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quinta-feira, 3 de maio de 2018

O Vilanovense Futebol Clube nos anos 40

O cinema sonoro ao ar livre
Na sequência de um poste com uma ementa para árbitros nada mais apropriado do que falar num clube de futebol. Mais concretamente sobre as instalações do Vilanovense Futebol Clube, um clube centenário fundado em 1914 em Vila Nova de Gaia e renovado em 1944. O responsável por estas alterações foi o arquitecto Alberto Silva Bessa, diplomado pela Escola das Belas Artes do Porto.
Campo de ténis e parque infantil ao fundo
 As fotografias da época da recuperação mostram um clube próspero e avançado no tempo com múltiplas actividades desportivas e sociais.
O aspecto mais interessante diz respeito à criação de um cinema ao ar livre, com maquinaria de projecção e som sofisticada fornecida pela Casa P. Soller, mas o clube dispunha de outras acessibilidades como um parque infantil, um campo de ténis, um posto médico, uma sala de jogos, um salão de festas e estruturas de apoio como balneários e escritórios.
Sala do café
Dispunha ainda de uma sala de jantar, de uma sala de café, com uma cozinha comum e de um bar que dava apoio à esplanada. 
Bar da Esplanada
Claro que são estas estruturas que me interessam, mas não posso deixar de referir que no salão de festas se encontrava uma escultura da autoria de Henrique Moreira, “O atleta”, cujo modelo foi Manuel de Oliveira, cineasta, que à época era uma figura importante no Sport Club do Porto, onde praticava atletismo e ginástica.
Sala de jantar (Restaurante)
Tanto o restaurante como o café possuíam mobiliário simples, em madeira, com pequenas mesas circulares no café e quadradas no restaurante. No restaurante estas apresentavam-se cobertas com toalhas de xadrez, com base clara e riscas de cor, uma modernidade na época admitida sobretudo ao almoço. A decoração das paredes e lambris de madeira era feita com pratos de cerâmica florida, enquanto alguns apresentavam quadras populares.
Cozinha
O aspecto caseiro destas instalações e as suas dimensões amplas fazem-nos pensar numa vida associativa activa, partilhada com a família dos adeptos. Foi uma época de prosperidade que, com os anos, se foi esbatendo.
P.S
Já depois de editado o blogue apercebi-me que, para o meu próximo livro «Vestir a mesa», uma das toalhas do século XX que adquiri era igual à que se pode ver em segundo plano no interior do restaurante e que aqui reproduzo. Uma toalha colorida que eu dataria da década de 1950 estava afinal disponível (e seguramente considerada então muito moderna) na década de 1940.


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Dois corações num toalha

No meio da minha roupa de enxoval, que só ao fim destes anos decidi recuperar, encontrei uma toalha pequena que fez parte do enxoval da minha mãe. É rectangular e as suas cores vivas, que só foram usadas em toalhas em Portugal a partir de 1925, fazem-me pensar que deve datar de cerca de 1940.
O facto de ter uma bordadura noutro tecido, um aproveitamento de uma outra toalha que devia já estar envelhecida, mostra-nos de que forma os têxteis de uso doméstico antigamente eram aproveitados com outros fins. Era uma época em que as velhas toalhas, tal como os lençóis que se “viravam”[i], ganhavam uma nova vida transformando-se em panos mais pequenos.
As pequenas dimensões e o colorido colocam-na posição de toalha para pequeno- almoço, menos provavelmente para chá, uma vez que estas eram mais frequentemente quadradas. O bordado é simples, feito por uma pessoa com pouca experiência, em cores contrastantes, em que se destaca o coração como motivo central. O que me surpreendeu foi estes terem escrito no interior “meu”, referindo-se ao seu próprio coração e “teu” ao do meu pai e utilizados como símbolos de amor.
Agora que o coração do meu pai também já não bate esta toalha ganhou para mim um valor especial e aqueles dois corações ali unidos comoveram-me.
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[i] Virar um lençol significava cortá-lo ao meio e meter as ourelas para dentro, uma vez que esta zona estava menos gasta. 

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Uma toalha de cadilhos

Toalha de mãos em linho adamascado com monograma e franja (de cadilhos)
Conhecia o ditado popular «Quem tem filhos, tem cadilhos; quem não os tem, cadilhos tem. Em sentido figurado “cadilhos” significa preocupações, mas na realidade a palavra vem do espanhol cadillos (no plural) que se aplica aos fios iniciais de um tecido, sobre os quais se tece. De qualquer maneira pode-se deduzir que são o tipo de ligações que se estabelecem com as pessoas com quem temos afectividade que nos trazem preocupações.
Bodas de Cana. Mestre dos Reis Católicos, 1495.
Este raciocínio vem a propósito de uma lista de roupa branca usada na copa registada no inventário dos bens móveis do Bispo Conde de Vasconcelos e Sousa, falecido em 1717. Lá vêm mencionadas três toalhas de cadilhos. Na realidade cadilhos é também sinónimo de franja. Penso contudo que deve ser mais correcto aplicar esta designação quando a franja é feita com os fios da urdidura do tecido, como é o caso apresentado, e não quando esta é justaposta.

Pequenos nadas que nos fazem pensar e nos transportam para um outro tempo.