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segunda-feira, 27 de março de 2017

Fado do Pão de Ló

Um feliz encontro. O fado do Pão de Ló, um dos êxitos musicais de Estevão Amarante, e o grafismo de Stuart de Carvalhais, na ilustração de mais uma partitura. 
Ah! e já agora a presença do Pão de Ló, esse doce tão apreciado pelos portugueses e interpretado de forma tão variável nas diferentes regiões.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Carnaval, música e Stuart

Stuart Carvalhais (1887-1961) foi um ilustrador e gráfico português que deixou uma obra extensa. 
A sua colaboração em revistas, jornais e como gráfico para firmas como a Club Bristol e a Sasseti, permitiram-lhe abarcar áreas diversificadas, utilizando sempre um estilo identificador.
Os seus desenhos retratam figuras populares e cenas da vida noctura em que a mulher é presença constante. Mesmo quando retrata a mulher do povo a figura feminina é delicada e sofisticada com os seus olhos esfumados que a tornam misteriosa. 
Vê-se a sua obra e percebe-se que desenhava como respirava, com uma facilidade extraordinária, uma espécie de Camilo Castelo Branco do desenho.  
Nesta época de Carnaval em que a música é presença constante, mostramos uma pequena parte da sua obra gráfica, as capas de pautas musicais feitas para a Sasseti nos anos 20 e 30, de que excluímos os fados, por demasiado tristes. Uma selecção musical adequada a esta época.
Para um fim de dia mais calmo

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Sebastião Passa Fome!

Quando há dias escrevi sobre a partitura «Sebastião Come Tudo» pensava ter dito tudo sobre o assunto.

Com grande surpresa minha um amigo, que teve conhecimento deste texto, ofereceu-me uma outra partitura.
Esta sequela da história do Sebastião apresenta a música e a letra de uma dança portuguesa, da autoria de Joaquim Machado. É igualmente uma criação da Orquestra Melo Junior do Café Chave d’Ouro e, tal como a anterior, a capa tem o traço de Stuart Carvalhais.
Percebe-se pela letra porque não teve sucesso:


«Sebastião passa fome de morrer
Já não come há muitos dias,
tem os ossos a partir,
Sebastião já está feio, feio, feio...
E de não engulir nada
Já só pesa quilo e meio»


E, se não bastasse, segue-se a razão do estado do Sebastião:

« Não gasta vintém,
Pois não o tem para o gastar,
Não come,
Não bebe,
Quer andar e já não pode.
Não fuma,
Não joga,
E já não rapa o bigode»

E  Stuart também não ajudou nada. Na capa da partitura vê-se um homem extremamente magro, que se apoia numa bengala para andar, enquanto a sua figura é alvo de risota por parte de um bando de crianças.


Não há dúvida que ninguém gosta da miséria. O poder soube sempre isso ao usar o fausto como entretenimento visual do povo.


Uma música destas estava destinada ao fracasso.  Volta Sebastião barrigudo. Estás perdoado!

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Sebastião come tudo!

Se tivesse que adicionar um subtítulo para o poste sobre esta música que todos conhecem seria: «a verdade reposta».

Quando os meus olhos pousaram sobre a partitura original desta música percebi que tinha que falar nela. Esta canção, que se considera hoje como música para crianças, é na realidade uma dança portuguesa.
A capa da partitura, interessantíssima como tudo o que saía das mãos de Stuart Carvalhais (1887-1961), mostra um comilão, o Sebastião, sentado a uma mesa servido por uma fila interminável de criados com iguarias.
A música é da autoria de Alexandre da Silva Moreira (1912-2005) e a letra de J. Oliveira Santos (ca. 19-) e foi publicada em Lisboa pela Sassetti, em 1943.

Vejamos apenas o início da letra para percebermos como foi modificada:

Sebastião come tudo,
Sebastião come tudo,
Sebastião tudo come sem colher,
Sebastião fica todo barrigudo
e depois dá pancada na mulher...

Esta música foi uma criação da Orquestra Melo Júnior (Sebastião Ferrão de Melo Júnior, nascido em 18--) que actuava no piso superior do Café Chave d’Ouro, no salão de chá.
Nele também actuou, durante anos, um conjunto de músicos que faziam parte da Orquestra Ligeira da Emissora Nacional, que era então dirigida pelo maestro Tavares Belo e esse programa, sobretudo com música de jazz, era transmitido directamente por essa estação de rádio.
O café foi fundado em 1916 e situava-se no Rossio, ocupando toda a área de um edifício pombalino transformado e incluía zonas de restaurante, salão de chá, tabacaria, barbearia e bilhares. A entrada principal do Café Chave d'Ouro, apresentava, sobre a porta, uma escultura em pedra lioz, um anjo de asas abertas em estilo arte-nova, da responsabilidade de Fausto Fernandes.
Em 1936 foi remodelado por Norte Júnior, que lhe alterou a fachada e o seu interior, imprimindo-lhe características “Art Déco”.
O Chave D’ouro era frequentado por intelectuais e pela classe politica oposicionista ao regime de Salazar. Foi o local escolhido para a conferência de imprensa que lançou a candidatura de Humberto Delgado à Presidência da República, em Maio de 1958. e onde este ao responder à pergunta de um jornalista da France Press: "Qual a sua atitude para com o Sr. Presidente do Conselho se for eleito?" proferiu a célebre frase: "Obviamente, demito-o", que lhe custaria a vida.
Este e outros factos levaram a que o regime de Salazar encerrasse o Chave d’Ouro em 1959.
Voltemos ao nosso «Sebastião Come Tudo» motivo deste poste. Esta música entrou rapidamente no ouvido das pessoas e tem até hoje sido interpretada de várias formas. Em 1964, Manuel Concha e o conjunto Os Conchas lançaram um disco que inseria esta música.

Em 1986 “Sebastião Come Tudo” deu o nome a um programa televisivo de culinária infantil, criado e apresentado por Manuel Luís Goucha, onde dialogava com um boneco, o Sebastião, que ia aprendendo a comer. Para além disso o tema musical utilizada era este mesmo, mas surge como sendo da autoria de José Jorge Letria para a letra e música de Tó Serqueira.

Vejamos então a letra modificada:

Sebastião come tudo tudo tudo tudo.
Sebastião come e sabe o que quer.
Sebastião não quer ser um barrigudo,
lava as mãos e come sempre com talher.
Sebastião come tudo tudo tudo tudo.
Mas não ficamos por aqui. As preocupações educativas com as crianças levaram a que a canção, agora definitivamente adaptada a um público infantil, fosse novamente modificada. Para não ferir o espírito das crianças, as mesmas que jogam com consolas com jogos que simulam mortes, surgiu, em 2011, uma nova versão num disco da Leopoldina (para mim uma imagem assustadora), interpretada por um grupo musical chamado Cool hipnoise.

Vejamos a versão soft:

Sebastião come tudo, tudo, tudo,
Sebastião come tudo sem colher,
Sebastião fica todo barrigudo,
E depois dá beijinhos na mulher.


Finalmente percebe-se porque devia ter colocado como título: «Sebastião Come Tudo!. A verdade reposta».

Nota: Fotografias do Café Chave d'Ouro cedidas pelo Arquivo Fotográfico da CML

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Reencontro com o Pirolito

Volto hoje ao tema do pirolito. O meu post anterior sobre este assunto foi o que desencadeou uma maior participação das pessoas, prova de que se trata de uma bebida que ficou no imaginário de quem a conheceu.

Não teria muito a acrescentar, depois dos múltiplos comentários que o foram completando, se não me tivesse deparado com um lote de partituras de música, duas das quais relativas ao pirolito.
A primeira, chamada «O Pirolito» é uma “one-step canção” com letra e música de Rui Marcelo e o autor incluiu-a sob o título geral «As danças e couplets da moda».
Trata-se de um partitura para piano de que passo a transcrever a inacreditável letra.

É de laranja, é de morango,
Sabe a ananás, sabe a limão,
O pirolito bem pobresito,
Q’era o champagne a meio tostão!

A garrafinha tem no gargalo
Uma bolinha
Que dá um estalo.

Algo gasoso,
Não espumoso
Espirra quando a rolha cai
E faz assim: pff... lá vai!

Ai pirolito que és tão bonito
Mas teu sabor não vai além d’água choca!
Era droguista cabeça oca
Quem t’ inventou e temperou tão à matroca.

Desde o bufete da filarmónica
Até às bancas dos arraiais,
P’lo tempo calmo, lá nas aldeias
Deste licor é que há mais.

Dantes havia, pai do filhinho,
A limonada do cavalinho,
Nada gasosa nem espumosa,
C’um canudinho aboiar
P’ró comprador (pff...) chupar.

Ai pirolito, etc.
A segunda partitura para piano e canto tem letra de Pedro Bandeira e Álvaro Leal e música de Raul Ferrão. Trata-se da canção «A Cantarinha», one step da revista «Pirolito», uma criação da actriz Filomena Lima.
Este tema fazia parte dos grandes sucessos do “Salão Foz”. Trata-se de uma referência ao pequeno cinema situado na parte lateral do Palácio Foz. Tinha sido inaugurado em 1907 e funcionou até 29 de Fevereiro de 1929, tendo sido destruído por um incêndio. Pertencia a Raul Lopes Freire, importador e distribuidor de filmes, que anteriormente já tinha tido um animatógrafo na Rua Nova do Almada, chamado "Salão Chiado", e que encerrou em meados de 1908.
A menção à revista «Pirolito» como se tratando de um sucesso do “Salão Foz” mostra que, para além de cinema, havia nesse local também outro tipo de representações.
Apesar de lhes apresentar as duas partituras juntas penso que não havia qualquer relação entre elas. O interessante é que se trata de duas expressões musicais sobre o mesmo tema, o pirolito, que servem para demonstrar a popularidade que esta bebida tinha na época.