas se preocupam com a «linha» e optam, por razões estéticas ou de saúde, por substituir o açúcar por adoçante artificial.
O objecto para conter e servir à mesa as pastilhas de sacarina é uma opção requintada para substituir a embalagem de plástico em que são comercializadas.
Encontrei-o há alguns anos na loja do Museu Juan Miró em Barcelona, e fiquei tão surpreendida como as pessoas que, até hoje, desconheciam a sua existência.
O dispensador apresentado é em porcelana e foi desenhado por Eugen U Fleckenstein, em 2003. Eugen é um ilustrador e designer que vive em Zurique. É autor de banda desenhada, tem no seu curriculo a ilustração de vários livros e cria objectos de design para várias empresas, como este encomendado por Ritzenhoff. Ritzenhoff é um empresa alemã, da região de Marsberg, que tem uma grande tradição no fabrico de vidro. Embora fosse esse a sua produção inicial começou também a produzir peças em porcelana, bem como uma diversidade de objectos.

Com uma grande preocupação com o design conseguiram a proeza de ter mais de 280 designers de todo o mundo a conceber os seus produtos. Deles fazem parte arquitectos, ilustradores, publicistas, escultores, etc. de várias nacionalidades, destacando-se também nomes portugueses como José de Guimarães, Siza Vieira, Troufa Real, Angela Ladeiro, etc.

Esta linha de dispensadores de sacarina conta com a participação de vários artistas e existem portanto vários modelos. Apresento também uma outra imagem com uma senhora gorda a comer um bolo, concebido por Marcel Bierenbroodspot e que data de 2005. Também este foi buscar o conceito da «linha», tal como o que adquiri e que descobri ser o dispensador mais vendido.

Mas outros modelos são apenas decorativos tal como acontece com o criado por Helena Ladeiro, em 2003 e que imaginou a cara de um palhaço. A saída da sacarina faz-se, neste caso, por um orifício central na boca. Helena é filha de Angela Ladeiro que trabalha igualmente para a Ritzenhohh. Foi uma das primeiras designers a participar no projecto de Sérgio Guerra quando este abriu, em Lisboa, as lojas “Dimensão”, em 1967.
Ainda hoje é na Dimensão que, em Portugal, se podem encontrar objectos da Ritzenhoff.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Museu Virtual. Balde para gelo

Nome do Objecto: Balde para gelo

Descrição: Balde cilíndrico com tampa, em material de vidro Pyrex, colocado num suporte metálico. Encontra-se espelhado no interior e pintado de preto exteriormente. A asa metálica está protegida por um revestimento de plástico entrançado.

Material: Vidro, metal e plástico
Época: Anos 50.

Marca: Ernest Sohn Creations
Origem: Nova York, USA .

Grupo a que pertence: Equipamento culinário.

Função Geral: - Utensílio para serviço ou consumo.
- Das bebidas

Função Específica: Guardar e servir cubos de gelo.
Nº inventário: 732

Objectos semelhantes: outro balde de gelo da mesma autoria existente nos USA.
Notas:
Ernest Sohn foi um cidadão alemão que emigrou para os Estados Unidos em 1936.
No início colaborou como free-lancer para a empresa Glidden e para a Red Wing, antes do seu primeiro emprego na Rubel & Cª. , onde esteve entre 1945-1951.
Em 1951 fundou a sua própria empresa com o nome Ernest Sohn Associates e em meados dos anos 50 a Ernest Sohn Creations, Inc,. São desta fase os objectos de design mais facilmente identificáveis. Foi também nesta época que ganhou o prémio Good Design atribuído pelo MOMA.

Os objectos de design de Sohn encontram-se hoje em vários museus. São modelos variados em que usou a cerâmica, o metal e a madeira, frequentemente associando esses elementos
.