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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Convite: Conferência no GEO


Dia 4 de Dezembro às 18,30h irei falar sobre o tema «Da solidão da mesa real à convivialidade da mesa burguesa».
Com a proximidade do Natal, o tema da mesa e da convivialidade põe-se com maior acuidade e pareceu-me um bom ponto de partida para analisar a evolução do seu papel.
No fundo trata-se de um raciocínio sobre as várias condutas e mensagens que o anfitrião pretende transmitir aos seus convidados.
A imagem do poder vai se transformar ao longo dos séculos, mas mantém-se o respeito pelas hierarquias, como se pode constatar no posicionamento dos convivas.
A sala de jantar que surgiu no século XVIII, mas que no século XIX se divulgou pela sociedade em geral, veio facilitar a realização de refeições em conjunto.
A partir de então, e durante todo o século XX, a mesa foi também um local de ensino dos mais novos e um factor aglutinador do agregado familiar.
Norman Rockwell 1943
Embora muitos destes aspectos se tenham perdido, a mesa de Natal retoma todos esses elementos de ligação, em que estão também presentes os de representatividade, através da encenação da sala e da decoração com a melhor baixela da casa e o respeito pela hierarquia.
Digo eu, que gosto de falar de situações idílicas.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Uso diversificado de fontes

Amanhã, dia 6 de Novembro às 18 horas, irei falar sobre o tema referido na Faculdade de Ciencias Sociais e Humanas, na Avenida de Berna, às 18 horas.
A conferência faz parte de um conjunto de iniciativas sobre História Moderna, de que se anexa programa e é aberta ao público.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Convite: Tertúlia no Palácio de Queluz

Sala da Merendas. Fotografia do site do Palácio de Queluz

TERTÚLIA: A MESA REAL E OS PALÁCIOS

Data: 9 setembro de 2018
Local: Palácio Nacional de Queluz

Ana Isabel Buescu e Ana Marques Pereira
com moderação de Fortunato da Câmara

Os hábitos alimentares da corte, os banquetes reais e o esplendor de como se ‘vestiam’ de tecidos, loiças, e acessórios as mesas palacianas nacionais. No faustoso Palácio de Queluz, saboreie, durante a tertúlia, iguarias como o “Bacalhau Espiritual”, receita original do Palácio, servido pela cozinha que o criou.
Um dos painéis da Sala das Merendas. Fotografia do site do Palácio
 Parceiros na degustação: Restaurante Cozinha Velha – Pousada de Queluz D. Maria I

Horário e ponto de encontro: 14h45, átrio de entrada do Palácio

Público: público em geral

Lotação: 30 pessoas

Duração: visita guiada 45 minutos; tertúlia e degustação aprox. 90 minutos

Custo de participação: €1,00 (este valor acresce ao custo do bilhete de entrada no monumento)

A tertúlia tem início às 16h00, após visita guiada ao pomar, estufas e jardim de aromáticas.


sábado, 28 de julho de 2018

O talher de D. João V (cadinet ou cadenas) - 2


Cadinet Augsburg. Gottlieb Menzel. 1718. MET. 
O cadenas, tal como a naveta, foi um objecto simbólico do poder real. Eram habitualmente feitos de metal nobre: ouro, vermeil ou prata. Na zona mais elevada ou caixa fechada guardava-se o sal, o açúcar e a pimenta e os talheres propriamente ditos.
Cadinet do rei Guilherme III. Royal Collections Trust. UK
A porção horizontal servia para colocar o pão, sobre um guardanapo, sendo depois coberto com um segundo guardanapo montado, isto é, armado numa construção com bicos. A sua posição na mesa era sempre à direita do prato do rei, como se pode constatar no Plan du premier service du Grand Couvert à Versailles[1].
Pormenor da mesa de casamento de Napoleão com o seu cadinet e o do Maria Luísa em 1810.
Cadinet do Imperador Napoleão. Henry Auguste. Museu Napoleão . Fontainebleau.
Em França, desde o século XIII, existiu um oficial da Casa Real francesa designado «Grand panetier». Servia apenas nas grandes cerimónias, enquanto nos restantes dias eram os «Panetiers» que colocavam a toalha, a naveta e preparavam os trinchos ou os cadinets com pão e sal. Para além destas funções, e até 1711, tinha competência sobre os locais de fabrico de pão em Paris, aplicando uma taxa sobre a sua produção.
Em França a partir do século XVI este cargo passou a ser hereditário e esteve até 1792 na família de Cossé de Brissac. Um aspecto interessante é que nas suas armas, como se pode ver nas de Jean-Paul-Timoléon de Cossé de Brissac (1698-1780), que era «Grand Panetier» em 1730, se pode ver, como atributo das suas funções, uma naveta de ouro e o cadenas do rei.
Pormenor da cópia do cadinet de D. João V. Concepção fictícia da minha autoria.
Não existiu esta função em Portugal e no documento em que se descreve o banquete de casamento de D. João V com D. Maria Ana de Áustria, em 1708, constata-se que foram os Reposteiros da Câmara quem trouxe o cadinet (talher) para a mesa real.



[1] Pereira, Ana Marques. Mesa Real. Dinastia de Bragança. p. 70.

terça-feira, 10 de julho de 2018

O talher de D. João V (cadinet ou cadenas) - 1


Réplica do que poderá ter sido o "talher de D. João V". Foto João Oliveira Silva
“Talher” é a designação portuguesa de cadinet ou cadenas que encontrei num documento em que se descreve o banquete de casamento de D. João V em 1708.
Publiquei esta informação no meu livro «Mesa Real» e, até então, desconhecia-se o seu uso na corte portuguesa. Toda a descrição do banquete é de grande interesse mas foco-me aqui nos “talheres”, tomados como designação lata. Estes foram trazidos pelos Reposteiros da Câmara em pratos grandes dourados os Talheres Reais quadrados de S. Majestades, e os redondos ordinários de S. Altezas.
Cadinet com guardanapo em flor de nenúfar para o pão
A descrição pormenoriza: "Virão os Talheres Reais preparados com sal, açúcar e pimenta nos lugares que para isso tem: e no do pão se põe por baixo um guardanapo liso em forma quadrada de sorte que não transborde o talher, e por cima dele o pão com a faca, colher, garfo e dois palitos, coberto tudo com um guardanapo levantado, cujas dobras hão-de ser muito finas»[1].
Cadinet de Guilherme III, 1688, Royal Collection, Londres
Não existe em Portugal qualquer exemplar de cadinet que, tal como noutros países, foram derretidos. O mesmo aconteceu em França, onde, os que existem são mais tardios, do século XIX e encomendados por Napoleão, que desejava retomar o esplendor do ritual da mesa real.
Cadinet feito em Augsbur, 1718. V&A Museum
Os ingleses, mais conservadores, mantiveram vários exemplares e foi um deles, o do rei Carlos II de Inglaterra, casado com D. Catarina de Bragança que tomei como modelo.
Para a exposição sobre o pão na mesa do rei, que esteve a meu cargo, e que se pode ver em Mafra no Festival do Pão até dia 15 de Julho, concebi o que poderia ter sido o cadinet do rei D. João V, com as suas armas na base e mandei efectuar um exemplar.
Pormenor da parte horizontal do cadinet com o guardanapo levantado
Tal como na época coloquei um guardanapo dobrado na parte horizontal e sobre este um outro levantado, para o caso em flor de nenúfar, que permite uma visualização do pão que aqui se pretende realçar.
Ficou lindíssimo e penso que só por si merece uma visita à exposição. Depois não digam que não avisei.




[1] Pereira, Ana Marques, Mesa Real. Dinastia de Bragança, Lisboa, Esfera dos Livros, pp. 65-75.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Mesa Real na Mercearia Santana


Sábado, dia 13 de Janeiro, às 15 horas, vai ter lugar na Mercearia Santana, situada em Sacavém, na Rua Almirante Reis N.º 41-43, uma palestra feito por mim sobre «Mesa Real».
A Mercearia, tal como a casa de habitação,  está musealizada e apresenta periodicamente acções de dinamização a cargo do Museu de Sacavém.
 Estão convocados para conhecer o espaço e ouvir a conferência neste local improvável para manducagens reais (espero que a palavra esteja bem escrita).


sexta-feira, 3 de novembro de 2017

terça-feira, 18 de abril de 2017

Colóquio: «A Mesa e o Poder»



É este o tema aliciante do II Colóquio da Primavera, organizado pela DIATA e que vai ter lugar nos dias 3 e 4 de Maio no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa.
 Como podem ver o programa é extenso e variado, seguramente a não perder.

Eu irei falar sobre «Símbolos de poder à mesa (séc. XVI - XIX)». Para abrir o leque aqui lhes deixo o resumo da apresentação:
«Não é possível determinar em que época o Homem se apercebeu da importância da mesa, tomada em sentido lato, como manifestação de magnificência e poder. Descrições e representações de banquetes medievais evidenciam já essa noção. Mas foi sobretudo na Renascença italiana que os banquetes atingiram um requinte e esplendor que ainda hoje nos impressionam.
Pode considerar-se o banquete de casamento do Grão Duque Fernando I da Toscania (da famosa família dos Medici) com Cristina de Lorena, em 1589, pintado por Domenico Cresti Passignano, que teve lugar no palácio Pitti em Florença, como um modelo de tal modo grandioso que viria influenciar as práticas teatrais das cortes europeias no século XVII.
Mas antes de falar em poder há que caracterizar de que tipo de poder se trata. Das várias classificações existentes optámos pela de Norberto Nobbio que distingue as três formas de poder: político, económico e ideológico. Dentre estes conceitos restringimos-nos ao poder político, isto é, ao poder legitimado, também chamado “posicional”. A natureza deste poder surge como uma forma de estrutura social que apresenta igualmente a possibilidade de vir a influenciar os outros. No que respeita à monarquia, o poder absoluto em que os direitos reais são considerados divinos, isto é, em que o rei é o representante de Deus, foi legitimado por teorias como a do filósofo Jacques-Bénigne Bossuet. Nestes conceitos estavam incluídas as manifestações de pompa que envolviam os diferentes momentos ritualizados das refeições reais, destinadas a evidenciar a majestosidade e grandeza do rei ou príncipe. 
A refeição pública áulica torna-se, assim, numa encenação ostensiva que representa o teatro do poder. Nela estão envolvidos, para além do rei ou príncipe, os oficiais da Casa Real cuja função se encontra ritualizada, obedecendo a normas pré-estabelecidas que visam aumentar a grandiosidade do acto. Como em qualquer representação, o público está forçosamente presente, neste caso a corte ou os convidados privilegiados que se pretende impressionar. Para a representação são seleccionados os cenários de que fazem parte o uso do dossel, da mesa elevada, das copeiras com baixela de aparato, para apenas mencionarmos alguns aspectos.   
Finalmente será referida a colocação da mesa coberta com ricos têxteis sobre os quais era disposta a baixela preciosa e variada. Existem, contudo, objectos que, de forma especial, representam o poder à mesa. Nesta comunicação serão indicados apenas os dois mais importantes: o saleiro, o primeiro a ser colocado sobre a toalha e o “talher”, melhor identificado pela palavra francesa cadinet ou cadenas, termo que implica a possibilidade de ser fechado com um cadeado, protegendo o seu interior de eventuais tentativas de envenenamento. Este pode apresentar-se numa das suas formas mais simbólicas como uma naveta, elemento trazido directamente do ritual litúrgico e que representa como nenhum outro as manifestações do poder real à mesa».

Inscrições através do email:

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Livro «Mesa Real. Dinastia de Bragança»

Vai ser feito o lançamento do livro «Mesa Real» no dia 3 de Outubro, em nova versão, uma vez que a primeira publicação, uma edição de luxo, estava esgotada há vários anos.

Sai agora, por iniciativa da Esfera dos Livros, numa nova forma mais acessível, adaptada aos dias de hoje e destinada a um público mais vasto.

O livro tem a vantagem de ser mais “portátil”, o que significa que pode ser lido mais facilmente, que é o que pretendem todos os autores.

Manteve-se bonito, isto é, não perdeu as imagens que são indispensáveis para perceber a que correspondem os objectos de que falamos.
O  texto mantém-se idêntico no fundamental, apenas com pequenas alterações e correcções, mas a nova forma torna-o num novo livro que sai da esfera académica e dos meios monárquicos, onde fundamentalmente se tinha tornado conhecido.

Para os amigos que não sabem ainda, ou para os leitores do blogue que o desejem, fica aqui um convite para estarem presentes no lançamento.