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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Ementas filatélicas

 


Esta classificação para as ementas apenas me surgiu hoje e vão perceber a razão. Tenho as ementas classificadas por temas: oficiais, comemorativas, companhias aéreas, navios, vazias, casamentos, aniversários, etc.  e a temática, de que falo hoje, nunca me tinha surgido.


Ao organizar os gigantescos dossiers de uma colecção de uma figura pública, que adquiri há vários anos e a que nunca tinha dado a devida atenção, deparei-me com estes exemplares que não posso deixar de mostrar.


Decidi dar-lhes esta designação porque faz todo o sentido. Haverá mais outros exemplares, mas seguramente que serão raras. São curiosas e elucidativas e datam de uma época em que um lançamento de uma nova série de selos justificava um banquete. Hoje em dia, com cada vez menos coleccionadores de selos e cada vez mais edições, seria impensável.

Não há nada a fazer. Este meu gosto pelas classificações ficou-me do tempo de exercício da Medicina, e considerei-as sempre muito úteis. Parece-me que tenho razão.

domingo, 21 de agosto de 2022

Rótulos de vinho

 


Escolhi este rótulo pela sua beleza simples, muito Estado Novo e muito minhoto.

O “Casal da Seara” que ainda hoje se vende, mas seguramente de outro produtor, era um vinho verde da freguesia de Louro (região demarcada), que pertence ao Município de Famalicão, distrito de Braga.

No início do séc. XVII (1607) o lugar de Casal da Seara aparecia já como uma propriedade foreira que fornecia vinho verde para abastecer a casa monástica do mosteiro de Santo Tirso.

No rótulo salienta-se o xaile minhoto franjado, encarnado, com flores amarelas e verdes e uma vinheta, que se repete no rótulo do gargalo com a palavra “Vencer” à volta de uma cruz. Não consegui informações sobre a data mas deve ser da década de 1940-50.

Não o provei, pelo que não posso dizer nada sobre o seu sabor, mas presumo que na época devia ser um vinho “Destalo”, como o aqui apresentado, neste rótulo da Companhia Velha.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Exposição de Garrafas de Licores no Museu do Vidro

As garrafas de licor são diferentes de todas as outras. As de vinho ou de champanhe são sóbrias e obedecem a formas standard.
As garrafas de licor, em especial na primeira metade do século XX, tomaram formas antropomórficas ou geométricas para competirem com o uso dos licoreiros. Desde o século XIX que a moda ditava que o consumo dos licores se devia fazer após as refeições, isto é, no período do café. Era um momento de descontracção dedicado à conversa e em que a dona de casa tinha a oportunidade de mostrar os seus belos licoreiros ou até, como em França, as grandes caves à liquer.
Os comerciantes não se deram por achados e começaram a desenhar garrafas atraentes, que tiveram o seu apogeu nas garrafas figurativas.
São algumas dessas garrafas da minha colecção (que conta já com mais de 600 exemplares) que vão estar expostas no Museu do Vidro da Marinha Grande, até Abril.

A inauguração é no próximo sábado, dia 18 de Novembro às 16 horas e seria um prazer contar com a vossa presença.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

As "pratinhas" e o fim do Pai Natal

  Hoje olhei para o Pai Natal de chocolate e pensei que não podia guardá-lo para o ano que vem, juntamente com as coisas desta época. Lembrei-me então das pratinhas que guardávamos em pequeninos quando comíamos chocolates.
 Como já disse anteriormente os bombons de chocolate só eram comidos em dias de festas. Desembrulhávamo-los com cuidado para não rasgar a prata e alisávamo-la com as unhas. Depois metiam-se dentro dos livros para ficarem mais direitinhas. É claro que esta era uma actividade mais feminina, mas as pessoas da minha geração lembram-se bem disto.
Talvez por isso as pratas eram mais bonitas e variadas. Hoje uma caixa de chocolates tem as pratas todas iguais e já ninguém se lembra de as guardar.
 Resolvi abrir o Pai Natal por baixo, dei uma pancadas ligeiras no corpo para não rasgar a prata e, após esta cirurgia, fiquei com Pai Natal de chocolate para um lado e a prata para outro. Alisei-a com as unhas e vai fazer companhia a outras pratinhas de uma colecção que há algum tempo entrou cá em casa.

Para o ano há mais Pai Natal de chocolate.


terça-feira, 14 de agosto de 2012

A bailarina da Bols

Uma das mais antigas destilarias comerciais documentadas foi a holandesa Bols fundada em 1575 e que ainda hoje existe.
Foi Lucas Bols, nascido em 1625 que expandiu o negócio dos licores e destilados, utilizando ervas e especiarias trazidas pela Companhia da Índias Orientais Holandesa, no seu período de apogeu. Quando morreu, Lucas deixou mais de 250 receitas de bebidas escritas aos seus descendentes, de entre as quais os apreciados licores.
A famosa garrafa Bailarina, foi produzida desde 1957 até ao final da década de 1970. De gosto kitch, transformou-se hoje num objecto de culto, ambicionada por coleccionadores. Apresentava-se em diferentes variedades como o Brandy Apricot, o Licor de Ouro, o Triple Sec, ou o Creme de Menta. O vestido da bailarina podia ser em branco ou em vermelho.

Mas o que verdadeiramente impressiona na garrafa não é propriamente a inclusão da bailarina, mas o facto de ser uma caixa de música, com o mecanismo incluído na base. Dá-se corda e a bailarina dança. Quanto à música escolhida para o bailado varia entre a «Valsa dos Patinadores» ou o «Danúbio Azul».
O seu sucesso foi tal que chegaram a ser produzidas mais de 60.000 garrafas por ano durante os anos 70. Hoje o seu sucesso continua. Se procurarem no youtube podem encontrar vários videos com a imagem da bailarina dançante imersa no licor, de onde retirei este exemplo, para preencherem o tédio das férias.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Coleccionismo de Rótulos de Queijo

 É sabido que há coleccionadores de tudo. Eu por exemplo guardo tudo o que tem a ver com alimentação, que é um campo sem fim.
As razões porque cada um o faz são no entanto distintas. No meu caso tenho uma necessidade de conservar sobretudo os exemplares mais frágeis, aqueles que têm mais probabilidades de desaparecer. Muitas vezes sinto como que uma responsabilidade como se mais ninguém no Mundo o fosse fazer.
 Na realidade há milhares de pessoas a fazê-lo e as razões mais profundas serão outras.
Tudo isto tem a ver com uma colecção que me chegou às mãos. O material coleccionado é diverso, mas vou centrar-me apenas nos rótulos de queijo que me impressionaram.
A principal razão tem a ver com a forma como estão expostos. Colados em folhas foram colocados em arquivos transparentes e arquivados em pastas.

São sobretudo rótulos dos anos 80, sem ordem de nacionalidade, local de origem ou ano. O que ressalta na sua disposição é uma preocupação estética.
Os rótulos estão dispostos por cores do que resultam umas rosetas de grande beleza, semelhantes a imagens caleidoscópicas.
Este critério estético vale mais do que a minha desorganização e considero-o comovente.
Para apreciar nestes dias de Verão, sem necessidade de raciocínios.

sábado, 18 de junho de 2011

Objecto Mistério Nº 25. Resposta: Descansos para Talheres

Acertaram rapidamente como eu já esperava.

Na realidade são “descansos de talheres”, ou mais precisamente descansos para facas, uma vez que era a estas, sobretudo, que se destinavam.
Tinham por fim ser utilizados entre os pratos para colocar os talheres já utilizados, que iam ser novamente usados num outro prato. Evitava-se assim usar novos talheres lavados e, sobretudo, poupava-se a toalha de receber nódoas de gordura.
Embora se considere que os mais antigos descansos datam do final do século XVIII, estes são muito raros. Alguns terão sido em madeira e na grande maioria destinavam-se a colocar as facas de trinchar.
Foi contudo no século XIX que se deu a sua divulgação e esta moda manteve-se ainda durante a primeira metade do século XX.
Na segunda metade do século XIX foram introduzidos um grande número de talheres com diferentes funções. Muitos deles já não se utilizam presentemente, outros apenas aparecem em jantares requintados. O talher de peixe, de que hoje as pessoas já se começam a “esquecer”, por vezes mesmo em restaurantes com pretensões, incluem-se nesse grupo.
Mas nas casas burguesas em que se comia mais do que um prato, eles demoraram a ser introduzidos. Penso que em Portugal em muitas casas só começaram a ser usados nos anos 40-50 do século XX.
Os descansos de talheres não foram muito utilizados em Portugal, ao contrário, do que aconteceu em França, onde se divulgaram mais e se mantiveram até mais tarde.
A moda, no século XIX, era colocá-los sobre a mesa, em frente ao prato, e só depois de utilizada a faca, enquanto se mudavam os pratos, se colocavam ao lado do prato com a lâmina sobre estes, até à chegada do novo prato. 
O que têm de mais raro os exemplares apresentados é serem em vidro.
Se em França, os descansos em vidro mais considerados foram produzidos por René Lalique, em Portugal encontramos-los feitos pela Fábrica Stephens.
No “Catálogo elaborado em 1901 pertencente à Companhia da nacional e nova Fábrica de Vidros”, surge, com o número 102 este modelo, e com o número 103, um outro, semelhante, em folha de trevo de 3 folhas.
Mais frequentemente estes descansos de talher eram em metal ou prata como os que aqui se apresentam.
Os descansos de talheres tomaram formas muito variadas e hoje são, apenas, objecto de coleccionismo.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Uma colecção de caixas de pimentão


A propósito de uma lata de pimentão que adquiri, e que mostrarei mais tarde, procurei fábricas de produção de pimentão.
É uma assunto que me tem interessado nos últimos tempos e sobre o qual pouca informação tenho encontrado.
Na primeira metade do século XX tivemos várias fábricas de pimentão, sobretudo no Ribatejo.
Claro que a nossa produção nunca se comparou à dos espanhóis, até porque também o usamos menos na comida que os nossos vizinhos.
Não estou ainda preparada para lhes falar neste assunto e não se justifica agora falar na caixa que despoletou esta conversa.
Entretanto encontrei este vídeo de um coleccionador espanhol (Dariovig) de latas de pimentão, que achei muito interessante, e que espero que gostem.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A Toddy e a "Toddymania"

Nada fazia prever um grande sucesso a uma bebida inventada por um natural de Porto-Rico, de nome Pedro Erasmo Santiago, em 1930. Ainda menos se pensarmos que a bebida, uma mistura achocolatada para juntar ao leite, e destinada sobretudo a crianças, ia buscar o nome de uma bebida alcoólica chamada «Toddy».
Com vários séculos de história e muito apreciada pelos escoceses, «Toddy» é uma bebida em que, a uma base alcoólica, se junta água, açúcar e especiarias. É semelhante ao «grog» mas menos alcoólica. Pela descrição parece-me também semelhante ao nosso «ponche». Normalmente é designada por «Hot Toddy» precisamente porque é servida quente.
A origem da palavra vem de taudi, o nome indiano para a bebida alcoólica extraída da palmeira. A palavra em Sanscrito é toldi ou taldi, de tal, suco de palmeira. (Dictionary of Phrase and Fable, E. Cobham Brewer, 1894)
Embora seja esta uma das influências atribuídas para a criação da bebida, com uma associação ao Toddy das Caraíbas, em que ao rum se junta açúcar e cacau, não consigo ver qualquer ligação com o que viria a dar o produto final. A marca foi comercializada no Brasil em 1933 e, em 1940, noutros países como a Venezuela, Espanha e Portugal. Utilizando técnicas publicitárias inovadoras para a época conseguiu um grande sucesso com o seu produto.
Tendo falecido Pedro Santiago em 1966, foi o seu filho que começou a venda de parte das fábricas, inicialmente na Venezuela e, em 1981, vendeu a Toddy Brasil à Quaker Oats. Em 2001 a mesma foi vendida à PepsiCola. Em Portugal a Toddy foi comercializada até, pelo menos, ao final dos anos 80, mas deixou uma doce recordação na mente de todos os que a experimentaram. Vejam-se os exemplos de A. Teixeira e da T.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Resposta ao Objecto Mistério Nº2: Colher de absinto

O objecto mistério Nº 2 é uma colher para absinto.
Sendo o absinto uma bebida amarga, necessita da adição de açúcar.
Era colocado sobre a colher um quadradinho de açúcar, como ainda hoje é habitual encontrar em França, que foi o país onde o consumo de absinto atingiu maior intensidade.

Nos outros países podia ser colocado um pedaço de um bloco de açúcar ou de um «pão de açúcar». Dissolvia-se depois este, com água, lentamente, caindo o açúcar derretido sobre a bebida.

Embora esta forma de colher seja a mais frequente, podem também apresentar uma forma circular.


Fosforeira com publicidade a absinto
Existe um grande número de colecionadores de objectos ligados ao consumo do absinto, que incluem os copos, as bases, as fosforeiras e a publicidade em geral.





Base para copo de absinto. O número diz respeito ao preço praticado e condicionava a quantidade.