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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Farturas a 10 réis

Chamou-me à atenção o cartaz da exposição “Ver a República”, presente até final de Fevereiro no Museu Machado de Castro, em Coimbra. Constitui apenas uma parte da exposição comemorativa do centenário da República, estando os restantes núcleos na Biblioteca Geral da Universidade e no Museu da Ciência.
Este núcleo expositivo tem como subtítulo “Galeria Ripublicana”, numa alusão ao humor usado como comentário político e ao uso da caricatura.
A caricatura política foi durante a República uma arma poderosa, utilizada em inúmeros jornais e revistas tendo levado à associação dos humoristas em grupos, como o Grupo Humorístico de Coimbra e à exposição conjuntas das suas obras. O 1º salão dos Humoristas portugueses realizado em 1912 teve mesmo a presença dos visados, hábito que se viria a perder-se nos anos seguintes.

O cartaz mencionado, intitulado “Farturas a 10 réis”, visa quatro republicanos: Afonso Costa, Bernardino Machado, António José de Almeida e Brito Camacho (1) e é da autoria de Álvaro da Fonseca. Tal como hoje acontece pretendia chamar à atenção para a fartura apregoada pelos políticos que, na realidade, nunca se vem a concretizar. É por isso que este tipo de humor se mantém actual. Portugal não mudou nada.
(1) Informação fornecida por Filipa Heitor do Museu da Ciência de Coimbra.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O 5 de Outubro de 1910 e o banquete adiado

«A participação num banquete foi o último acto público do rei D. Manuel.
A 1 de Outubro de 1910 chegou a Lisboa o Presidente da república Brasileira, o marechal Hermes da Fonseca, que ficou alojado no Palácio de Belém. Logo no dia da chegada houve um banquete no Palácio das Necessidades e no dia seguinte Hermes da Fonseca visitou, em Sintra, as rainhas D. Maria Pia e D. Amélia, com quem almoçou.
No dia 3 o presidente brasileiro recebeu o monarca a bordo do couraçado presidencial S. Paulo e à noite ofereceu-lhe um banquete no Palácio de Belém. Foi no início do jantar que se divulgou a notícia de que a revolução republicana estava na rua. Algumas pessoas abandonaram o local. Os criados iam retirando apressadamente os talheres e afastando os pratos, para não se notarem as falhas. No final D. Manuel regressou ao Palácio das Necessidades, de onde partiu no dia seguinte para Mafra. Vindas de Sintra juntaram-se-lhe mais tarde as rainhas D. Maria Pia e D. Amélia. No dia 5 de Outubro era proclamada a República.
A família real dirigiu-se para a Ericeira e embarcou no iate Amélia, a bordo do qual já se encontrava o infante D. Afonso.
D. Manuel partia para o exílio sonhando com um regresso breve e ignorando que não mais veria Portugal.
Para sempre ficaria adiada a programada visita do rei ao Vidago, no dia 6 de Outubro. A recordar essa data ficou a ementa já impressa de um banquete que não passaria do papel.»

Texto extraído do Livro” Mesa Real. Dinastia de Bragança”, da autora, pp. 159-160.