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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Conferência: «Saleiros: funcionalidade e simbologia»

 A propósito dos saleiros da Casa Museu Anastácio Gonçalves (CMAG) vou falar na 5ª feira, dia 12 de Outubro, às 18,20 horas, sobre este objecto de mesa, presentemente ostracizado.
Saleiros Kangxi. Família verde. CMAG.
Numa época em que se diaboliza o sal é importante compreender como a sua presença na alimentação foi e continua a ser importante.
Saleiros Qianlong. Família rosa. CMAG
Este mineral único foi desde muito cedo considerado sagrado na história do Homem. Os povos estabeleceram uma ligação entre o sal e o divino, mas nenhuma religião sacralizou mais o sal do que a tradição judaico-cristã.
Saleiro duplo. Porcelana. Colecção AMP.
Foi assim que o saleiro se torna no objecto mais importante sobre a mesa, o primeiro a nela ser colocado, situando-se durante séculos junto ao lugar do anfitrião. Era o saleiro fixo, imponente, de grande valor simbólico.
Nos séculos que se seguiram foi-se democratizando e no século XIX foi de bom-tom o saleiro individual. Presença constante sobre a mesa no século XX, foi progressivamente sendo ignorado.
Saleiro de Francisco I. Benvenuto Cellini. Kunsthistorisches Museum. Viena de Austria
É esta evolução do saleiro que iremos apresentar, analisando os saleiros adquiridos por Anastácio Gonçalves, os principais saleiros mundiais (onde não podia faltar o mais belo: a saliera de Benvenuto Cellini, de 1543) e já agora alguns exemplares da minha pequena colecção.

Aos interessados no assunto lá os espero.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

A mesa dos banquetes dos Irmãos Grimm

Os irmãos Grimm (Jacob e Guilherme) nasceram respectivamente em 1785 e 1786 na pequena cidade de Hanau, na Alemanha.
Foram os responsáveis pela recolha de inúmeras histórias de fadas que se tornaram populares e entraram no imaginário das crianças de todo o mundo. Compilaram contos tradicionais tornando famosas histórias como A Bela Adormecida, A Branca de Neve, o Capuchinho Vermelho, a Cinderela, O Pequeno Polegar e muitos outros.
1ª edição. Imagem tirada da internet.
Passaram a maior parte da sua vida em Kassel, trabalhando como linguistas e recolhendo as histórias maravilhosas que foram publicando. É por essa razão que existe um Museu em Kassel dedicado às suas obras, onde a minha amiga Conceição Montez tirou esta fotografia da mesa que me levou a este poste.
Todos os países tiveram inúmeras edições das suas histórias e mostro-lhes aqui um livro meu da Folio, lindíssimo como são todas as suas edições.

Em Portugal foram também publicados vários livros em Português e sobre isso foi feito um livro: «Os irmãos Grimm em Portugal» com coordenação e pesquisa de Manuela Rego e Luís Sá e textos de Luísa Ducla Soares, Maria Teresa Cortez e Rita Taborda Duarte. Feito em formato digital é uma edição conjunta do Museu Grimm em Kassel, (onde se encontra a mesa referida) e da BNP.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Centro de Mesa Veyrat. Um bom filho à casa torna.

Centro de Mesa da baixela Veyrat- Foto Vasco Cunha Monteiro, Cabral Moncada Leilões
Para quem gosta da história da mesa a notícia não pode ser ignorada. A chegada ao Palácio Nacional da Ajuda do centro de mesa da baixela de prata Veyrat é como o regresso do filho pródigo a sua casa.
Agora novamente sobre a mesa da sala-de-jantar vem completar o conjunto de quase 300 peças da mesma proveniência, de que fazem parte várias peças de mesa, um faqueiro e um serviço de chá e café. Este conjunto, designado  “prata de casamento”, foi provavelmente oferta de Victor Emanuel II, rei de Itália, pai de D. Maria Pia, e terá sido trazido por esta para Portugal aquando do seu casamento com o rei D. Luís I, em 1862.
Sala de jantar do PNA (Foto AMP)
Se as restantes peças se mantiveram no Palácio, o centro-de-mesa, mais valioso, foi entregue ao Banco de Portugal em 1903, para pagamento de dívidas da rainha D. Maria Pia, e leiloado em 1912. Em mãos privadas até ao final de 2014, foi readquirido pelo Estado e pode agora ser visto sobre a mesa da sala de jantar.
Centro de mesa Veyrat (Foto AMP)
O centro de mesa, em prata, apresenta as Armas Reais de Portugal e Sabóia, e é formado por um conjunto de 5 meninos (“Putti”) que seguram grinaldas de flores, de onde se suspendem três cestos encanastrados,  onde eram colocadas taças de vidro. O conjunto assenta sobre um plateau recortado.  
A baixela, de que o serviço faz parte foi feita por Augustin Pierre Adolphe Veyrat, com loja localizada na Rue de Malte, 20 , em  Paris. Era filho de um outro ourives francês Jean Francois Veyrat, a quem se seguiu no negócio em 1840, altura em que registou a sua marca. Em 1849 a firma tomou a designação Veyrat Fils.  

Fotografia antiga de  Henrique Nunes
Este tipo de centro de mesa tem a designação de “épergne”, uma palavra sem tradução para português. A palavra usada em inglês “epergne” significa «economia» e teve anteriormente a forma mais inglesa de «aparn». É uma corruptela do francês “épargne”, uma alteração que terá surgido em meados do séc. XVIII. Na 4ª edição do Dictionnaire de L’Academie,  de 1762, diz-se que esta era a forma antiga para «Tesouro Real», onde se colocava a prata do rei. 
Épergne feito por Thomas Pitts, V &A Museum, séc. XVIII
Passou depois a designar uma peça ornamental que servia de centro de mesa da sala-de-jantar constituída por vários cestos ou taças, geralmente destacáveis (é o caso dos dois cestos laterais do centro Veyrat) e que serviam para colocar flores, frutos, bonbons ou  doces. Eram geralmente feitos em prata, bronze ou outro metal e apresentavam um número varíavel de taças em vidro. Estes conjuntos podiam ser ornamentados por figuras (casos dos putti na baixela Veyrat).
Para não me alongar sobre o centro de mesa chamo apenas à atenção para o pormenor interessante do menino sentado num balouço florido, debaixo do cesto central, peça que podia ser trocada por um globo de cristal com tampa perfurada em prata, onde se podia colocar um pequeno peixinho.
Pormenor do aquário do centro de mesa Veyrat (Foto AMP)
A evolução dos centros de mesa é um assunto muito interessante, muito do meu gosto, mas que não pode ser desenvolvida num blogue. Para quem quiser saber mais pode ir ouvir a Drª Cristina Correia Neiva no dia 21 de Março, às 11,30, no Palácio da Ajuda.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

A mesa natalícia da Casa Museu Dr. Anastácio Gonçalves

Através do vitral Art Nouveau, de origem francesa, que domina toda a sala de jantar coa-se uma luz difusa que transmite à sala de jantar um ambiente intimista.
Ao olharmos, imaginamos os jantares que ali tiveram lugar com os seus anteriores proprietários, José Malhoa primeiro e depois o médico Anastácio Gonçalves, em que se terá discutido inevitavelmente Arte.

É nesta sala da casa, transformada em Museu, que melhor se respira o ambiente doméstico. Não seria a bela baixela de porcelana chinesa do século XVIII que adornaria a mesa no dia-a-dia, mas podemos imaginar que no Natal tal pudesse acontecer.
A mesa natalícia, recriada ao gosto do nosso século, cumpre duas funções: remete-nos para um ambiente familiar e comemora a época em que vivemos. Analisar os objectos museológicos fora do conceito formal transforma-se numa abordagem mais envolvente para o visitante. Aquela decoração de Natal é-lhe destinada e só lhe resta imaginar como seria partilhar a mesa com tão ilustres figuras.