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sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Cocktail Alaska para crianças


 Cresci numa época em que não havia ainda as restrições ao consumo do açúcar. Mas as pessoas tinham bom senso e dar às crianças doces, chocolates ou refrigerantes era a excepção e não a regra.
Lembro-me que o meu avô nunca nos deu um doce. Argumentava que faziam mal aos dentes dos meninos e nós aceitávamos. Com o tempo deixámos de pedir, por sabermos que era inútil. 
Agora as crianças são gordas, comem imenso e especialmente maus alimentos, onde se incluem os doces e refrigerantes. Nunca percebi como se passou de uma geração que não queria comer, não tinha apetite, pelo que era magra, para uma geração de crianças que devora a comida e é obesa.

Por isso mesmo me surpreendeu este anúncio de um cocktail para crianças feito com leite condensado açucarado e uma outra bebida preferida. É verdade que se referem a groselha, laranjada e bebidas à base de sumos de frutas e não propriamente a refrigerantes que então se começavam a divulgar.
O anúncio publicado no jornal O Século Ilustrado em Agosto de 1958, seria hoje dieteticamente incorrecto.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A bebida criada por Friederich Bilz

Utilizando os conceitos naturistas Friedrich Eduard Bilz alargou a sua acção à criação de uma bebida, tipo limonada, feita com água mineral e sumo de limão, que administrava aos seus pacientes na clínica, desde 1902, com o nome Bilz Brause.
Foi a sua associação ao industrial local, Franz Hartmann, que viria a desenvolver a comercialização desta bebida. Registada em 1905 com o nome Sinalco, que ia buscar a etimologia latina para «sem álcool», tornou-se na mais antiga marca de refrigerantes europeia. A partir de 1907 começou a ser comercializada em mais de 40 países, com relevo para a América do Sul e Médio Oriente.
O sucesso da bebida na Alemanha foi interrompido pela I Guerra Mundial e retomado nos anos 30, como resposta aos refrigerantes americanos que chegavam ao país.
Novamente suspensa a produção durante a II Grande Guerra ressurgiu nos anos 50, para uma população ansiosa de bebidas e de doces. 
O consumo deste refrigerante foi sempre apoiado por campanhas publicitárias bem estruturadas que se iam adaptando aos tempos.
Publicidade dos anos 60, tipo flower power. Imagem tirada da internet.
Do mesmo modo também a bebida se foi alterando sendo introduzido vários sabores, com a Sinalco Kola que surgiu logo em 1954. Hoje as múltiplas variedades desta bebida colocam-na em terceiro lugar no consumo de refrigerantes na Alemanha (depois da Fanta e da Sprite).
Publicidade para o Chile de Oscar Ramos
Na América do Sul foi no Chile que esta bebida teve maior desenvolvimento. A Bilz entrou pela primeira vez no mercado chileno em 1902, comercializada pela Cervejaria Ebner cujo dono era um alemão, Andrés Ebner Anzenhofer.
Em 1912, a Cervejaria Ebner foi comprada pela Compañía de Cervecerías Unidas (CCU), que era a maior engarrafadora chilena da época e o refrigerante passou para essa empresa. Foi esta que, em 1927, lançou uma outra bebida gasosa com sabor a papaia chamada inicialmente Papaya Rex que, a partir de 1960, se passou a chamar Pap.
A partir de 1970 surgiu a comercialização das duas bebidas com o nome Bilz y Pap que se tornaram nas mais consumidas no Chile (campanha publicitária com desenhos do ilustrador chileno  Oscar Ramos).
Embora estes refrigerantes, apesar do nome Bilz, já nada terem a ver com a bebida inicial, também esta empresa seguiu o exemplo da alemã com campanhas publicitárias agressivas e imaginativas, tendo transformado Bilz e Pap em figuras da banda desenhada, com aventuras publicadas em revistas infantis.
Por alguma razão a marca Sinalco faz parte das 300 marcas presentes no livro «Deutsche Standards - Marken des Jahrhunderts» («Padrões alemães - Marcas do Século») onde se encontram as imagens mais icónicas dos produtos "Made in Germany". E tudo começou com Friedrich Eduard Bilz e os seus conceitos naturalistas.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A Fábrica de Refrigerantes Delta

 
Uma aspecto das secções de rotulagem e lavagem das garrafas
A fábrica de refrigerantes Delta foi fundada em 1945, em Castelo Branco por Rogério de Almeida Martins Ruivo, que funcionou como director técnico e por seu irmão Raúl de Almeida Martins Ruivo que tinha a seu cargo a parte comercial.
 
O laboratório da fábrica
A empresa designada Martins Ruivo, Lda, tinha então instalações modelares com as máquinas de produção situadas no rés-do-chão enquanto que no 1º andar se situavam os laboratórios. As secções de fabrico e de vasilhame estavam ligadas por um higiénico sistema de tubagens. Tinha também secções de lavagem de garrafas, enchimento e rotulagem independentes e separadas por vidraças.
Na fábrica trabalhavam algumas dezenas de funcionários e a produção diária de refrigerantes era de 6 mil garrafas.

Casa das lavagens das garrafas
Dos refrigerantes eram sobretudo apreciadas as laranjadas, mas a fábrica era também conhecida pela produção de xaropes de limão, groselha e outros frutos.
Em 1947 a fábrica estava no auge e começavam a ser conhecidos em vários pontos do país tendo iniciado a distribuição em garrafões de 5 e 10 litros para revendedores, que era de grande utilidade porque então este tipo de bebidas era vendido em tabernas e cafés.

Em reportagem feita para a revista Viagem na Primavera de 1947 a empresa preparava-se para a produção de licores de todas as qualidades para o que dispunha já de pessoal especializado. Na notícia era referido que esta era a única indústria de xaropes da Beira Baixa. Apenas em 1950 foi pedido o registo do nome «Fábrica de Refrigerantes Delta» (concedido a 18/2/1950).
 
Casa das máquinas
Não foi esta contudo a primeira fábrica de refrigerantes local. O meu Tio António, de 87 anos de idade e uma memória prodigiosa, confirmou-me a existência desta fábrica no Largo da Srª da Piedade. 
Garrafa e fotografia de Alberto Santos Alves
em Frascofilia no Portal dos Clássicos
Contou-me que antes tinha existido uma outra fábrica chamada «Castraleuca» que produzia refrigerantes, pirolitos, gasosas e laranjadas e que era pertença de David Benfica. Ficava ao fundo da Rua de Santiago (actual Praça da rainha D. Leonor) e passou depois para a Alameda do Cansado onde existia um poço com água de muito boa qualidade, pertença da Câmara, que a fornecia contra pagamento. 

No Anuário Comercial de Portugal de 1967 aparecem ainda as duas fábricas de refrigerantes: a Castraleuca Lda, na rua Guilherme de Barros ao Cansado e a Delta no Largo da Senhora da Piedade. Contudo no Anuário de 1973 já só vem indicada a Castraleuca.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Cartazes Publicitários de Bebidas

Falei já anteriormente sobre a Laranjada Invicta. Volto hoje ao tema a propósito de um outro cartaz publicitário que faz parte da colecção das simpáticas proprietárias da loja Collectus, no Porto.
Esta marca  de refrigerante «Invicta» surgiu em 1956 e foi comercializada nas variedades de Laranjada, Cidra e Lima. Era produzida pela Companhia União Fabril Portuense das Fábricas de Cerveja e Bebidas Refrigerantes - Sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada (CUFP), do Porto, que laborava já desde 1904.
O cartaz em causa, que as proprietárias me permitiram fotografar, por si só justificava já um poste. Foi feito pela Empreza do Bolhão, sucessora da Empresa Técnica Publicitária, fundada em 1910 por Raul Caldevilla e que seguiria também esta, no que respeitava à elevada qualidade dos seus cartazes.
A imagem é muito simples: uma jovem aprumada com chapéu na cabeça, bebe um copo de refrigerante com manifesto prazer. Em fundo a identificação de três refrigerantes Invicta: a Laranjada, a Cidra e a Lima.
Em última linha e a encarnado surgia o aviso: «Cuidado com as imitações» e a informação «Vende-se aqui», o que mostra que era feito para ser colocado nos estabelecimentos que a comercializavam. Não existe qualquer assinatura que possa identificar o autor.
Fez-me lembrar um outro cartaz, anterior a este e sem qualquer relação com ele, destinado a publicitar o vinho do Porto Rainha Santa. Este cartaz foi feito em 1946 na Litografia Progresso do Porto e do mesmo modo apresenta no canto a frase «Vende-se aqui».
A imagem feminina que surge igualmente na parte esquerda do cartaz é mais sensual, como acontecia com outro tipo de publicidade ao Vinho do Porto. De pescoço estendido pega delicadamente, com a mão direita, num cálice de vinho do Porto e dirige os lábios para ele.

Há portanto mensagens diferentes em ambos os cartazes. A primeira figura feminina podia ser uma tenista num intervalo de um jogo, enquanto a segunda, de ombros desnudados, nos leva a  pressupor que veste um vestido de noite.
Não devem ser da mesma autoria contudo, e apesar das diferenças referidas, há uma semelhança que vai para além do uso de cores idênticas que me leva a associá-los.
Talvez seja a simplicidade da mensagem, que através de frases directas e da beleza da suposta consumidora nos fica no cérebro, provocando uma sensação agradável. Penso que não se deve pedir mais à publicidade.

domingo, 21 de outubro de 2012

A Laranjada Invicta da CUFP

 A década de 1950 foi de grande expansão no mercado de refrigerantes em Portugal. Várias fábricas dispersas pelo país produziam gasosas, laranjadas e outros refrigerantes. No Anuário Comercial de 1956 surgem várias fábricas, mas salientamos, na zona sul, a Larangina-Orangina na venda do Pinheiro, a Supersumos em Cabo Ruivo; no Porto a Fabolina & Cª e a Fábrica de Licores e Refrigerantes Montizé, para além de inúmeras outras dispersas pela província.
Com elas competia a Companhia União Fabril Portuense das Fábricas de Cerveja e Bebidas Refrigerantes - Sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada. As suas instalações fabris, de grandes dimensões para a época, ficavam situadas no Porto, na esquina da Rua de Júlio Dinis e da Rua da Piedade, e existiram desde 1904 até 1977, data em que foram destruídas.
Foto do Jornal de Notícias publicada no blog Porto Antigo 
Conhecida pelo acrónimo «CUFP», esta empresa foi fundada em 1890 e resultou da fusão de sete fábricas de cerveja e bebidas gasosas já existentes no Porto, desde 1801[1].
A marca «Invicta» foi registada em 1956 pela CUFP e destinava-se a refrigerantes. O cartaz aqui apresentado diz respeito ao refrigerante de laranja e, de acordo com a publicidade, era feito com elementos naturais.
A CUFP veio a constituir a Unicer, por fusão com outras duas fábricas de cerveja: a Imperial e a Copeja.





[1] Fábrica da Piedade, Fábrica do Mello, M. Achvek & Cia., J.J. Chentrino & Cia, J.J. Persival & Cia., M. Schereck e Fábrica de Ponte da Barca.