Vale apena deslocarem-se à Rua
Barata Salgueiro, em Lisboa, para ver a exposição de cartazes de Raul de Caldevilla
(1877 -1951).
Em 1914, Caldevilla fundou no
Porto a ETP, Empreza Técnica de Publicidade, que se pode considerar a primeira
agência publicitária nacional e que mais tarde se transformaria na Empresa do
Bolhão.
Caldevilla teve também um
papel importante na área do cinema português publicitário e não só. Dentro da
temática deste blogue não posso deixar de falar no filme Chá nas nuvens, feito em 1917, como publicidade às Bolachas Invicta.
O chá, devidamente acompanhado pelas bolachinhas, foi tomado no alto da torre dos
Clérigos.
Para tornar mais espectacular
este acontecimento filmado o acesso ao local foi feito por escalada realizada
por dois espanhóis, contractados para o efeito. Cá em baixo a acompanhar todo
esta aventura estavam mais de 100.000 pessoas, sobre as quais foram lançados
pequenos papéis que semelhavam as bolachas.
Uma campanha publicitária espantosa
para a época e que associava já o interesse de Caldevilla na publicidade com o
seu gosto pelo cinema.
É também por isso que na
exposição se associam os cartazes de cinema, da colecção da Cinemateca Nacional
com os muitos outros comerciais, em grande maioria de colecções privadas.
São esses cartazes que podem
agora visitar até ao final desta semana, uma vez que a exposição foi prolongada.
Nota: ilustração com cartazes patentes na exposição.
Nota: ilustração com cartazes patentes na exposição.





















A fábrica foi fundada em 1893 por Francisco Roque Gomes da Silva. Desde o início que a fábrica e loja têm permanecido no mesmo local, na Travessa do Forno. Começou por produzir bolachas e biscoitos, em que se torna evidente a influência inglesa, tanto no que respeita às receitas como ao logótipo das latas de 5 Kg onde estas eram acondicionadas. Podemos ver as latas antigas, em folha de Flandres forradas a papel, ao lado de latas da Huntley & Palmers, fábrica inglesa fundada em 1822 e que se tornou na maior fábrica de biscoitos do mundo e perceber a sua influência. Do mesmo modo as bolachas de gengibre remetem-nos imediatamente para Inglaterra.
Em 1948, a fábrica, parcialmente visível por detrás do balcão, foi remodelada e adaptada à electricidade. A modernização poupou contudo a principal máquina, uma moldadora de bolachas, que data de 1900 e que foi apenas adaptada à nova força motriz.
Com a morte do fundador a fábrica passou para seu filho Américo Ciríaco Silva e deste para António Manuel Carregal Côrrea da Silva. Permanece ainda na posse da família, sendo sua actual proprietária Christiane Bettencourt Sardinha. É a esta sucessão familiar que se atribui a persistência desta fábrica, uma das mais antigas fábricas de bolachas do país.