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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Postais publicitários: Chá Lipton

Este postal publicitário ao Chá Lipton era oferecido pelos estabelecimentos Jerónimo Martins & Filho, então situados na Rua Garret, Nº 17 a 19, em Lisboa.
Tendo como tema uma bucólica paisagem japonesa, apresenta no verso a informação de que, contra a devolução de 20 etiquetas dos pacotes de chá, seria oferecido um lindo bule.

Seria o bule da imagem?

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O Chá Lipton

Mostro-lhes hoje esta interessante lata de chá Lipton. É uma lata de Orange Pekoe, com o peso de uma libra e foi feita para o mercado americano, onde foi vendida nos anos trinta. Não chegou a ser aberta e conserva o papel exterior em muito bom estado.
Nela se pode ver a foto do seu fundador, sir Thomas Lipton (1850-1931), aqui apresentado como plantador de chá no Ceilão. O seu desenho mostra-o com farda e chapéu de marinheiro numa alusão ao seu gosto por velejar. Foi essa paixão que o fez participar na regata mais famosa do mundo a “America’s Cup” entre os anos de 1899 e 1930.
Começando assim parece tratar-se de alguém nascido em berço de ouro, mas na realidade Lipton era oriundo de uma pobre família escocesa. Como tantos outros conterrâneos os seus pais imigraram para os Estados Unidos em meados do século XIX, levando o seu filho. Este trabalhou em vários ramos entre os quais uma mercearia, onde aprendeu alguns segredos da profissão que lhe valeriam uma mudança radical de vida.
Regressando à Escócia em 1869, abriu ao fim de dois anos a sua própria mercearia em Glasgow. Com o passar do tempo novas sucursais foram abrindo e de 20 lojas em 1880 passou para 300 em 1890.
Este sucesso ficou a dever-se à tenacidade do seu proprietário e ao uso de técnicas de publicidade, ainda nos seu primórdios, em que usou o serviço de um desenhador de nome Willie Lockhart.
Lipton começou por comercializar chá a preços mais baixos através de intermediários mas, em 1890, uma visita ao Ceilão (Sri Lanka), iria mudar o seu destino e o do comércio do chá. O Ceilão era famoso pela produção de café, aí introduzido pelos holandeses em 1740. Tanto o café como o preço dos terrenos de plantação no Ceilão estavam no seu máximo quando uma praga por fungos, que começou em 1869, arruinou a cultura do café em menos de 20 anos.
Quando em 1890 Lipton visita o Ceilão conhece James Taylor (1835-1892), um inglês que introduziu aí a cultura do chá. Lipton decide comprar várias propriedades a produtores falidos e, em conjunto com Taylor, desenvolvem a produção de chá em grande escala. A produção foi de tal modo grande que praticamente se abandonou a importação do chá da China, passando a ser substituída pela do Ceilão e da Índia. Na sua publicidade Lipton anunciava o seu chá: «Directamente dos Jardins do Chá para o Bule».
Os Estados Unidos tornaram-se o seu cliente principal e, só na Feira Mundial de Chicago, de 1893, foram vendidos mais de um milhão de pacotes. Pelo seu sucesso a rainha Victoria nomeou-o “Sir” em 1898 e em 1902 receberia o título de baronete.
Foi também nomeado “Fornecedor da Casa Real”, título que ostentava nas latas: “Fornecedor do rei Afonso, do rei e rainha de Itália e do rei Jorge V”. Por esta altura já Lipton recebia na sua bela casa de Londres a família real e a melhor sociedade.
Uma história de sucesso de um “self-made man” que todos gostam de ouvir e a explicação para a caixa de chá de proveniência americana.