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domingo, 10 de julho de 2016
O chocolate em Hampton Court
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
Objecto Mistério Nº 43. Resposta: Fonte de vinho
Talvez que a designação de
«Fonte de vinho» não seja a mais apropriada por se prestar a confusões. Pareceu-me
contudo mais adequada do que «Fonte para vinho» para traduzir a expressão «Wine
fountain».
Na realidade trata-se de uma
fonte com água no seu interior, destinada à lavagem dos copos durante uma
refeição de cerimónia ou banquete, no século XVIII.
Nessa época os copos nunca
eram colocados sobre a mesa e era o criado ou copeiro que levava o copo com
vinho, sobre uma salva, quando o conviva fazia sinal. Este, depois de beber o
vinho simples ou com água, devolvia o copo ao criado. Como o número de copos
era inferior ao número de convidados, e cada copo servia para várias pessoas,
estes eram passados por água, para serem utilizados por outra pessoa.
Estas fontes são
extremamente raras e o exemplar apresentado pertence ao Museu Victoria &
Albert. É em prata e foi executada por Pierre Platel em 1713. Esta peça tem de
altura 64 cm e pesa 12,8 Kg.
Platel foi um dos mais
famosos ourives da sua época em Inglaterra. Foi o mestre do mais considerado
ourives do século XVIII, Paul de Lamerie, francês huguenote que, tal como o seu mestre saíram de França para trabalhar em Inglaterra.
Esta fontes podiam fazer
parte de um «serviço para servir vinho» constituído por um refrescador de
grandes dimensões, em prata, colocado no chão, onde se introduziam as garrafas
no gelo. Estes refrescadores faziam-se acompanhar por uma fonte do tipo da
apresentada, que ficava colocada numa copeira e a que se associava uma cisterna
semelhante ao refrescador mas de menores dimensões, destinada a receber a água
de enxaguar os copos.
Apresenta-se um exemplo
desse tipo de serviço para servir vinho da autoria de Anthony Nelme, datado de 1719-20.
Foi feito para Thomas Parker, 1º conde de Macclesfield, Lord Chanceler de Inglaterra
e apresenta as suas armas gravadas na prata.
Este tipo de fontes de vinho são
diferentes das utilizadas como lavabos, para lavagem das mãos antes das
refeições, embora o princípio seja o mesmo: um reservatório com torneira e uma
taça para recolha da água. Igualmente do século XVIII são estas fontes em
porcelana da China que fazem parte do espólio da Casa Museu Anastácio Gonçalves,
que se apresentam como exemplos destes últimos.
![]() |
China,
Dinastia Qing,
Período Kangxi, CMAG, invº 132-133
|
![]() |
China,
Dinastia Qing,
Período Kangxi, CMAG, invº
182-183
|
Estes reservatórios
de água são completamente diferentes, em forma e função, das «urnas para chá»,
bem como dos «samovares», utilizados para manter a água quente e de que
falaremos noutra oportunidade.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
O chocolate. A sua introdução na Europa

No século XVIII as chamadas ”bebidas exóticas” incluíam o café, o chá e o chocolate.
Destas, a que mais precocemente foi introduzida na Europa, foi o chocolate. Era bebida pelos índios Maias do México e mais tarde pelos Aztecas, sendo utilizada como remédio para a tosse e a febre, mas era sobretudo uma bebida usada nos rituais religiosos. Era designada pelos aztecas como “xocoatl”, designação que viria a dar a palavra “chocolate”, usada em toda a Europa.
Fig-1 Chocolateira com orifício na tampa para o molinete
Foi trazida pelos soldados espanhóis para a corte espanhola, juntamente com outros produtos, então desconhecidos, e de que falaremos posteriormente. Inicialmente e tal como era bebida pelos “índios” não se tratava de uma bebida doce. Resultava do esmagamento dos frutos secos e a este pó se adicionava água e várias especiarias como a pimenta, a baunilha e outras.
Logo no século XVI os espanhóis adoptaram esta bebida mas de forma a ter uma maior aceitação juntaram-lhe açúcar. A sua confecção foi guardada como segredo, pelo que em França apenas no século XVII começaria a ser usada. Devido ao seu elevado preço e à sua associação com o açúcar, outro produto de luxo, o seu consumo ficava restrito às elites. Mas seria no século XVIII que esta bebida, tal como o chá e o café, teriam uma maior divulgação, entrando na moda nas cortes europeias. Portugal não escapou a esta moda, sendo consideradas um luxo e um requinte, eram servidas regularmente na corte e também nos banquetes e recepções aos embaixadores estrangeiros e visitas de cerimónia.
Tanto a árvore que produzia esta semente, como o seu género, foram designadas pelo cientista sueco Carl von Linnaeus, em 1735, “Theobroma cacao”, que significa à letra «cacau, o alimento dos deuses», o que nos permite compreender o valor que lhe era atribuído.
Mas nenhum pais superou a Espanha na apreciação desta bebida. A sua divulgação no século XVII foi tão grande que se discutia mesmo se ao ingerir esta bebida se estava a interromper o período de abstinência religiosa da Quaresma, como se comprova pela publicação, em 1636, do livro «Question Moral si el chocolate quebranta el ayuno Eclesiastico». Ainda hoje podemos constatar como continua a ser apreciada pelos “nuestros hermanos” ao tomarmos o pequeno-almoço em qualquer estabelecimento de restauração, desde o simples café de bairro até ao melhor hotel. O chocolate em chávena, bem espesso, acompanhado de churros, está sempre presente.
Tal como aconteceu com o açúcar, também ao chocolate foram atribuídas capacidades terapêuticas sendo tomado como remédio. Em 1806 vamos encontrar referência aos chocolates medicinais nos «Elementos de Pharmacia,» publicado em Portugal. Considerado como estimulante e afrodisíaco, eram-lhe atribuídas outras características como facilitadora da digestão e antitússico. Esta última característica devia-se a um dos seus constituintes a “teobromina”.
Fig 2 .Um dos mais apreciados chocolates espanhóis em barraApenas em meados do século XIX o chocolate encontraria a forma sólida, com que hoje mais frequentemente se nos apresenta. Durante mais de 2.000 anos o chocolate foi uma bebida apenas, mas uma bebida considerada “alimento dos deuses”. Para a confeccionar, para a beber e servir, foram criados objectos específicos sobre os quais falaremos proximamente.
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