segunda-feira, 27 de abril de 2026

Os sameirinhos de Braga



No meio das fotografias por organizar, encontrei esta imagem de uma família que visitou o Santuário do Sameiro, em 1943. O casal, montado em burros, era acompanhado por um outro indivíduo mais velho, igualmente montado num outro animal. Presume-se que subiram lá acima neste meio de locomoção em alternativa à subida do escadório.  À primeira vista podia-se presumir que as duas crianças na frente do casal eram familiares do mesmo. Mas olhando bem vê-se que estão descalças e que o seu à-vontade é total, segurando nas rédeas dos burros. De aí eu concluir que seriam responsáveis pela condução dos animais, talvez trabalhando para o homem mais velho engravatado.

Mas o que me chamou à atenção foi o local onde foi tirada a fotografia: em frente à Doçaria Sameiro. Embora os letreiros exteriores estejam parcialmente cobertos, pode ler-se, debaixo do nome, que vendia “Vinho Verde (?) e Maduro e Laranjadas.” Por baixo estaria o nome do proprietário de que só se consegue ver o SILVA, estando obliterada a primeira palavra.

Esta Doçaria, dado o seu nome e localização, venderia seguramente os “sameirinhos”, doces a cuja receita se atribuí uma proveniência conventual e que são considerados como uma das especialidades de doçaria genuinamente bracarense. São pequenos bolos feitos com uma massa estaladiça e são recheados com um doce de ovos e amêndoa.  São hoje vendidos em algumas pastelarias tradicionais de Braga,  com o formato de um pequeno rectângulo ou barquinho, sendo muito apreciados .


sábado, 4 de abril de 2026

sexta-feira, 27 de março de 2026

Livro "Casa de Bertiandos. Receitas de copa e cozinha"

 

Aguarela de Alberto de Souza

No meu último livro acerca da Casa de Bertiandos, feito em parceria com a minha amiga Sandra Fernandes Morais incluímos várias imagens da mesma, com representações do século XIX. Na altura socorremo-nos de postais ilustrados existentes no Arquivo de Ponte de Lima, que gentilmente nos cederam as imagens.

Acontece que na minha última visita a Coimbra tive a possibilidade de adquirir vários postais de Ponte de Lima, da mesma época, entre os quais se encontravam duas visões da fachada da casa, uma delas com a centenária araucária e outra com duas figuras humanas, um trabalhador da casa e provavelmente um dos habitantes da mesma.


Há cerca de uma semana um amigo meu arranjou-me um a outra visão dessa fachada, reprodução de uma aguarela colorida, da autoria de Alberto de Sousa e datada de 1935. Frente à escadaria principal pode ver-se a presença de uma jovem camponesa, descalça.

Uma beleza que vem completar a pesquisa para o livro, mas que infelizmente já não chegou a tempo de o integrar. Uma obra, por mais completa que seja, nunca fica acabada!

 

 

 

quarta-feira, 11 de março de 2026

Os têxteis de Almalaguês




 Na minha última apresentação em Coimbra, na Mostra de Doces, pediram-me para falar no livro Vestir a Mesa.

Foi-me sugerida uma referência aos têxteis de Almalaguês, assunto que não havia mencionado. Foi um desafio para mim. Li o que havia sido publicado, fui visitar Almalaguês e até consegui descobrir uma reportagem feita pelo Fernando Pessa em 1979.

Em Almalaguês, que fica perto de Coimbra, falei com a Cristina Fachada, uma das tecedeiras desta arte. Esclareci as dúvidas que tinha e adquiri vários panos feitos em tear, precisamente os destinados a cobrir cestos de transporte de doces. As tipologias agora produzidas são variadas e incluem-se toalhas, panos de mesa, colchas, panos de tabuleiros e outras formas mais adaptadas aos dias de hoje.


Foi com gosto que apresentei estes panos destinados a cobrir os cestos. Muitos eram usados na altura dos casamentos com os pratos de arroz-doce e outros doces para oferta aos convidados. Eram enviados pela mãe da noiva ainda antes da cerimónia e transportados em dois tipos de cestas: tipo canastras, ou cestas com asa.

Vários usos das Toalhas de Perugia

Foi com espanto que percebi que afinal eu conhecia este trabalho desde sempre. Herdei da minha mãe muitos panos de tabuleiro, toalhas de mão e outras. Até a colcha branca, com puxados, que tenho na cama, me parece de Almalaguês.

 Como vivíamos na Beira Baixa, mais concretamente na Covilhã, pergunto-me se estes trabalhos lá chegavam na altura da feira anual de São Tiago, onde a variedade era muita, ou se haveriam outros centros beirões com esta actividade.

É uma tradição antiga e podemos ver já numa pintura de Josefa de Óbidos uma cesta com doces parcialmente cobertos com um pano circundado por uma renda.


Em muitas outras pinturas italianas podemos constatar a presença destes panos versus toalhas de mãos para cobrir cestas de pão. É que o seu uso era variado e podia mesmo suceder serem usados com turbantes como se vê nalgumas pinturas da época. Hoje que consideramos que os têxteis de mesa têm a sua função bem estabelecida, esquecemo-nos que nem sempre foi assim. O registo de antigas cenas quotidianas vem-nos dar uma lição.



terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Convite "Vestir a Mesa" . Apresentação em Coimbra

 

Aqui fica o convite para a apresentação do livro em Coimbra, no próximo sábado.

Abaixo o programa geral, para poderem escolher.



sábado, 21 de fevereiro de 2026

"Vestir a Mesa" na Mostra de Doçaria de Coimbra

 


No próximo sábado estarei em Coimbra para participar na Mostra de Doçaria Conventual e Contemporânea onde falarei sobre têxteis de mesa. 

Procurarei integrar os têxteis de Almalaguês nas suas várias vertentes, com especial enfoque nos panos de cobrir pães e doces.

Como ainda não tenho convite, nem programa,  aqui deixo este aviso para os meus amigos de Coimbra.

Espero que possam estar presentes.