Mostrar mensagens com a etiqueta Plantas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Plantas. Mostrar todas as mensagens

domingo, 5 de maio de 2019

A rabaça, uma planta venenosa


No último feriado fui à quinta de uma amiga onde andámos a colher favas e ervilhas. No meio das ervilhas encontramos uma planta semelhante à salsa, mas mais alta e viçosa. Por sorte perguntámos à pessoa responsável pela horta que planta era aquela. Explicou-nos que se tratava de «rabaça ou arrabaça» uma planta venenosa. Contou-nos o caso de dois jovens que, em 2018, tinham ido fazer um percurso na região de Santarém e que comeram estas plantas. Partilharam nas redes sociais que estavam a viver de plantas e raízes. A toxicidade rapidamente se fez sentir e quando os meios de socorro chegaram já os encontraram mortos.
Fiz uma pesquisa na internet e descobri um outro caso mortal com várias vacas que, no Alentejo, em 2017, morreram por comer as raízes. Os animais evitam estas plantas, mas nesse ano foi um ano de seca pelo que, depois de comerem as folhas, passaram para as raízes e morreram rapidamente. Na realidade as raízes são fortemente venenosas devido à presença de Enantetoxina. Antigamente as pessoas usavam-nas para pescar no rio, apanhando depois o peixe que morria e vinha ao cimo da água.

Mas que planta é esta? Em Portugal é conhecida por vários nomes, além dos já referidos: Embude; Nabo do diabo; Salsa-dos-rios; Cana freixa; Acibuta ou aciguta; Prego-do-diabo; Flor do vinho (gregos) e enanto-de-cor-de-açafrão. O seu nome científico é Oenanthe crocata, pertence à família das Umbelíferas e cresce em meios húmidos, como perto de riachos ou linhas de água. A sua toxicidade é semelhante à da Cicuta de que todos já ouviram falar, sobretudo pela morte do filósofo Sócrates. Actua sobre o Sistema Nervoso Central e o tubo digestivo e a taxa de mortalidade é de 70%. A morte é rápida, em cerca de três horas, e as pessoas morrem com um esgar facial que parece um sorriso e que é chamado «sorriso sardónico».


Achei que devia falar sobre a Rabaça por várias razões, mas a principal é que me espantou a minha ignorância sobre esta planta de crescimento tão frequente em Portugal. Penso que não estou sozinha nesta falta de conhecimento, pelo que seria bom partilhar esta informação. Existe um medo generalizado dos cogumelos selvagens, mas sobre as ervas venenosas (não apenas tóxicas) e as flores que têm também estas características ninguém fala. Com a mania dos citadinos de brincarem aos camponeses não será de espantar que mais casos destes possam vir a suceder.
Tanto mais que no Alentejo existe uma planta comestível que se chama Rabaça ou Arrabaça (Apium nodiflorum L.), mas que nada tem a ver com esta. Portanto não comam plantas ou flores que não conhecem. Não digam que não os avisei!
------------------------------------
PS: Como não contava falar sobre este assunto não fotografei a planta, pelo que todas as imagens foram tiradas da internet.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Madre-de-louro


Foi uma autêntica descoberta para mim esta planta oferecida pela minha amiga Isabel Fernandes, para ser utilizada como infusão. Foi comprada na Ilha da Madeira no mercado de Santo António da Serra e foi-me descrita como sendo uma excrescência do loureiro, que crescia no lado virado a Norte. 
Foto tirada do site do Instituto da Florestas e Conservação da Natureza
É desconhecida no continente porque se desenvolve apenas na Madeira (na Laurissilva), na Galiza e nas Ilhas Canárias (Gomera, La Palma).
 O seu nome científico é Laurobasidium laurii, e é uma cecídea provocada por um fungo específico que vive como parasita sobre o loureiro Laurus novocanariensis. Não surge abundantemente porque só se desenvolve em árvores com mais de 10 anos. (Cruz Morais, 1987). Apresenta-se na árvore com um aspecto em hastes de veado que começam por ser verdes e vão escurecendo tomando, quando seca, esta cor castanha que aqui se vê.
 
Muito apreciada na Madeira é sobretudo na freguesia da Fajã da Ovelha que é mais utilizada. É usada em infusão sozinha ou com outras ervas, como botões de macela, erva-cidreira-de-caninha, salva-de-nossa-senhora, gervão, funcho, hortelã-pimenta, orégãos, canela-de-pau, erva-doce, noz-moscada, arruda e casca de limão, sendo adoçada com açúcar ou mel.
Tem uma aplicação vasta em resfriados, como hemostática, em doenças reumatismais, em doenças circulatórias e muitas outras indicações.
No período pós-parto, é dado às parturientes um pequeno cálice de “infusão” de madre-de-louro e alfavaca (Parietaria judaica), sempre-noiva (Polygonum aviculare), canela-branca (Peperomia galioides).
 Estes conhecimentos de sabedoria popular têm sido objecto de estudo e em 1987 Cruz Morais escreveu a sua tese de Doutoramento com um estudo etnofarmacológico para melhor perceber as utilidades medicinais da madre-de-louro. Descobriu que as substâncias bioactivas deste fungo eram lactonas sesquiterpénicas, posteriormente estudadas por outros autores.

Para além do uso medicinal a madre-de-louro também é usada para fazer licores e outras bebidas, apreciadas pelo seu sabor agradável, e a que também são atribuídas propriedades calmantes.
Já agora, também tem uso na cozinha servindo para cozinhar carne dura que, doutro modo, não seria apta para consumo.

Bibliografia:
- Freitas, Fátima; Mateus, Mª da Graça. Plantas e seus usos tradicionais na Freguesia de Fajã da Ovelha. Parque Natural da Madeira. Consultdo online a 6-4-2019 em https://issuu.com/parquenaturalmadeira/docs/livro_plantas_versao_final/4
- Morais, JMC. Identificação e acção farmacológica de alguns constituintes do fungo parasita Laurobasidium lauri (Geyler) Julich e a sua detecção na planta hospedeira Laurus azorica (Seub) Franco. Tese de Doutoramento, Universidade de Lisboa, Faculdade de Farmácia 1987. Consultado online a 6-4-2019 em https://digituma.uma.pt/bitstream/10400.13/626/1/MestradoMariaJo%C3%A3oCarvalho.pdf


sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Planta Mistério Nº 3

Os mistérios que apresento relacionam-se quase sempre com objectos.
Os de plantas são raros porque o meu conhecimento neste campo também é menor.
Hoje apresento um tubérculo de uma planta usada como condimento. Sabem o que é?

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A minha horta aérea

Apresento a primeira produção da minha mini-horta plantada na varanda. As sementes foram dadas por uma revista e não identificava as variedades. Assim, tenho a surpresa de ver crescer uns pequenos tomates, tipo cerejo, de tamanho pequeno médio, que crescem em cachos e de que apenas colhi este por já se apresentar maduro.
Quanto ao pimenteiro procurei identificá-lo pela imagem e concluí que é um «scotch bonnet» (boina escocesa), uma variedade de Capsicum chinense
Este nome impróprio foi-lhe atribuído por um botânico holandês, Nikolaus Joseph von Jacquin (1727-1817), que pensava que estes pimentos eram originários da China, vindo mais tarde a confirmar-se que todos as plantas deste género eram nativas da América.
Como não devo ter sido a única que comprou estas sementes alerto para o facto de as pimentas mais picantes do mundo, pertencerem a esta família, entre as quais se encontra o Habanero e o Scotch Bonnet. 
Portanto cuidado com estas pimentas, usar luvas ao cortá-los e lavar bem as mãos depois, porque é frequente levar-se a mão à cara inadvertidamente. E usar apenas um bocadinho para experimentar da primeira vez, porque este pimento, na escala de Scoville, criada por Wilbur Scoville em 1912 para medir a ardência, se encontra muito bem posicionado. Riscos de agricultores amadores.

sábado, 8 de agosto de 2015

A morte das palmeiras

Tenho andado distraída e só agora reparei no que está a acontecer às palmeiras em Portugal. Estão a morrer com uma velocidade terrível dizimadas pelo “escaravelho da palmeira”, o rhynchophorus ferrugineus, um escaravelho vermelho, com três a quatro centímetros, que veio do Norte de África em 2007.
Não sei nada sobre palmeiras e a que conheço melhor é a Areca Catechu, porque tenho na minha casa de banho uma gravura que a representa, que comprei numa exposição sobre plantas na Faculdade de Ciências há anos. Com o tempo perdeu as cores e é agora uma gravura em tons de azul. Mas continuo a gostar dela como gosto das palmeiras que existem dispersas pelo país.
Só chegaram a Portugal no século XIX mas foram sempre símbolo de exotismo e de bom gosto. As pessoas com posses colocavam-nas junto das suas casas e ficávamos a saber, quando as víamos ao longe, que ali existia uma boa casa. Ainda hoje, quando vou na autoestrada e vejo uma palmeira sem casa penso que ali deve ter existido uma casa senhorial, destruída pela construção da estrada.
Com o tempo também as pessoas do campo passaram a plantá-las junto às suas pequenas habitações. Demoraram décadas a crescer e apesar de não serem autóctones, ao fim de todo este tempo já são nossas.
Agora que estão a morrer às centenas ou milhares apercebo-me de como são numerosas e espalhadas por todo o país. Numa ida à região de Santarém e Tomar contei, pelo caminho, dezenas a morrer apenas junto às estradas por onde passei.
À volta da quinta de uma amiga minha, em Santarém, estão também todas a morrer mas as dela estão boas porque o jardineiro as tratou com os produtos com que trata as oliveiras e outras árvores.
Duas palmeiras a morrer, uma à esquerda e outra à direita na foto
Na altura pensei mas será que ainda ninguém falou nisto? Consultei a net e encontrei vários artigos em jornais a maioria já do ano passado. Sabe-se que em Portugal já há pelo menos cinco espécies de palmeiras que foram afectadas por este tipo de escaravelho, sendo a mais afectada a palmeira das Canárias e também a chamada tamareira, mas parece que não se está a actuar devidamente ou não veríamos este espectáculo desolador.
Contudo o Ministério da Agricultura publicou em 2012 recomendações para o tratamento destas palmeiras e aqui deixo o link para os proprietários mais conscienciosos ainda actuarem:


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

As flores das plantas comestíveis

Flor amarela de baldroegas
Não vou falar sobre flores comestíveis, tema que já anteriormente abordei. Hoje apresento as flores que as várias plantas da minha varanda, na maioria aromáticas, foram revelando nos últimos meses.
Flor do mangericão
A grande surpresa foi com as beldroegas, uma planta de que gosto imenso sobretudo em sopas e que é difícil de encontrar em Lisboa. No tempo em que havia uma pequena mercearia aqui perto o seu proprietário, o sr. Tereso, quando conseguia arranjar um molho para ele guardava-me também um para mim.
Flor rosa de baldroegas
Quando as vi em vaso num supermercado comprei-as e foi com surpresa que vi abrirem, quando o sol está mais forte, belas flores rosas e amarelas.
Flores rosa e amarela de baldroega
Na realidade esta é uma variedade de Portulaca oleracea, talvez com os caules menos grossos, mas são comestíveis na mesma. O que acontece é que sendo poucas as flores são elas que as protegem de eu as colher porque gosto de as ir espreitar floridas todos os dias. 
Flor amarela de alface
No fundo o raciocínio é contrário ao que nos leva a colher flores de plantas que dão flores comestíveis como as chagas ou a borragem que dão muitas e não faz diferença colhe-las.
Flores de alface roxa
Resolvi depois começar a fotografar as outras flores de aromáticas e outras plantas comestíveis que aqui apresento e que se revelaram igualmente uma surpresa para mim, como as alfaces de que uma vizinha me deu vários pés e que só cresceram para cima e espigaram dando uma flor azul. 
Flor azul de uma alface espigada
Como a produção alimentar das minhas culturas foi praticamente nula contento-me em olhar as flores de que lhes deixo algumas imagens.
Pequenas flores amarelas da rúcula

sábado, 9 de junho de 2012

A citronela

Na minha última receita de sopa tailandesa levantaram-se algumas dúvidas sobre o que era a citronela, pelo que decidi escrever sobre ela.
A citronela (Cymbopogon citratus) é natural da Índia e existe em toda a Ásia tropical. É muito usada na comida tailandesa de onde importamos a maior parte das plantas frescas que se vendem nos nossos mercados. Tem um cheiro ligeiro a hortelã e um sabor parecido com o limão, que se devem aos seus óleos essenciais: a citronela e o d-limoneno.
Pode ser usada seca, aos pedaços ou em pó, ou fresca. Esta é a melhor escolha até porque se dá bem no nosso país. Na realidade ela é mais conhecida por erva príncipe e são as suas folhas que são usadas em infusão.
Para cozinhar usam-se os talos maiores, de preferência frescos. Estes podem guardar-se no frigorífico, mas a outra opção é pô-los com o pé dentro de um pouco de água. Há sempre a hipótese de criarem raízes, o que eu espero que aconteça aos meus (só descobri isso agora), e ao fim de poucos dias já se podem plantar.
Para se usarem frescos começam-se por tirar as folhas exteriores mais duras. Corta-se o pé e as parte superior mais verde e passa-se por água. Com uma faca grande deitada comprime-se o talo com a mão para sobressair os seus óleos. Corta-se depois em pequenos pedaços em várias direcções até o desfazer bem. Também se pode esmagar num almofariz.
Em sopas usar pequenas quantidades. Juntar o correspondente a uma colher de chá e ir provando. Só juntar mais se precisar ou se a receita indicar de outro modo. Para acompanhar peixe pode usar-se uma quantidade maior e introduzi-la quando o prato está quase pronto.
As folhas desta planta, secas ou frescas, servem para fazer uma infusão agradável ao paladar mas que é sobretudo utilizada pelas suas propriedades curativas. São lhe atribuídas propriedades sobre o tubo digestivo, como melhoria do apetite, estimulação da digestão, diminuição da flatulência, acção anti-espasmódica, mas também tem acção na depressão e, um atributo mais moderno, tem acção no «jet leg».
Para quem quiser experimentar uma infusão apenas por prazer recomendo uma receita publicada em Cinco Quartos de Laranja, que parece bem agradável para os dias quentes.

domingo, 6 de junho de 2010

Flores Comestíveis

Salada de Alface com Capuchinhas

Como prometi, depois de falar da borragem, refiro hoje outras flores comestíveis.

O número de flores comestíveis é imenso mas menciono apenas algumas.
São comestíveis as capuchinhas, as rosas, as begónias, as calêndulas, os amores-perfeitos e as violetas (mas não as violetas africanas), os crisântemos, as flores de alfazema, as cravinas, as flores do alho e alhinho, da abóbora e da aboborinha, da rúcula, do funcho, do sabugueiro e da laranjeira.

Flores de Laranjeira

De um modo geral os vinagres e os azeites podem ser aromatizados com flores. Adicionadas às saladas torna-as mais bonitas e saborosas.
Algumas servem para cristalizar e com já disse anteriormente, aquelas que beneficiam o gosto das bebidas, podem ser introduzidas em cubos de gelo.

Comecemos pelas capuchinhas de que apresento aqui uma salada de alface com capuchinhas, uma boa utilização pelo contraste na cor e no sabor, o que se aplica a qualquer tipo de salada verde.


A rosa, com as suas pétalas inteiras ou picadas, pode ser usada em saladas de frutas ou de verduras, ou em geleias. Lembro-me de há muitos anos ter feito uma geleia de pétalas de rosa que foi um sucesso. Utilize-as sobretudo nas sobremesas. Os botões de rosa podem ser conservados em vinagre como pickles ou adicionados ao chá depois de secos.
Consideram-se as variedades com flores mais escuras como tendo um gosto mais intenso.

Botões de Rosa

A calêndula (Calendula officinalis) pode dar uma cor viva e um gosto diferente às saladas. As pétalas de cor laranja podem ser metidas em leite quente, transmitindo-lhe a sua cor e sabor, sendo depois ser utilizadas em arroz, bolos, pães, quiches, omeletes, etc. São também usadas para intensificar a cor da manteiga e dos queijos. Podem apenas ser salpicadas sobre a sopa, as massas ou saladas.

As flores do alho, de todas as suas variedades (há cerca de 400 espécies) utilizam-se sobretudo em saladas, mas têm também utilização em sopas.

A lavanda (Lavandula officinalis) tem pequenas flores que servem para aromatizar pão e bolos.

As flores da abóbora e da aboborinha são muito utilizadas na cozinha italiana, sendo consumidas passadas por polme e fritas ou recheadas com queijo. Também é boa adicionada a risotos e saladas. Quem já experimentou não pode deixar de apreciar.

As pétalas do cravo e cravina são usadas em saladas de fruta ou em tartes de fruta. Servem também para aromatizar vinagres, açúcar e bebidas açucaradas. Podem igualmente ser usadas para decorar bolos, se forem pinceladas com clara de ovo e cobertas de açúcar, tal como as pétalas de rosa. O corante que se extrai delas é usado em confeitaria.

O amor-perfeito e a violeta (mas não a violeta-africana) saõ bons para adicionara a saladas, fazendo um bonito contraste ou para ser cristalizada e usada em pastelaria.

As flores de aneto ou funcho são utilizadas para pickles de vegetais.


Funcho em flor

Por fim alguns conselhos. Embora pareça tudo fácil é necessário tomar alguns cuidados. Em primeiro lugar nunca se devem usar flores compradas em floristas ou de proveniência desconhecida porque têm normalmente produtos químicos.

É aconselhável ter a certeza que são as flores certas e não são tóxicas.
Se puder colha-as antes de as utilizar e lave-as sempre.
Retire-lhes os estames e aproveite apenas a folha. No caso da rosa retire também a parte branca.

Não se entusiasme e consuma-as em pequena quantidade, em especial nas primeiras vezes que as experimentar.
Bom apetite!.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Planta Mistério Nº2. Resposta: Borragem

Trata-se da borragem ou Borago officinalis L. que é uma pequena planta herbácea que cresce na região do Mediterrâneo, nas bordas dos caminhos e das hortas.
Nalgumas zonas é utilizada como legume, utilizando-se então as folhas mais jovens. Ainda não há muito tempo, num Hotel, foi-nos oferecido como primeiro prato folhas de borragem cozidas, temperadas com azeite e alho (1).
O seu cultivo é feito principalmente para a produção de sementes.

Falemos em primeiro lugar das suas capacidades medicinais, como nos indica a expressão officinalis, que se usava antigamente para plantas com propriedades medicinais conhecidas.
É considerada diurética, emoliente e sudorífera, sendo tradicionalmente usada para controlar os sintomas da gripe e infecções respiratórias, por ter propriedades anti-inflamatórias.
Por ter constituintes salinos promove a actividade renal e é também usada nas afecções das vias urinárias. É referida como tendo acção para aliviar a tensão pré-menstrual e os sintomas pós-menopáusicos.
Na literatura antiga era-lhe atribuída uma outra acção muito curiosa, que era a de estimular o espírito, tornando as pessoas mais optimistas. Uma espécie de Prozac dos tempos antigos.
Mas voltemo-nos para as suas capacidades culinárias que nos parecem mais interessantes.
O seu gosto ligeiramente semelhante ao pepino torna-a boa para uso em saladas e infusões de bebidas do tipo ponche.
Já falamos do uso das folhas, utilizadas como vegetal cozido.
Em alternativa utilizam-se cruas, devendo ter o cuidado de escolher as mais jovens e de as picar. Podem usar-se em saladas ou em molhos, como por exemplo nos molhos de iogurte ou adicionadas a queijos cremosos ou para fazer manteiga aromática.

Os italianos usam-na por exemplo para fazer risotto. Também o ravioli recheado com borragem é típico da região de Liguria. Toma o nome de pansotti, o que se deve não ao seu conteúdo mas à forma, que é triangular e não quadrada como nos outros raviolis.
Foto extraída de Trek Nature

A flor, que nas minha fotografias não mostra toda a sua beleza, razão porque tive que usar uma foto alheia, é boa para utilizar nas saladas e para aromatizar vinagres. No século XIX foi usada para cristalizar, tal como hoje ainda se faz com as violetas, servindo depois para decoração de bolos.
Um efeito surpresa é congelá-las em cubos e adicioná-las às bebidas na altura de servir.
Talvez a sua maior aplicação seja para adicionar às saladas verdes. Faz um efeito muito bonito e produz um gosto contrastante, uma vez que são uma das flores comestíveis.

Este tema estimulou-me a falar sobre outras flores comestíveis o que farei já no próximo post.
(1) Informação da minha amiga Adriana Teixeira, que eu já tinha esquecido e a quem eu devo este post, pelo seu gosto pela agricultura.

domingo, 30 de maio de 2010

Planta Mistério Nº 2

A foto da planta apresentada peca pela ausência de folhas, nesta fase, e talvez o número de flores, em quantidade insuficiente, torne mais difícil este desafio.

Está um pouco escondida pelas ervas, mas isso deve-se à sua pequena estatura.

Caracteriza-se por ter pêlos nos caules e flores. Estas têm uma cor azul, ligeiramente arroxeada, com 5 pétalas, em estrela.

É considerada uma planta medicinal, mas tem também utilização culinária.

domingo, 1 de novembro de 2009

Plantas esquecidas: As cherovias

A cherovia é a raiz de uma planta da família das umbilíferas, em que se incluiem outros membros mais conhecidos como a cenoura, a salsa, o funcho e o aipo. O seu nome botânico é Pastinaca sativum.
É hoje pouco conhecida, excepto pelas pessoas originárias da região da Covilhã e do Fundão, uma vez que é na região da Serra da Estrela, em especial na Cova da Beira que tem o seu habitat.
Se bem que hoje seja uma desconhecida para a maioria das pessoas a sua apreciação como elemento da dieta humana tem uma longa história. Surgiram como plantas nativas na Europa, na região do Mediterraneo, e foram consideradas um alimento de luxo entre a aristocracia da Antiga Roma.
Apicius refere-se a elas, mas há dúvidas se seriam as raízes a que agora nos referimos, se outra variante de cenouras, também designada por pastinaca. O seu sabor inigualável, ligeiramente adocicado, levou a que fosse servida com mel ou em bolos com frutas.
Durante a Idade Média a cherovia continuou a ser apreciada e utilizada em pratos doces, na ausência de açúcar. Foi nessa época que surgiram novas variedades. Mas até à Renascença a história das cherovias confunde-se com a das cenouras.
As formas selvagens são hoje consideradas infestantes nalguns pontos dos Estados Unidos. Mas as formas cultivadas expandiram-se para as Ilhas Britânicas e Norte da Europa onde são apreciadas.
Em Portugal, se tiver oportunidade de adquirir alguns exemplares não deixe de aproveitar para sentir um gosto inexplicável. Não se compara com nada, por isso não me é possível descrevê-lo-

Para as escolher deve seguir os mesmos princípios do que quando escolhe cenouras. Escolha-as firmes, de preferência de tamanho uniforme para ficarem mais bonitas na apresentação. Pode escolhê-las de todos os tamanhos, mas evite as demasiado grandes que podem ter um talo fibroso. A forma mais habitual de as comer em Portugal é fritas depois de passadas por polme. Comece por descascá-las e corte-as em fatias finas, no sentido longitudinal. Coza-as em água com sal, evitando que cozam demasiado para não ficarem moles. Escorra-as e passe-as por polme e frite-as como se fossem peixinhos da horta. Podem acompanhar carne ou peixe. Pessoalmente acho que ficam melhor com carne, mas em minha casa comiam-se com arroz de tomate e rodelas de lulas também passadas por polme (calamares). Era uma refeição deliciosa.

Também podem ser usadas assadas no forno, mas confesso que nunca experimentei. São óptimas para fazer sopas em substituição das batatas.
Neste momento são já utilizadas em restaurantes modernos em receitas alternativas, mas nenhuma melhor que a tradicional. Comi no estrangeiro um prato em que apresentaram fatias fininhas, fritas em azeite como se fossem batatas. Como têm o feitio de cenoura resultavam de forma decorativa, mas no que respeita ao gosto foi um desastre.
Do ponto de vista alimentar é uma raiz com baixas calorias. Não tem gorduras, mas tem fibras, açúcar e hidratos de carbono. Têm também ácido fólico, cálcio e potássio.
Desconheço qualquer receita em livros antigos de culinária portugueses, mas no século XIX pelo menos 2 obras publicadas nos estados Unidos apresentavam receitas com cherovias: no livro de F.L. Gillette, intitulado "White House Cookbook", publicado em 1887 e no livro de Fannie Farmer “Boston Cooking-School Cook Book”, de 1869. Por fim quero dizer que tem sido feita desde há 2 anos uma feira de divulgação deste produto na Covilhã. Este ano, no início de Outubro decorreu a 2ª Festa da Cherovia. Já acabou, mas para o ano esteja atento e vá lá. Não espere contudo tanto tempo para as comer. Se for visitar aquela zona procure um restaurante que tenha cherovias na ementa e se não conseguir dê um salto à praça e vá comprar para experimentar em casa. Vale a pena.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Planta Mistério Nº1

- A planta que apresentamos é arbustiva, de crescimento rápido.

- Possui variedades cultivadas na América, Europa e Ásia.

- Embora cresça em Portugal continental é nos Açores e na Madeira que é mais fácil encontrá-la.

- O fruto que produz é considerado raro, o que justifica um preço elevado.

- São lhe atribuídas tradicionalmente propriedades médicas, apoiadas ultimamente por experiências científicas levadas a cabo em universidades de referência.

- Tem várias aplicações culinárias.

Como se chama?

A que família pertence?

Qual o nome que tem nos Açores?

Quais os nomes porque é conhecida na Madeira?

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Urtigas, as mal amadas

As urtigas, que crescem por todo o lado, são plantas mal amadas que impelem as pessoas para a sua destruição.

As suas folhas e talos têm uma substância, o ácido fórmico, que é responsável pela sensação de ardor quando tocam a pele. Fazem parte de uma grande família que compreende pelo menos 2200 membros, mas são mais frequentes as variedades Urtica dioica (grande urtiga) e a Urtica urens (urtiga dos jardins ou urtiga picante).

Acontece com as urtigas o mesmo que nos acontece com algumas pessoas. Não gostamos delas porque não as conhecemos. Quando travamos conhecimento ficamos surpreendidos com o seu lado positivo e revelam-nos o modo como estávamos errados.

As vantagens das urtigas ultrapassam em muito os seus inconvenientes. O que se torna necessário é usar umas boas luvas para a sua colheita. Devem escolher-se plantas jovens e colher apenas as folhas terminais. Os talos são fibrosos e devem evitar-se. Depois de cozidas os picos desaparecem, pelo que não há que ter receio.

Tudo isto vem a propósito da sua utilização na alimentação. Mas elas têm outras virtudes que não serão aqui faladas. Refiro-me às suas propriedades medicamentosas, que não sei se são justificadas. É referido que são ricas em vitamina C e A. Têm acetilcolina o que as leva a ser recomendadas em doentes com Alzheimer e às suas raízes são atribuídos benefícios na hipertrofia benigna da próstata.

Um velho ditado de origem irlandesa afirma que quem comer sopa de urtigas três vezes em Maio passa o ano sem dores reumatismais, prática que era seguida desde longa data pelos monges irlandeses. As urtigas são também utilizadas na agricultura biológica. Para além de ajudarem as outras plantas vizinhas a crescerem mais resistentes aos fungos, podem ser usadas como um composto para o cultivo dos campos. Servem também para fazer uma calda (mal cheirosa) contra os pulgões, que é uma forma ecológica de desinfestação.

Estas são apenas algumas vantagens, mas a principal é a sua utilização na culinária, sobre a qual falaremos no próximo artigo.