Mostrar mensagens com a etiqueta Utensílios para cozinhar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Utensílios para cozinhar. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Museu Virtual: tacho duplo


Nome do Objecto: Tacho duplo 

Descrição: Utensílio de cozinha de base circular, cilíndrico, baixo e com tampa. Encontra-se dividido em dois corpos que se podem juntar possuindo cada uma das metades duas asas e tampa própria.


Material: Alumínio anodizado* e baquelite.

Época: Década de 1950- 1960
Marcas: Lateralmente encontra-se a imagem de um castelo e a designação da marca «Castelo»

Origem: Oferta de Maria Cecília Alçada Rosa (Covilhã).

Grupo a que pertence: Equipamento culinário.

Função Geral: Cozinhar alimentos.

Função Específica: Cozer legumes
Nº inventário: 3529

Objectos semelhantes: Não registados.

Observações: Existem também tachos tripartidos com a mesma função deste. Destinam-se a cozer alimentos com diferentes tempos de cozedura de forma independente mas destinados à mesma refeição. Apresentam também a vantagem de não misturar sabores.

* Não estou certa que o material com que se encontra feito o tacho esteja bem identificado. Agradeço a correcção a quem souber.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

As chaleiras Alessi



 A chaleira, para aquecer a água para o chá, é um objecto indispensável no meu quotidiano. Procuro formas que tenham beleza, mas simples. Nunca comprei uma de design e se o fizesse não teria coragem de a usar.
Habitualmente apenas mostro imagens dos objectos que fazem parte da minha colecção. Hoje infelizmente tive que ir buscar à internet imagens de duas chaleiras icónicas produzidas pela Alessi e que nunca cheguei a comprar devido ao seu preço elevado

A primeira, produzida em 1985, é da autoria de Michael Graves e chama-se «Bird Whistle», apito de pássaro, nome que se deve à presença de uma ave no apito, em plástico colorido, que fazia sentido ao lembrar o seu som, quando a água ferve.
Para festejar os 30 anos de existência, Graves redesenhou o apito, em 2005, e transformou o pássaro num reptil pré-histórico. Este modelo foi designado «Tea Rex» e os dois apitos passaram a ser vendidos em separado. Para o comprador poder escolher.
Mas em matéria de chaleiras de design a Alessi não ficou por aqui e em 1992 o arquitecto Frank Gehry desenhou a «Pito water kettle» feita em madeira e aço. Tanto a pega superior como a asa tem o feitio de peixes. Também esta chaleira tem dois apitos melódicos, a lembrar o som das baleias, que podem ser substituídos de acordo com a disposição do seu possuidor.
 Quando vejo estas chaleiras Alessi lembro-me sempre da minha amiga Natacha que tinha uma «Bird whistle» há muitos anos atrás. Quando ia lá a casa olhava sempre para a chaleira com prazer. Um dia deparo-me com a imagem horrível do bico e a asa derretidos. Distraída, como sempre, tinha deixado a chaleira ao lume por tempo indefinido. A água evaporou e o metal aqueceu até derreter o plástico. É por isso que se algum dia perder a cabeça e comprar uma, só a irei usar para ouvir o apito e depois guardo-a religiosamente.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Os Cacos de Hóstia

Há muitos anos atrás visitei um ferro-velho à entrada de Évora, de que algumas pessoas dessa cidade ainda se lembrarão. Situava-se junto a um dos arcos de entrada e infelizmente esqueci o seu nome. A loja encontrava-se cheia dos artigos mais diversos e curiosos. Na altura chamou-me à atenção uma máquina com duas pás, em ferro, para fazer hóstias. Infelizmente não o comprei, mas achei-o suficientemente interessante para tirar uma fotografia ao proprietário com o aparelho ma mão. Não consigo encontrar a fotografia, que seria adequada para apresentar agora, e na vez seguinte que voltei a Évora a loja já tinha fechado.
Imagem tirada da internet
Esta memória foi-me suscitada pela oferta que a minha amiga Conceição me fez de Cacos d’hóstia. Trata-se de restos partidos das placas de hóstia feitas no Instituto Monsenhor Airosa (IMA), em Braga. É nesta instituição social, fundada em 1869 pelo padre que lhe viria a dar o nome e transferida em 1879 para o extinto Convento da Conceição, que são feitas estas hóstias. 
A venda destes fragmentos, que só começou a ser feita em 2016, reverte a favor da instituição. Antes os restos eram oferecidos, talvez por se achar que um produto destinado à Eucaristia não devia ter um fim comercial. Mas as hóstias só depois de consagradas na missa se tornam sagradas, assumindo o sentido do corpo de Cristo. Antes são, segundo o conceito católico, placas de obreia.
Fabrico de hóstias em Ponte Nova no Brasil
Quando eu era pequena frequentei na Covilhã a chamada escola da Maria Gabriela. Era uma escola privada que tinha uma pequena capela. Um dia um dos alunos comeu todas as hóstias destinadas à missa do dia seguinte. Grande escândalo!. A dúvida era se este acto representava pecado ou não. A conclusão foi de que fora um furto por gulodice, não sendo um acto pecaminoso pelas razões anteriormente referidas.
Partículas de hóstias com Lemon curd
Acresce-se outro aspecto importante. Desde 1999 que na Oficina das Hóstias da IMA são fabricadas hóstias feitas com farinha de trigo sem glúten. Este aspecto permite o seu consumo por crentes com doença celíaca e facilita a sua exportação para vários locais do país e para o estrangeiro.
Agora só falta provar os cacos d’hóstia ou os pedaços de placas de obreia que durante séculos foram a base para tantos doces, em especial os de ovos.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Museu Virtual: Forma para pudim

Nome do Objecto: Forma para doces.
Descrição: Forma troco-cónica de base redonda, furada, isto é, com chaminé central e com gomos a toda a volta, em dois níveis.
Material: Cobre revestida interiormente a estanho.
Época: Final do século XIX.
Marcas: Não tem. Apresenta dois números: 12 (referente ao modelo?) e 17 que corresponde ao diâmetro (17 cm).
Origem: Oferecida por Bernardo Trindade (pertenceu à bisavó).
Grupo a que pertence: equipamento culinário.
Função Geral: equipamento para cozinhar e moldar os alimentos.
Função Específica: Forma de pudim ou de gelatina.
Nº inventário: 2293
Objectos semelhantes: Vários não classificados.
Catálogo do início do séc. XX da Manufacture Française d'Armes & Cycles.
Observações: Tipo de forma muito usada no século XIX para a confecção de pudins, bolos e geleias. Estas últimas estiveram em moda no século XIX sendo preferidos estes moldes altos que permitiam uma apresentação mais vistosa. Apresentam-se em formas variadas mas algumas têm modelos específicos como por exemplo nas grandes a forma para Savarin ou nas pequenas as formas para madalenas ou queques. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O fascínio dos alumínios. Parte 1

 
Alumínios. Exposição no Museu Municipal de Penafiel
O título, apresentado no plural, foi escolhido para falar especificamente nos utensílios domésticos de alumínio. A descoberta deste metal, o elemento 13, é recente. Produzido pela primeira vez em Copenhaga por Hans Christian Oersted, em 1825, era um produto impuro que continha potássio. Dois anos depois um químico alemão, Friedrich Wöhler, aperfeiçoou o método substituindo o sódio pelo potássio.
Escória de Alumínio. Museu Municipal de Penafiel
Este metal teve um período de grande admiração chegando uma barra de alumínio a estar exposta na exposição de Paris de 1855. Napoleão chegou mesmo a dizer que os talheres de alumínio eram reservados para os convidados de maior cerimónia. Em 1886 Charles Martin Hall conseguiu desenvolver o primeiro processo de extração do alumínio e iniciou-se a sua divulgação. No início do século XX o alumínio já tinha suplantado o cobre graças às suas propriedades. As suas virtudes são imensas: é leve, maleável, forte, resistente à corrosão, apresenta grande condutividade ao calor e à electricidade e pode ser totalmente reciclado.
Mesa com alumínios. Museu Municipal de Penafiel
Talvez por isso mesmo tenha sido o metal escolhido para ficar na lua a primeira obra de arte humana: uma estatueta de um astronauta deixado pela Apolo 15, em 1971.
Mas este metal, o terceiro em abundância na natureza, tem também um lado negro. Na sua forma solúvel (+3) é tóxico para as plantas. Não entra na constituição do corpo humano e, embora possa estar presente em alguns alimentos em pequenas quantidades, é prejudicial em maiores quantidades, como pode acontecer com o consumo de alguns aditivos alimentares ou no uso de alguns desodorizantes que são colocados sobre a pele. Ultimamente tem surgido estudos que implicam o alumínio como um factor de risco para a doença de Alzheimer, mas isso nunca foi provado.
Que seria de nós sem as ligas de alumínio indispensáveis ao fabrico de aviões e em tantos metais condutores.
Medidas de alumínio. Colecção da autora.
Contudo o alumínio deixou de ser usado nos utensílios de cozinha. De metal fascinante e moderno passou a maldito. Passou de moda. Vieram novos metais para usarmos nos talheres e na baixela de cozinha e o alumínio foi sendo esquecido. Nalguns dos tachos que usamos hoje nas nossas cozinhas ele está lá escondido na base no meio de outros metais, usado pela sua extraordinária capacidade condutora de calor que nenhum outro metal possui. Isto eu aprendi ao falar com o sr. Firmino, dono da última fábrica de alumínios de Penafiel. 
Consola com caixas para especiarias. Colecção da autora.
Este entusiasmo veio-me da visita à Exposição de alumínios que esteve presente no Museu de Penafiel e que infelizmente já acabou. Sobre isto eu falarei no próximo poste.
Devo contudo dizer que todo este meu interesse não existiria sem o fascínio que a cozinha da minha vizinha, na Covilhã, exerceu sobre mim. Quando era criança vivia ao ao lado da nossa casa o chefe dos Bombeiros, o sr. Garcia que, quando havia fogo, os Bombeiros vinham buscar num carro de incêndios. Ele descia as escadas a coxear, herança de um antigo acidente, e dirigia-se rapidamente para o carro que o aguardava já fardado com um fato escuro, um cinto de cabedal largo que lhe pronunciava o abdomen e um chapéu de bombeiro em metal dourado. Antes tocava a sirene e todas as pessoas ficavam em silêncio. Se tocava interruptamente o fogo era na cidade, se a sirene interrompia o som era nos arredores. As pessoas ouviam e diziam: “é fora”, quando era o caso e ficavam mais aliviadas.
Caixas para detergentes de louça. Ao centro a areia. Colecção da autora.
Visitei algumas vezes a cozinha desses meus vizinhos, pessoas de idade, de ar respeitável e ambos um pouco obesos para a época, fazendo sugerir que a alimentação era importante naquela casa. Das comidas nada sei mas o que ficou para sempre na minha memória foram as travessas de madeira em que se penduravam as panelas, onde estas se alinhavam em medidas crescentes e com um brilho inacreditável. Nunca mais na minha vida vi alumínios tão bem areados, palavra que espelha a forma inicialmente usada (com areia) para os tornar resplandecentes. O seu brilho era outra das características que os tornavam atraentes e nunca mais existiu baixela de cozinha tão bela. 

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Museu Virtual: Escamador de peixe

Nome do Objecto: Escamador de peixe

Descrição: Objecto de forma oblonga com a forma de um corpo de peixe de cuja cauda sai uma pega. Dentado na parte inferior.

Material: Liga metálica com alumínio.

Época: Primeira metade do século XX.

Marcas: Não tem.

Origem: adquirido no mercado português.
Grupo a que pertence: equipamento culinário.

Função Geral: preparar alimentos.

Função Específica: retirar as escamas do peixe.

Nº inventário: 2082.

Objectos semelhantes: Não classificados.
Escamador de peixe, Mathias Alten, 1908
Observações: Desde os tempos pré-históricos, em que eram utilizados pedaços de xisto afiados com esta função, de acordo com achados arqueológicos, a forma dos escamadores de peixe tem variado grandemente. De uma forma geral hoje são mais usadas as facas para esse fim, embora entre os utensílios de cozinha se encontrem muitas outras variantes. Um dos exemplos desta colecção serviu já anteriormente para objecto mistério. Ver: Objecto mistério Nº 34. 

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Museu virtual: Prato Pyrex modelo flocos de neve

Nome do Objecto: Prato de ir ao forno

Descrição: Prato oval com asas de cor azul turquesa com desenhos de flocos de neve. Tampa em vidro transparente.
Material: Vidro pyrex.
Época: 1960
Marcas: PYREX®
Origem: adquirido numa loja de utilidades domésticas (Casa Leão) na década de 1960 na Covilhã.

Grupo a que pertence: Equipamento culinário.

Função Geral: Cozinhar alimentos.
Função Específica: A parte inferior destinava-se a cozinhar os alimentos no forno e era utilizada também para o serviço de mesa. A parte superior, para além da função de tampa, funcionava igualmente como base do pyrex, protegendo a mesa. Tinha também utilização individual como travessa, no forno e mesa.
Nº inventário: 1850
Objectos semelhantes: Ainda não classificados.
Observações: Esta linha foi lançada em 1956, antes do Natal de 1956 e designada “flocos de neve”. Este desenho, impresso com uma nova técnica, foi o primeiro da linha opalina e foi produzido nas cores azul turquesa, rosa, preto e em fundo branco com desenhos em azul. Em todos eles a tampa mantinha as características translúcidas dos primeiros objectos Pyrex. O padrão azul turquesa continuou a ser feito até 1967.

Notas: A marca Pyrex®,  um vidro resistente às mudanças bruscas de temperatura, começou a ser produzida pela firma americana Corning Corporation em 1915, tendo sido registada em Portugal em 1919.
Ver também «O Pyrex no serviço de mesa».

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Tigelada da Beira Baixa

A tigelada das Beiras é servida no caçoilo
É considerada um doce regional em vários locais das Beiras. Antigamente estava associada à Páscoa, mas marcava presença nas mesas durante todo o ano nos casamentos e nos momentos de festas.
Caçoilo para tigelada

O que caracteriza a verdadeira tigelada é uma mistura de ovos batidos, a que se adicionam os aromas da canela e da raspa do limão, açúcar (antigamente amarelo), um pouco de farinha e por fim o leite (antigamente de cabra). Mas não só; devia ser cozido em forno não muito quente e a mistura introduzida num tacho de barro quente que na Beira Baixa se chama «caçoilo», aquecido previamente no forno.
Pequenas formas de barro vidrado, antigas, para tigeladas de Abrantes

É também a dimensão do recipiente onde coze que a distingue da tigelada de Abrantes e mostro dois recipientes distintos para exemplificar as diferenças.

É visível a diferença entre as duas formas de tigeladas
No final temos um doce alourado na superfície, de consistência semelhante à de um pudim, que permite ser cortado em fatias ou servido às colheradas.  

Um bom final de refeição que pode ser adaptado ao presente com o uso de um Pyrex, para quem não tem caçoilo e, claro, utilizando leite de vaca. 

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Outras Batedeiras

Regresso ao poste anterior para falar de batedeiras de ovos e bolos.
Os modelos são tão variados que podemos voltar a este tema vezes sem fim.
Hoje apresento dois modelos retirados de um relatório apresentado por José Pombinho Júnior sobre doçaria em Portel, que foi feito para a Exposição Histórica do Mundo Português, em 1940.
Para além das receitas de doces e panificação regionais nesse relatório eram registados os utensílios utilizados. Saliento os destinados a bater as massas para os bolos que são: o molho de varinhas de marmeleiro atadas e um batedor de madeira que consta de uma vara central, que se rodava entre as mãos, e que tem na extremidade 4 meias luas perfuradas.
Este último ainda me lembro de ser usado em minha casa na infância. 
Bibliografia:
Doçaria e Panificação Regional, Resposta de J.A. Pombinho Júnior, Portel, Câmara Municipal, 2007.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Um assador de castanhas invulgar

 À primeira vista podem pensar: «O que tem de especial um assador de castanhas?». É uma peça que todos os portugueses conhecem e que, até há algum tempo atrás, víamos com facilidade.

O que distingue este assador dos habituais, mais modernos, é que não tem duas asas, mas apenas uma pega superior. Destinava-se a ser usado nas lareiras, sobre as brasas suspenso por uma cadeia de ferro.

Eu nunca tinha visto nenhum e o meu amigo Ramiro que teve a amabilidade de me o oferecer também não, pelo que presumo que deve ser raro.
Tenho um pressentimento, sem qualquer fundamento, de que os transmontanos os devem conhecer melhor. Talvez algum deles tenha alguma coisa a acrescentar. Fico à espera de opiniões ou de recordações.