Não, não vou
falar de música, mas de doçaria. Neste caso covilhanense.
Há mais de 10 anos, em 2015, escrevi sobre um doce que se tornou típico da Covilhã, a Garganta de Freira. O texto terminava com uma promessa minha, em que mencionava o órgão: “Sobre essa raridade, demasiada trabalhosa para ser feita nos dias de hoje, falarei outra oportunidade”. Nunca cumpri essa promessa e por isso me sinto obrigada a reviver esta memória.
Há poucos dias
fui contactada por uma pessoa da Covilhã, que não conhecia, e que me perguntava
sobre doces tradicionais nessa cidade. Interrogava-me mesmo sobre o “Órgão”.
Senti-me então na obrigação de dar seguimento à minha antiga palavra.
A minha ideia sobre este doce perde-se já na bruma do tempo. Do que eu me lembrava era apenas da imagem do conjunto e a visão da fita de seda que rodeava a doçaria e que terminava num lacinho.
Falei com a minha amiga Cilinha Alçada, que se lembrava de uma pessoa da família Pereira Nina que sabia fazer este doce. Quanto à receita, remeteu-me para o livro Cozinha Tradicional Portuguesa de Maria de Lurdes Modesto.
Lá vem a receita que reproduzo aqui. Para fazer este bolo é preciso ter uns canudos, de diferentes tamanhos, feitos em cana ou em folha de Flandres. A massa é enrolada à volta desses canudos, em espiral, e é frita. Recheiam-se depois os canudos com um creme de ovos com amêndoa. No topo colocam-se fios de ovos.
A montagem dos canudos é feita do centro para a periferia, com o canudo maior no centro, que é rodeado por outros, progressivamente menores. No final o conjunto é suportado por uma fita de seda, tal como eu me lembrava.Para quem tiver
coragem: mãos à obra. É bom que estes doces não desapareçam.
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