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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Museu virtual: Tira-cápsulas


Nome do Objecto: Tira-cápsulas, também designado descapsulador, abre caricas ou tira-caricas.

Descrição: Objecto circular com orifício metálico central para retirar as cápsulas das garrafas. Possui desenhos diferentes nas duas faces. Incluído num saco de feltro protector.

Material: Plástico duro e metal.

Época: Século XXI início.
 Marcas: Ritzenhoff. H.-C. Sanladerer.

Origem: adquirido no mercado português.

Grupo a que pertence: Equipamento culinário para abertura.

Função Geral: Instrumento para a preparação, serviço ou consumo de bebidas.

Função Específica: Abrir garrafas com cápsulas.
Nº inventário: Nº 3528

Objectos semelhantes: Vários não classificados.
Observações: Objecto de origem alemã produzido pela empresa Ritzenhoff, mais conhecida pela sua produção de vidros desde há mais de dois séculos. Tem-se salientado pela colaboração com múltiplos designers responsáveis pela decoração de copos das várias linhas. Os primeiros ficaram famosos por se tratarem de copos para leite que se apresentavam com fundo branco e malhas pretas. Nos últimos anos vários designers têm criado linhas de acessórios sobretudo relacionados com bebidas, como é o caso deste descapsulador. A série designada Romeu & Julieta apresenta imagens nas duas faces que são complementares. Muito variadas e imaginativas inclui outras temáticas divertidas como o fotógrafo de safaris e o chimpanzé, o gato e o rato, o diabo e o anjo, faces de casais, etc. Este objecto foi concebido pelo designer H.C. Sanladerer, mas nesta série encontram-se trabalhos de outros autores.

sábado, 3 de novembro de 2018

Objecto Mistério Nº 58. Resposta: Lavatório


 Usamos ainda hoje uma forma simplificada deste lavatório, que designamos por lavabo. Trata-se de um pequena taça com pires destinada a lavar os dedos após o consumo de alimentos comidos à mão, como o marisco. Este tipo de utensílio foi o herdeiro natural do que apresentámos como objecto mistério.
A designação de lavabo explica-se por ser a mesma que se utiliza para os depósitos de água com torneira para alguém se lavar. A mesma palavra refere-se, na religião católica, à cerimónia da lavagem dos dedos e à oração que a acompanha na missa.
Imagem tirada da net
 Quanto ao lavatório, no início do século XIX, surgia nos inventários de bens, como no de D. Fernando II[1], como finger glass ou rince bouche. Estas expressões estrangeiras explicam bem a forma como era utilizado. Ele vinha à mesa com água tépida dentro do copo da qual se despejava uma parte na taça. Entregues no final da refeição lavavam-se os dedos na taça, bochechava-se com a água do copo que se deitava na taça já utilizada e o todo era recolhido. Era por esta razão que os lavatórios eram em vidro opaco, branco, ou azul em vários tons. Nalguns casos, como nalguns existentes ainda nas reservas do Palácio da Vila em Sintra, eram em vidro espesso espiculado, que igualmente lhes retirava transparência.  
 Estiveram em grande moda na corte de D. Maria II. O Marquês de Fronteira, D. José de Trazimundo, nas suas memórias descreveu uma cena passada com o representante de França em Portugal, em 1848, Mr. Mallefille[2]. Desconhecendo as regras de etiqueta da época bebeu a água tépida. Tivesse ele lido o livro Manual de Civilidade e Etiqueta e evitar-se-ia esta cena.



[1] Inventário das Louças antigas e modernas que sairam da real Mantearia... 1857. ANTT. AHMF.CR. Cx 4471.
[2] Pereira, Ana Marques, Mesa Real, p, 172.


sábado, 28 de julho de 2018

O talher de D. João V (cadinet ou cadenas) - 2


Cadinet Augsburg. Gottlieb Menzel. 1718. MET. 
O cadenas, tal como a naveta, foi um objecto simbólico do poder real. Eram habitualmente feitos de metal nobre: ouro, vermeil ou prata. Na zona mais elevada ou caixa fechada guardava-se o sal, o açúcar e a pimenta e os talheres propriamente ditos.
Cadinet do rei Guilherme III. Royal Collections Trust. UK
A porção horizontal servia para colocar o pão, sobre um guardanapo, sendo depois coberto com um segundo guardanapo montado, isto é, armado numa construção com bicos. A sua posição na mesa era sempre à direita do prato do rei, como se pode constatar no Plan du premier service du Grand Couvert à Versailles[1].
Pormenor da mesa de casamento de Napoleão com o seu cadinet e o do Maria Luísa em 1810.
Cadinet do Imperador Napoleão. Henry Auguste. Museu Napoleão . Fontainebleau.
Em França, desde o século XIII, existiu um oficial da Casa Real francesa designado «Grand panetier». Servia apenas nas grandes cerimónias, enquanto nos restantes dias eram os «Panetiers» que colocavam a toalha, a naveta e preparavam os trinchos ou os cadinets com pão e sal. Para além destas funções, e até 1711, tinha competência sobre os locais de fabrico de pão em Paris, aplicando uma taxa sobre a sua produção.
Em França a partir do século XVI este cargo passou a ser hereditário e esteve até 1792 na família de Cossé de Brissac. Um aspecto interessante é que nas suas armas, como se pode ver nas de Jean-Paul-Timoléon de Cossé de Brissac (1698-1780), que era «Grand Panetier» em 1730, se pode ver, como atributo das suas funções, uma naveta de ouro e o cadenas do rei.
Pormenor da cópia do cadinet de D. João V. Concepção fictícia da minha autoria.
Não existiu esta função em Portugal e no documento em que se descreve o banquete de casamento de D. João V com D. Maria Ana de Áustria, em 1708, constata-se que foram os Reposteiros da Câmara quem trouxe o cadinet (talher) para a mesa real.



[1] Pereira, Ana Marques. Mesa Real. Dinastia de Bragança. p. 70.

terça-feira, 10 de julho de 2018

O talher de D. João V (cadinet ou cadenas) - 1


Réplica do que poderá ter sido o "talher de D. João V". Foto João Oliveira Silva
“Talher” é a designação portuguesa de cadinet ou cadenas que encontrei num documento em que se descreve o banquete de casamento de D. João V em 1708.
Publiquei esta informação no meu livro «Mesa Real» e, até então, desconhecia-se o seu uso na corte portuguesa. Toda a descrição do banquete é de grande interesse mas foco-me aqui nos “talheres”, tomados como designação lata. Estes foram trazidos pelos Reposteiros da Câmara em pratos grandes dourados os Talheres Reais quadrados de S. Majestades, e os redondos ordinários de S. Altezas.
Cadinet com guardanapo em flor de nenúfar para o pão
A descrição pormenoriza: "Virão os Talheres Reais preparados com sal, açúcar e pimenta nos lugares que para isso tem: e no do pão se põe por baixo um guardanapo liso em forma quadrada de sorte que não transborde o talher, e por cima dele o pão com a faca, colher, garfo e dois palitos, coberto tudo com um guardanapo levantado, cujas dobras hão-de ser muito finas»[1].
Cadinet de Guilherme III, 1688, Royal Collection, Londres
Não existe em Portugal qualquer exemplar de cadinet que, tal como noutros países, foram derretidos. O mesmo aconteceu em França, onde, os que existem são mais tardios, do século XIX e encomendados por Napoleão, que desejava retomar o esplendor do ritual da mesa real.
Cadinet feito em Augsbur, 1718. V&A Museum
Os ingleses, mais conservadores, mantiveram vários exemplares e foi um deles, o do rei Carlos II de Inglaterra, casado com D. Catarina de Bragança que tomei como modelo.
Para a exposição sobre o pão na mesa do rei, que esteve a meu cargo, e que se pode ver em Mafra no Festival do Pão até dia 15 de Julho, concebi o que poderia ter sido o cadinet do rei D. João V, com as suas armas na base e mandei efectuar um exemplar.
Pormenor da parte horizontal do cadinet com o guardanapo levantado
Tal como na época coloquei um guardanapo dobrado na parte horizontal e sobre este um outro levantado, para o caso em flor de nenúfar, que permite uma visualização do pão que aqui se pretende realçar.
Ficou lindíssimo e penso que só por si merece uma visita à exposição. Depois não digam que não avisei.




[1] Pereira, Ana Marques, Mesa Real. Dinastia de Bragança, Lisboa, Esfera dos Livros, pp. 65-75.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Convite «Artes do Vidro no Consumo dos Licores»


No próximo dia 7 de Abril às 15,30 vou fazer uma conferência no museu do Vidro da Marinha Grande.
Com o título «Artes do Vidro no consumo dos Licores» será uma revisão pelos objectos que ao longo dos últimos séculos serviram para apresentar ou consumir os licores.
No século XIX, período áureo desta moda, os objectos tomaram formas exuberantes que serviam para orgulhar os anfitriões durante o serviço de licores que tinha lugar após o jantar, juntamente com o café.
 A partir de meados do século XX os licores ficaram cada vez menos na moda e o vidro fazia as suas últimas aparições nos conjuntos de cálices de múltiplas cores, para logo ser suplantado por novos materiais, como por exemplo o alumínio anodizado.
A conferência encerra a exposição que termina no dia 8 de Abril onde se encontram patentes algumas das garrafas da minha colecção.
Última oportunidade portanto para visitar a exposição. Terei muito prazer na vossa presença.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Conferência: «Saleiros: funcionalidade e simbologia»

 A propósito dos saleiros da Casa Museu Anastácio Gonçalves (CMAG) vou falar na 5ª feira, dia 12 de Outubro, às 18,20 horas, sobre este objecto de mesa, presentemente ostracizado.
Saleiros Kangxi. Família verde. CMAG.
Numa época em que se diaboliza o sal é importante compreender como a sua presença na alimentação foi e continua a ser importante.
Saleiros Qianlong. Família rosa. CMAG
Este mineral único foi desde muito cedo considerado sagrado na história do Homem. Os povos estabeleceram uma ligação entre o sal e o divino, mas nenhuma religião sacralizou mais o sal do que a tradição judaico-cristã.
Saleiro duplo. Porcelana. Colecção AMP.
Foi assim que o saleiro se torna no objecto mais importante sobre a mesa, o primeiro a nela ser colocado, situando-se durante séculos junto ao lugar do anfitrião. Era o saleiro fixo, imponente, de grande valor simbólico.
Nos séculos que se seguiram foi-se democratizando e no século XIX foi de bom-tom o saleiro individual. Presença constante sobre a mesa no século XX, foi progressivamente sendo ignorado.
Saleiro de Francisco I. Benvenuto Cellini. Kunsthistorisches Museum. Viena de Austria
É esta evolução do saleiro que iremos apresentar, analisando os saleiros adquiridos por Anastácio Gonçalves, os principais saleiros mundiais (onde não podia faltar o mais belo: a saliera de Benvenuto Cellini, de 1543) e já agora alguns exemplares da minha pequena colecção.

Aos interessados no assunto lá os espero.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Objecto Mistério Nº 54. Resposta: açucareiro individual

 
Estes pequenos açucareiros foram usados em vários cafés, sendo entregues ao cliente juntamente com a chávena do café. Eram uma espécie de pacote de açúcar avant la lettre.
Presumo que muitos deviam desaparecer e passaram a ser substituídos por açucareiros metálicos de maiores dimensões, em meia esfera, com um pé, de que se devem lembrar.
Para os que não conhecem aqui ficam algumas imagens.
Posteriormente foram substituídos por outros modelos aproximadamente cilíndricos.
PS. As caixas de pesos (resposta mais frequente) têm forma semelhante, mas são habitualmente em cobre, sem pega e com fecho.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Os tabuleiros TV

Acordei há dois dias a pensar nos tabuleiros TV. Acho que foi nos anos 70 que comprei dois tabuleiros amarelos, mas agora à distância não consigo lembrar-me se alguma vez os utilizei.
Os primitivos tabuleiros TV eram feitos em alumínio e surgiram nos USA em 1953, vendidos já com comida confeccionada pela empresa Swason. Esta firma vendia para o dia de Acção de Graças (Thanksgiving) peru congelado, mas nesse ano calculou por baixo o valor total dos perus que necessitava comercializar. Apenas menos 26 toneladas, um número impensável no nosso país. 
Fotografia tirada da internet
Para evitar situações semelhantes decidiram comercializar peru fatiado já preparado com outros alimentos e, para o fazer, conceberam uma embalagem em alumínio com várias divisórias. A ideia foi muito bem recebida e a firma passou a comercializar várias refeições que a publicidade dizia se destinavam a mulheres ocupadas mas que queriam manter o hábito dos jantares familiares.
Este foi considerado o primeiro jantar TV, um sucesso, pois sabem com os americanos apreciam comer à frente da televisão qualquer porcaria colocada num prato. O tabuleiro usado, em alumínio, tomou o nome de «tabuleiro TV» e passou depois a ser feito em plástico, com cavidades para meter o prato, os talheres, os copos e outros alimentos. Não sei concretamento quando começaram a ser vendidos mas várias empresas como a Tupperware, produziram-nos em cores vivas.
Fotografia tirada da internet
Em Portugal devem ter chegado no final dos anos 70. Estes aqui apresentados foram feitos na fábrica de plásticos de Leiria, mas é provável que tivesse sido também produzido noutras fábricas. 
Tinham um ar moderno e faziam lembrar as refeições servidas nos aviões, que então as pessoas ainda não associavam a má qualidade.
Foram comprados por quem gostava de novidades mas devem ter sido muito pouco utilizados, não só porque muitas pessoas ainda não tinham televisão em casa e porque ninguém comia no sofá. Hoje é possível encontrar os modelos antigos à venda no mercado, mas espantem-se, ainda há firmas a produzi-los indistinguíveis dos primitivos. Será que há quem os use?

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Museu virtual: Cafeteira eléctrica em porcelana

Nome do Objecto: Cafeteira eléctrica.

Descrição: Pequeno bule em porcelana de cor creme contornado a dourado. Tem filtro interior perfurado na base e tampa condizente.

Material: Porcelana.

Época: entre 1953 e 1975 (de acordo com as marcas).

Marcas: Aromator. Bavaria. Germany.

Origem: adquirido no mercado português.

Grupo a que pertence: Equipamento culinário.

Função Geral: Confecção e serviço de bebidas.

Função Específica: Confeccionar e servir café.

Nº inventário: 2292.

Objectos semelhantes: Não catalogados.
Observações:

Estas máquinas eléctricas de café, em porcelana, foram feitas em Oberkotzau na Baviera (Bavaria) durante as décadas de 1950 a 1970. A máquina usa um filtro de porcelana que evitava os filtros de papel. A água era aquecida e bombeada através de uma tubagem de elevação para dentro do filtro e, em seguida, fluía como café para o interior da jarro. O café assim feito era na época muito apreciado.
A fábrica designou-se Porzellanfabrik Neuerer K.G. de 1943 até 1953. Foi fundada no ano de 1943 por Hans Neuerer. Teve grandes dificuldades durante a II Guerra Mundial, mas em 1949 já tinha 200 pessoas a fazer os serviços de chá e café, bem como porcelanas decoradas.
Imagem tirada da internet
Em 1953 passou a designar-se Elektroporzellanfabrik Hans Neuerer tendo passado a produzir sobretudo porcelana técnica, como os bules eléctricos, com as marcas Aromator e Aromat. A fábrica fechou em 1982.
Esta fábrica também produziu bules eléctricos idênticos, mas de maiores dimensões para chá, bem como serviços de chá e café e pratos com decorações concordantes. Não se conhece a razão para as duas marcas: «Aromator» e «Aromat», e para complicar, neste caso concreto, o filtro tem uma das marcas e o bule a outra.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Objecto Mistério Nº 51. Resposta: Pinça para Espargos.

 Foi no século XIX que o serviço de talheres de mesa se expandiu. Surgiram os talheres de peixe (embora a sua divulgação fosse mais tardia) e muitos outros para o serviço de mesa requintado.
Embora muitos deles persistam e tenham entrado no quotidiano, outros já não existem. Um dos utensílios usados à mesa foi a pinça para servir espargos, em prata ou em liga de metal que a incluía, como a Christofle, entre outras. 

Os modelos de pinças para servir espargos foram vários desde a mola larga, sem pega, ao tipo de pinças individuais.
Li em qualquer lado que o modelo aqui apresentado foi mais usado pelos ingleses mas não posso confirmar.

A peça tem apenas uma marca que não consegui identificar, mas será talvez francesa (a ignorância é muito atrevida).

terça-feira, 8 de março de 2016

Museu virtual: Tabuleiro de acepipes

Nome do Objecto: Tabuleiro de acepipes

Descrição: Tabuleiro rectangular de cor verde marinho, com duas cavidades rectangulares e duas quadradas mais pequenas e centrais.

Material: Cerâmica vidrada.

Época: De 1950 a finais de 1960.
Marcas: Gilman & Cª. Sacavém (Fábrica de Louça de Sacavém)

Origem: Adquirido no mercado português.

Grupo a que pertence: Equipamento culinário.

Função Geral: Servir alimentos
Função Específica: Utilizado na apresentação de aperitivos.
Nº inventário: 2080.
Objectos semelhantes: Não inventariados.

Observações:
Os aperitivos, por regra, eram servidos apenas antes do almoço e continuavam a ser designados à francesa, hors d’oeuvre. A forma de apresentação em taças de cerâmica separadas era contudo mais habitual no domicílio, como acontece com as peças realizadas pela Secla, ou pela Vista Alegre, nesta época. Nalguns casos as taças formam conjuntos, mais frequentemente circulares, com ou sem tabuleiros, como se pode observar nalguns serviços de aperitivos da Fábrica Vista Alegre. Este tipo de conjuntos era contudo mais frequente em vidro, sendo acompanhados por uma base metálica ou de prata.