domingo, 31 de maio de 2020

Museu virtual: Mostardeira

Nome do Objecto: Mostardeira.

Descrição: pequeno pote gomado em porcelana vidrada com ramos de flores dispersas. Foi-lhe montada uma base e uma tampa em prata. Tem pequena colher igualmente em prata.

Material: porcelana e prata. 
Época: 1930-1940.

Marcas: SP Coimbra.
 
Origem: mercado português.

Grupo a que pertence: utensílios para servir alimentos.

Função Geral: recipiente para o serviço ou consumo das especiarias.

Função Específica: servir mostarda na mesa.

Nº inventário: 3715

Objectos semelhantes: não numerados ou classificados

 

Nota:

A sociedade de Porcelanas de Coimbra foi fundada por antigos operários da Fábrica Vista Alegre e alguns modelos são muito semelhantes. Foi adquirida na década de 1940 pela Vista Alegre, para evitar a concorrência.
O que surpreende nesta peça tão simples é a sua montagem com prata. As mostardeiras eram geralmente acompanhadas por saleiros e pimenteiros, formando conjuntos homogéneos. Este motivo de pequenos ramos de flores surge também em serviços de mesa e chá.

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Quinta-feira de Espiga

Felizmente este ano, de forma improvável, consegui cumprir a tradição.
No meio dos cuidados da pandemia ainda houve quem fosse colher o ramo de espiga. 
Ganhei o dia.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Objecto Mistério Nº 62. Resposta: Paliteiro em cristal


A maior parte dos paliteiros são facilmente identificáveis. Feitos de diversos materiais e de formas variáveis, foram sempre apreciados. Não encontramos infelizmente,  descrições sobre a forma de os colocar sobre as mesas ou representações do seu uso à mesa.

Por razões óbvias os palitos foram usados desde o início da humanidade e chegaram a ser feitos em metais preciosos. Contudo, a divulgação dos paliteiros deu-se apenas no início do século XIX quando aumentou a produção, manual ou industrial, dos palitos em madeira.
Palito portátil já apresentado. Ver Objecto Mistério Nº13
O seu uso sobre a mesa tornou-se moda sobretudo na Europa, por vezes fazendo parte de conjuntos com os saleiros e pimenteiros. A partir de meados do século XX começaram a ser menos populares e nas últimas décadas, abandonaram as mesas e hoje só se podem observar em vitrines, quando dignos dessa honra.
Os paliteiros de um modo geral apresentam-se de duas formas: com uma base perfurada (mais frequentes nos feitos em ceramica ou metal) ou com um recipiente onde se guardam os palitos. São sobretudo deste tipo os paliteiros em vidro, tornando a sua identificação mais complicada. 
Pormenor de um catálogo que nos mostra que o mesmo objecto podia servir para paliteiro ou fosforeira
A dificuldade é distingui-los dos suportes para fósforos, dos oveiros, das pequenas jarras, dos afiadores de penas, porque muitas vezes a forma era a mesma, só se distinguindo pela legenda dos catálogos dos fabricantes.

Afiador de canetas, preenchido com arames verticais, onde coloquei penas
Há quem diga que a melhor forma de identificar estes objectos mais duvidosos é colocar lá dentro os palitos. Se eles caírem lá para dentro não é um paliteiro. Pode ser, por exemplo, uma pequena jarra ou um recipiente para colheres, que podem apresentar o mesmo formato, mas são de maiores dimensões.


Neste caso concreto a sua forma é mais rara, uma vez que apresenta um pé, podendo confundir-se com um cálice. A espessura das paredes, que lhe dá maior estabilidade, torna-o inadequado para levar aos lábios. 
A cavidade é demasiado pequena para conter flores ou um ovo e lembrei-me de já ter visto paliteiros com este formato. Os catálogos que consultei não me permitiram identificar a fábrica. Parecia-me Baccarat, mas não o consegui provar.
Mas o teste dos palitos não nos deixa com dúvidas.

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Objecto Mistério Nº 62: Pergunta


O objecto que hoje se apresenta tem pequenas dimensões.

Mede de altura 9 cm e a base tem um diâmetro aproximado de 5 cm.

A que se destinava?

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Uma Ementa de 29 de Abril de 1965

 Faz hoje 55 anos esta ementa destinada às comemorações promovidas pelo Comissariado de Turismo, intituladas «Abril em Portugal». O cartaz que acompanhava esta campanha promocional, de autor desconhecido e feito na Litografia Costa & Valério, era precisamente igual à capa desta ementa. 
Esta diz respeito ao almoço e podemos ver a Ementa do Dia, que custava 70 escudos com vinhos incluídos.
Eram mencionados os «Vinhos do Dia», podendo o cliente escolher qual o que achava mais adequado para acompanhar os aperitivos, as conservas e o peixe, a carne, o doce e a fruta e por fim o café. Não se ficava por aí a escolha. 
Na página seguinte era apresentada uma extensa Lista de Vinhos que iriam ser servidos durante a temporada.

A ementa, de grandes dimensões (27 x 37 cm), incluía ainda uma lista de outros pratos para além da Ementa do Dia e que o cliente podia escolher em alternativa.

Estas refeições tinham lugar no Restaurante «Mercado de Abril» no Museu de Arte Popular em Belém, que continuou a funcionar nos anos que se seguiram. Veja-se no entanto os anúncios publicados em 1967 em vários jornais que nos mostram uma ementa, aparentemente, mais simples, mas igualmente com pratos portugueses. 
Diário Popular 13-5-1967
Recorde-se que foi associada a estas campanhas promocionais que surgiu a canção «Avril au Portugal». Inicialmente cantada por Yvette Giraud, com letra de Jacques Larue, baseava-se no fado canção Coimbra, composta por Raul Ferrão e que a cantora francesa ouviu Amália Rodrigues cantar e a quem pediu autorização para a transformar. Foi um sucesso.
Aqui fica a mesma para acompanhar a refeição.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

O gastrónomo Charles Monselet

Charles Monselet. Paris Musées
Já anteriormente me havia cruzado com o nome de Charles Monselet (1825 – 1888), jornalista, poeta e romancista, mas sobretudo um escritor epicurista francês. Em 2010, a propósito de alguns livros portugueses, havia mencionado uma das suas obras: «La cuisine des familles» (ver poste), mas sem mencionar o seu nome.

Ao adquirir vários outros números do jornal referido vejo a sua imagem numa cartela associada às de Brillat-Savarin e de Alexandre Dumas Pai e interroguei-me como nunca o havia investigado.
O seu papel como escritor na área da gastronomia valeu-lhe na época o nome de «Rei dos Gastrónomos»[1]. Foi, juntamente com Grimod de la Reynière, o Barão Brisse e Joseph Favre, um dos primeiros jornalistas franceses de gastronomia.
Como escritor tem uma vasta lista de publicações mas centrem-nos apenas nas que dizem respeito às áreas da culinária e da gastronomia. Publicou entre outros:
·     La Cuisinière poétique, 1859, com outros autores
·      Almanach des gourmands, 1862-1870, 6 vol.
·     Teofilo Barla, cuisinier de la Maison de Savoie: à propos de sa vie et de sa mort, Paris, 1873.
·      Gastronomie. Récits de table, 1874.
·       Lettres gourmandes. Manuel de l’homme à table.1877.
  Prefaciou a obra de Joseph Favre, Dictionnaire universel de cuisine et d'hygiène alimentaire : modification de l'homme par l'alimentation. 1889-91.
Prefaciou igualmente a obra de Brillat Savarin. Physiologie du goût. 1879.
No que respeita a periódicos fundou o Le Gourmet: journal des intérêts gastronomiques, em 1858, que publicava receitas detalhadas a par de comentários gastronómicos.
Colaborou no já referido La Cuisine des Familles. Recueil hebdomadaire de Recettes d'Actualité très clairement expliquée, très faciles à exécuter (de 1905 a 1908), onde surge a foto que despertou a minha curiosidade. Este jornal era dirigido por Mme Jeanne Savarin (1854-1907), um nome feminino a justificar uma divulgação do tema também junto das donas de casa.
Foi com surpresa que descobri que se tratava de um pseudónimo de Gabriel-Antoine Jogand-Pagès, jornalista anticlerical e antimaçónico, que usou muitos outros pseudónimos, adaptando-os ao tipo de escrita.
Foi com este nome femenino que publicou vários livros de receitas como:
  • La bonne cuisine dans la famille. Recettes choisies. 1905.
  • L'art de bien acheter. 1904.
  • Guide de la ménagère pour tous ses achats journaliers. 
Madame Jeanne Savarin a preparar a Bomba Tiara Persa
Afinal não foi apenas Monselet que descobri. A falsa Mme Jeanne, que chegou a ser descrita como filha de Jean-Anthelme Brillat-Savarin,  veio como prémio adicional. È que para além do nome chegou a ter uma pretensa imagem física, divulgada nas suas obras.


[1] Mais tarde, em 1927, Curnosky seria apelidado de «Príncipe dos Gastrónomos».

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Venda das amêndoas nas ruas


Este ano na Páscoa, em tempo de pandemia, interrompem-se muitas tradições.
As famílias não se juntam e os festejos são mais comedidos no que se refere aos consumos alimentares. Alguns vão tentar manter os alimentos tradicionalmente associados a esta época como o carneiro e o cabrito, mas nem todos o vão poder fazer.
Quanto às amêndoas doces suponho que não terão feito a sua aparição nos supermercados e as pequenas lojas de iguarias ou encontram-se fechadas ou as pessoas, confinadas nas suas casas, não se deslocam a esses locais que, de resto, vão escasseando.
O achado destas duas imagens publicadas no jornal A Época, de 4 de Abril de 1926, que mostra o "Tempo Pascal" e a "Venda das amêndoas nas ruas" (provavelmente em Lisboa) levou-me a escrever esta pequena nota.
Uma Boa Páscoa!. Se têm saúde, o confinamento no domicílio deve ser a menor das nossas preocupações, mesmo sem amêndoas pela primeira vez em tantos anos.

terça-feira, 7 de abril de 2020

A Casa Oásis

Este folheto publicitário, que encontrei nas minhas arrumações, descreve em pormenor o que hoje seria uma instalação hoteleira (com dormidas), restaurante, barbearia e leitaria. 
Quem o guardou escreveu em cima a data (1922?) e o local em que se situava (Entroncamento).

O seu proprietário António Lopes Leitão explicava a localização da casa, perto da Estação de Comboios do Entroncamento, onde existia um candeeiro que iluminava a porta e uma tabuleta onde se representava uma vaca, em alusão ao serviço de leitaria, tal como se podia ver no folheto.
Além de salientar «o esmerado serviço» o texto mencionava a “higiene” e a “limpeza”, noções que hoje tendemos a sobrepor.
Na altura eram conceitos distintos e importantes sobretudo atendendo às grandes preocupações desenvolvidas com a Higiene, resultantes dos conhecimentos adquiridos com a pandemia de gripe pneumónica de 1918-1919.
Os atractivos da Casa Oásis não se ficavam por aqui e, no que respeitava à alimentação servia em exclusivo os afamados leite, queijos e manteiga da Quinta da Cardiga, pães moletes e bolos, para além de enchidos e conservas e diversas bebidas, como era descrito em pormenor. 

Por fim a barbearia, que rivalizava com as de Lisboa e do Porto e em que se utilizavam máquinas de desinfecção, para satisfação dos clientes. 

Não me parece nada mal.

sexta-feira, 27 de março de 2020

Uma (quase) receita africana

Nas arrumações de papéis encontrei três números do jornal «Colyseu dos Recreios». Descrito como jornal - reclame - anunciador tinha distribuição gratuita. O primeiro nº surgiu em Abril de 1891 e parece ter tido uma saída de 49 exemplares até Maio de 1891, de acordo com o registo na Porbase.
Deve ser bastante raro porque o tipo de papel é de uma qualidade péssima, daquele papel do século XIX que se parte todo mal pegamos nele. Passei uma manhã a restaurar as folhas, uma vez que se encontrava todo rasgado.
O anterior Colyseu dos Recreios. Occidente 11 Junho de 1882
Para além da referência ao espectáculos que tinham lugar neste novo Coliseu dos Recreios, inaugurado em 14 de Agosto de 1890, após a destruição do Grande Colyseu, depois Colyseu dos Recreios para dar lugar à construção da Estação de Comboios do Rossio, apresentava publicidade e pequenas histórias de entretinimento.
Foi contudo esta receita ou tentativa de receita, designada «Guizados Africanos» que me chamou à atenção. Não que seja perceptível, mas é interessante, embora suponha que na época ainda tenha sido menos compreendida, excepto pelos angolanos conhecedores da iguaria. Só para levantar interrogações.

quinta-feira, 19 de março de 2020

Objecto Mistério Nº 61. Resposta: Infusor de chá para caneca


O desafio parecia-me fácil sobretudo porque, apesar de lavada a peça, ficaram ainda alguns vestígios da teína. 

É minha preocupação utilizar os termos correctos das palavras, neste caso dos utensílios de uso doméstico.
A designação “infusor” pareceu-me adequada, descrevendo-a como um tipo de filtro para o chá. No seu interior são colocadas as folhas secas e é introduzido na água quente para fazer o chá e este ficar sem folhas. Pessoalmente, apesar de os achar muito atraentes, dispenso-os e prefiro utilizar as folhas soltas e aguardar que assentem no bule.
Pode-se considerar os infusores de chá como os percussores das saquetas de chá. Foram muito utilizados no século XIX, em especial pelos ingleses que usavam um tipo de chá proveniente da Índia, mais moído, se comparado com as folhas dos chineses. Podem ter formas variadas, as mais frequentes em bola ou ovo, mas podem apresentar-se com imensos modelos. Gosto especialmente das casinhas. 
Durante o século XX surgiram modelos de design extremamente divertidos, como o preguiçoso, o submarino amarelo ou o escafandrista, por exemplo.
Embora o mais frequente seja apresentarem-se suspensos por uma cadeia, podem ter a forma de uma colher dupla ou outro tipo de suportes, como braços ou argolas, que permitem suspendê-los no bordo do recipiente.
Dadas as grandes dimensões deste robot experimentei-o em vários utensílios para descobrir de que tipo de infusor se tratava.
Como podem ver não se destina a bules, porque não permitiria colocar a tampa. Também não serve para colocar numa chávena, porque o corpo do robot é grande demais.
Por fim experimentei com uma caneca e confirmei que é um infusor de chá para canecas. Foi muito utilizado e apresentava-se castanho, tanto no exterior como no interior. Ainda hoje se encontra à venda e é um produto de design Kikkerland.
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P. S. Não confundir com outro tipo de filtro, o passador de chá, muito mais antigo, usado de modo diferente e que tem sempre uma forma aberta.

terça-feira, 17 de março de 2020

Objecto Mistério Nº 61


 Ora então vamos lá ocupar o cérebro com outras coisas além do vírus.

Este objecto tem 8 cm de altura e uma função específica.

Para que serve?

quarta-feira, 4 de março de 2020

O cozinheiro e a galinheira

Pormenor de fotografia estereoscópica
Esta bela imagem é um pormenor de uma fotografia estereoscópica e o seu título, identificado na frente e no verso em várias línguas, é: «Uma vendedora de galinhas numa casa do bairro aristocrático de Braga».
Esta profissão tão antiga era designada galinheira e referia-se à pessoa que tratava das galinhas mas também a quem as vendia, funções que frequentemente se completavam. 
Pormenor de papel de Prateleira
Existiam também galinheiros, mas a referência a esta actividade masculina é mais rara.
A primeira vez que me deparei com esta profissão foi quando fiz a investigação para o livro Mesa Real e em que encontrei o nome de Josefa Rodrigues, que surgia frequentemente nos pagamentos da Casa Real. Foi galinheira da Ucharia Real, pelo menos desde 1759. Nessa data era já viúva de Manuel Pereira e morava na cidade de Lisboa, a Nossa Sª dos Remédios. Fornecia toda a variedade de criação onde se registavam, para além dos animais que hoje nos são familiares, as rolas, os adéns, as frambolas, os pássaros, as marrecas, canárias, perdigotos, galinholas, tordos, etc[1]. 
Vendedor de Patos. Porcelana de Vista Alegre
Esta tipo de venda fazia-se também em lugares públicos como nos mostra o requerimento de Maurícia Rosa da Conceição, galinheira, solicitando licença para um lugar de galinheira na Praça Nova da Figueira, em 1816[2].
Nas grandes cidades como em Lisboa, Porto, Coimbra e Braga, como aqui se demonstra, era sobretudo uma actividade ambulante. Em Lisboa a sua presença típica, em que os animais eram contidos em cestas cobertas com uma rede, transportadas à cabeça pelas vendedoras, durou até meados do século XX. Várias fotografias e gravuras imortalizaram essa profissão.
Figuras típicas de Lisboa. Pormenor de papel de prateleira
Percorriam as ruas chamando as suas clientes através de refrão que cantavam bem alto: «Éh galinhas! Merca frangos! Galinhas! Quem nas quer e com ovo?».
Durante muitos séculos o seu consumo tinha sobretudo um intuito medicinal. Destinavam-se à canja dos doentes e apenas em situações de festa as víamos surgir à mesa dos mais abastados. As galinhas eram caras, razão para que fizesse sentido o ditado: «Quando o pobre come galinha um dos dois está doente».
Transportadas por estas mulheres indefesas, que muitas vezes eram assaltadas durante o que se chamava atravessamento de galinhas, razão porque também foram chamadas Travessadeiras de galinhas.

Fotografia de criança mascarada de galinheira
Maria Antónia Lopes, no livro «Pobreza, assistência e controlo social em Coimbra (1750-1850)» descreve o seguinte passo das Actas da Câmara de Coimbra[3], datado de Dezembro de 1751: «e tendo chegado aos ouvidos deste Senado os Clamores do Povo em ordem a dar remedia concludente ao prejuízo, qui cauzavaõ as Travessadeiras das Gallinhas e mais aves de penna deste genero, naõ bastando tanta providencia dada nem penas impostas para impedir hum delito, que continuadamente se comette, abrangendo o prejuízo tambem a tantos pobres doentes, que ficcaõ sogeitos a inpiedade da ambiçaõ das vendedeiras deste genero».
Ficamos por aqui, neste desfiar de memórias e registos sobre as galinheiras, a propósito de uma foto em que salientámos o papel da vendedeira, mas não esqueçamos o do cozinheiro, o comprador, que quase afaga as aves para escolher a melhor para transformar na sua casa. Uma bela imagem perdida no tempo.




[1] Mesa Real. 2012. p. 108.
[2] ANTT. Ministério do Reino, mç. 878, proc. 50
[3] AHMC, Vereações, L.º 64.º, sessão de 11.12.1751.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Objecto Mistério Nº 60. Resposta: Base de copos


Surpreendentemente este desafio foi mais fácil do que esperava e várias pessoas acertaram na resposta.
Trata-se de uma forma especial de base de copo, concebida para envolver o pé do cálice e proteger assim a mesa, ou outra superfície, sobre a qual o mesmo era colocado.

A variedade de bases de copos é grande e recordo aqui algumas.
O clássico pequeno naperon bordado ou em renda, com dimensões ligeiramente maiores do que o pé do cálice e de que foram produzidos muitos e variados exemplares na Ilha da Madeira. 
Mas todos os materiais foram utilizados para esse fim, tal como o vidro e o plástico.
Quanto ao uso da cerâmica com esta finalidade mostro um exemplar feito pela Fábrica Secla, que se apresentava com variadas imagens.


Os anos 60 viram surgir exemplos de bases de copos em papel, alguns coordenados com os guardanapos feitos no mesmo material.
Nos anos 80 forma comercializadas pequenas placas de madeira decoradas com estampas impermeabilizadas, que se faziam acompanhar por individuais com o mesmo desenho e que se encontram amplamente divulgadas ainda hoje em dia.

O uso destas bases persistiu na restauração e foram utilizados como veículos publicitário do bar em que as bebidas eram servidas, da própria bebida ou dos eventos que se comemoravam. 
São sobretudo feitos em cartão, mas outros recorrem a diferentes materiais. Por vezes está presente a cortiça como material único, ou associado a outro, para evitar os ruídos, em locais que valorizam o silêncio.
Mas estes que envolvem o pé do cálice, adaptando-se às suas dimensões, apesar das resposta certas, temos que reconhecer que são raros.