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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Mesa Real na Mercearia Santana


Sábado, dia 13 de Janeiro, às 15 horas, vai ter lugar na Mercearia Santana, situada em Sacavém, na Rua Almirante Reis N.º 41-43, uma palestra feito por mim sobre «Mesa Real».
A Mercearia, tal como a casa de habitação,  está musealizada e apresenta periodicamente acções de dinamização a cargo do Museu de Sacavém.
 Estão convocados para conhecer o espaço e ouvir a conferência neste local improvável para manducagens reais (espero que a palavra esteja bem escrita).


quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

A Casa Natal em Beja

Ao folhear o livro Monografias Alentejanas, de Pedro Muralha, publicado em 1945, deparei-me com uma notícia sobre a Casa Natal em Beja. Era uma antiga mercearia e foi pertença de Armando Inácio Gonçalves, natural de Graça dos Padrões, em Almodôvar. Aos doze anos começou a trabalhar numa mercearia na Rua de Mértola e em 1910, após o exame do então 2º grau entrou como marçano no estabelecimento do comerciante José António Coelho. Ao fim de 2 anos já era caixeiro e posteriormente subiu a gerente. Com a morte do proprietário passou a patrão do estabelecimento.
Mas não ficou por aqui. Em 1925 tomou de trespasse uma outra casa melhor situada na cidade: a Casa Jaldon uma conceituada mercearia que tinha sido fundada em 1880. 
Foto tirada da internet
Armando Gonçalves para além do comércio dedicou-se à industria e montou uma torrefacção e moagem de café que comercializava com o nome da casa. Foi com este café que concorreu à "Feira de Amostras de Produtos Portugueses", no Rio de Janeiro, em 1930, onde ganhou uma medalha de ouro.

Ao pesquisar informação sobre esta casa deparei-me com um artigo escrito pelo meu amigo Manuel Paula e publicado no Diário do Alentejo em 7/7/2017, a propósito do encerramento deste estabelecimento. Manuel Paula havia entrevistado o sobrinho Sr. José Inácio Gonçalves que então, já com 83 anos, se encontrava à frente da casa. Pediu-lhe fotos antigas e foi possível recuperar uma placa de vidro com a imagem primitiva do exterior da loja que encima este poste. É visível o tipo de pintura exterior do edifício que à época era pintado de grenat com letras em branco contornadas a preto.
Casa Natal em 1945
A imagem publicada no livro Monografias Alentejanas mostra-nos que em 1945 a pintura da fachada tinha sido alterada, embora mantivesse as duas portas de entrada e a pequena montra central. Posteriormente, segundo Manuel Paula, a loja mudou de ramo e o seu interior foi destruído.

Infelizmente mais uma mercearia antiga que já não existe, tal como o seu fundador sobre quem o redactor do referida monografia terminava o texto da seguinte maneira: «Como chefe de família tem vida exemplar». 

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Um Santo António em brinde de 1907

À primeira vista parece um santinho mas é um brinde comercial oferecido pela Casa J. B. Carlos das Neves, em 1907.
Tenho um fascínio por estes brindes que de forma simples faziam lembrar aos clientes que eram importantes e que pensavam neles. Consistia numa forma de divulgação das empresas e foi um mercado próspero até o país ter entrado em crise.
Claro que os mais bonitos são do século XIX mas durante o século XX, até talvez aos anos 90, continuavam a ser oferecidos. Com as preocupações de restringir gastos as firmas deixaram de os encomendar e acabou-se este tipo de ofertas.
Sei que devia esperar pelo próximo Santo António para o mostrar mas até lá ia seguramente esquecer-me, como já me aconteceu com outros temas. Assim, aqui lhes mostro este pequeno livrinho que no seu interior tem uma pequena biografia do Santo e um calendário com o nome de todos os santos, dia a dia.
Da firma J. B. Carlos das Neves não consegui saber nada apesar da sua longevidade. A casa foi fundada em 1776 e situava-se no Porto, na Rua das Flores 224-226. Em 1907 contava já com 131 anos, mas acabou por fechar em data que desconheço.
Rua das Flores, 224-6, no Porto,  onde se situava  a casa de J. B. Carlos das Neves
No verso do folheto anunciavam que a sua especialidade era o chá, o café e o açúcar de todas as qualidades e preços. Vendia também chocolate nacional e estrangeiro, incluindo os «croquettes de chocolate», em caixinhas de fantasia próprias para brinde. Dentro do reino alimentar vendiam também massas alimentícias e conservas. Como era habitual neste tipo de lojas comercializavam também objectos da Índia e da China.
Este brinde não ficou contudo na mão da cliente que o recebera. Ofereceu-o a uma amiga que o guardou cuidadosamente. Na face posterior, a toda a volta, pode ler-se numa letra com tinta já muito sumida: «À minha muito querida amiga Ernestina offerece Paulina porque bem sei que gostas muito de Santo António. 31-1-907».
A beleza do presente deve ter enternecido Ernestina que o conservou religiosamente.


sábado, 14 de maio de 2016

O moço de recados vai à mercearia chic

Este delicioso anúncio data de 1907 e publicita uma casa de géneros alimentícios, ou de víveres, como também então se dizia, situada na Rua de S. Paulo, 43-47, fazendo esquina para a Travessa dos Remolares, 50-52.

A loja ainda lá está e é desde há cerca de 3-4 anos uma loja de indianos que vende bebidas, frutas e outros produtos de consumo rápido, sobretudo à noite. Antes foi uma loja de electrodomésticos que entretanto se mudou para outro local mais pequeno, quase em frente.
Em 1945 foi uma loja de ferragens designada Rafael Lopes, Ldª, que ainda existia em 1964.

Esta mercearia já não existia em 1921 mas não consegui determinar quando terminou e que tipo de loja lhe sucedeu.
 A loja de víveres de que falamos e que tinha o nome do seu proprietário «Martins & Comandita», já existia em 1877. “Comandita” refere-se a um tipo de sociedade em que um dos sócios apenas entra com o dinheiro, o que significa que quem percebia do ramo de géneros alimentícios seria o Martins, de que desconheço outro nome. 
Encontrei um anúncio no jornal «Diário Illustrado» de 15 de Abril de 1877, ao azeite alentejano do Monte das Flores, que era vendido a 300 réis cada garrafa em vários estabelecimentos de Lisboa e entre eles encontrava-se a loja de Martins & CTA, o que a localiza no século XIX.
O diálogo entre o cozinheiro e o moço de recados é elucidativo. Tratava-se de uma casa de mercearia chic, onde eram vendidas bebidas e comidas finas, como conservas, especiarias, chás e cafés e até patés de foie gras truffés. Isto é: «cem mil iguarias». E o jovem paquete, vestido com farda a rigor e um cesto de palha bem português, concluía: «já não vou a outra casa nem que me matem».
Exageros dos publicitários que neste caso concreto usaram duas imagens, como se pode concluir pelas duas assinaturas de cada um dos lados, que juntaram e que resultou muito bem.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Casa Alves a melhor do Bairro (Alfama)

 

Foi ao caminhar por Alfama que descobri a Casa Alves que é uma mercearia de bairro, daquelas que todos gostávamos de ter perto de nossa casa. Fica situada na rua S. João da Praça, 112, perto da Sé de Lisboa e vende todos os produtos que esperamos encontrar neste tipo de mercearias, incluindo frutas frescas e vegetais.
A empresa tem a designação comercial José António Alves, Lda e foi fundada pelo avô do antigo proprietário, o sr. José Alves, agora com 61 anos, que se mantém ao serviço.
Fundada há mais de 60 anos já existia no local com a mesma função de mercearia e armazenista, tendo anteriormente pertencido a um senhor de apelido Leitão.
O actual proprietário, que seguiu as pisadas do avô e do pai, ampliou as instalações há cerca de 30 anos, reduzindo a zona de armazém e aumentando o espaço de venda ao público. Manteve a traça e os móveis pintados com tinta de óleo creme, onde expõe os produtos.
Ao fundo pode ver-se um painel pintado, em dois tons de verde, onde está escrito «Casa Alves a melhor do bairro» seguida do endereço telefónico da época. As portas que separam o espaço comercial do armazém apresentam-se também em vidro pintado, nos mesmos tons, onde se pode ler: «Casa especializada em Chás, Cafés e Mercearia Fina».  
O café mencionado é o Café São João, que se destinava a ser bebido: «De Dia  e ao Serão. Moído na Ocasião» e de que existe um painel pintado com a representação de uma ilha com árvores de cafezeiros. Será talvez a imagem de S. Tomé, na imaginação de A M Cordeiro que assina o quadro, um vez que era este um dos locais de origem do café, que era misturado com café de Angola, para fazer uma mistura própria da casa.
Era moído na grande máquina que se pode ver no espaço da montra e que, juntamente com a bomba de azeite e alguns outros objectos, constitui uma espécie de pequeno museu da mercearia. O moinho de café é de origem portuguesa e foi feito por André de Almeida, com fábrica na rua da Cozinha Económica, 7, em Lisboa.
A Casa Alves é um bocadinho da Lisboa antiga que persistiu para alegria dos clientes habituais e nosso deleite.

domingo, 14 de abril de 2013

Lisboa de Ontem e de Hoje: A Tenda Cunhal das Bolas

Em 1910 a firma António Nunes & Silva, comerciantes, estava estabelecida na rua da Rosa, nº 169, em Lisboa, quando registou a sua marca «Cunhal das Bolas» para os produtos que comercializava.

A loja designava-se «Tenda Cunhal da Bolas» e vendia produtos próprios de mercearia, cereais e legumes, mas funcionava também como depósito de vinhos e alcoóis vendendo aguardentes e licores, como se podia ler na fachada.
A ilustração da marca representava a própria mercearia com as duas portas abertas onde, ao fundo, se adivinhava a figura do proprietário António Nunes da Silva, por detrás do balcão.

Agradou-me a simplicidade e o realismo da imagem e fui de propósito ao Bairro Alto para fotografar o local, mas as obras do Hospital de São Luís dos Franceses, que passaram a englobar todo este edifício, não deixaram rasto da mercearia.
Não foi fácil localizá-la porque já não existem estas portas e os números de polícia no local saltam estes números.
Fotografei a parede lisa com o restante cunhal da bolas e fica aqui a imagem para memória.