quarta-feira, 11 de março de 2026

Os têxteis de Almalaguês




 Na minha última apresentação em Coimbra, na Mostra de Doces, pediram-me para falar no livro Vestir a Mesa.

Foi-me sugerida uma referência aos têxteis de Almalaguês, assunto que não havia mencionado. Foi um desafio para mim. Li o que havia sido publicado, fui visitar Almalaguês e até consegui descobrir uma reportagem feita pelo Fernando Pessa em 1979.

Em Almalaguês, que fica perto de Coimbra, falei com a Cristina Fachada, uma das tecedeiras desta arte. Esclareci as dúvidas que tinha e adquiri vários panos feitos em tear, precisamente os destinados a cobrir cestos de transporte de doces. As tipologias agora produzidas são variadas e incluem-se toalhas, panos de mesa, colchas, panos de tabuleiros e outras formas mais adaptadas aos dias de hoje.


Foi com gosto que apresentei estes panos destinados a cobrir os cestos. Muitos eram usados na altura dos casamentos com os pratos de arroz-doce e outros doces para oferta aos convidados. Eram enviados pela mãe da noiva ainda antes da cerimónia e transportados em dois tipos de cestas: tipo canastras, ou cestas com asa.

Vários usos das Toalhas de Perugia

Foi com espanto que percebi que afinal eu conhecia este trabalho desde sempre. Herdei da minha mãe muitos panos de tabuleiro, toalhas de mão e outras. Até a colcha branca, com puxados, que tenho na cama, me parece de Almalaguês.

 Como vivíamos na Beira Baixa, mais concretamente na Covilhã, pergunto-me se estes trabalhos lá chegavam na altura da feira anual de São Tiago, onde a variedade era muita, ou se haveriam outros centros beirões com esta actividade.

É uma tradição antiga e podemos ver já numa pintura de Josefa de Óbidos uma cesta com doces parcialmente cobertos com um pano circundado por uma renda.


Em muitas outras pinturas italianas podemos constatar a presença destes panos versus toalhas de mãos para cobrir cestas de pão. É que o seu uso era variado e podia mesmo suceder serem usados com turbantes como se vê nalgumas pinturas da época. Hoje que consideramos que os têxteis de mesa têm a sua função bem estabelecida, esquecemo-nos que nem sempre foi assim. O registo de antigas cenas quotidianas vem-nos dar uma lição.



terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Convite "Vestir a Mesa" . Apresentação em Coimbra

 

Aqui fica o convite para a apresentação do livro em Coimbra, no próximo sábado.

Abaixo o programa geral, para poderem escolher.



sábado, 21 de fevereiro de 2026

"Vestir a Mesa" na Mostra de Doçaria de Coimbra

 


No próximo sábado estarei em Coimbra para participar na Mostra de Doçaria Conventual e Contemporânea onde falarei sobre têxteis de mesa. 

Procurarei integrar os têxteis de Almalaguês nas suas várias vertentes, com especial enfoque nos panos de cobrir pães e doces.

Como ainda não tenho convite, nem programa,  aqui deixo este aviso para os meus amigos de Coimbra.

Espero que possam estar presentes.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Objecto mistério Nº 67. Resposta: Pegas de bules

 

Os objectos mostrados correspondem a pegas de bule. São sobretudo usados em bules metálicos que aquecem mais do que os feitos em cerâmica. Na imagem, a sua utilização é exemplificada com um bule de chá e um de café.

Feitos em feltro grosso, o isolamento é também acentuado com um material interior (sumaúma?) que preenche a peça e a torna mais resistente e macia. Internamente encontra-se forrado com um feltro rosa, a lembrar o interior do animal, e tem uma mola que o permite fixar à asa do bule.

Os detalhes são interessantes, com olhos em vidro, fixos por pontos de bordado em ponto pé-de-flor. As plumas são simuladas com pontos largos.

Não sei dizer a época com precisão, mas penso tratar-se de um trabalho caseiro da década de 1940 ou 1950.

Úteis e bonitos, chegam mesmo a ser simpáticos.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Objecto mistério Nº 69: Pergunta

 

Este simpático par de pássaros, que penso representarem pombos, têm uma utilidade.

São feitos em feltro, bordado e ligeiramente pintado, para os tornar mais verídicos. Medem de uma extremidade à outra 24 cm, isto é, não são pequeninos. Também não são maciços, apresentando uma abertura ventral.

Como  se chamam e para que servem?

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Ementas filatélicas

 


Esta classificação para as ementas apenas me surgiu hoje e vão perceber a razão. Tenho as ementas classificadas por temas: oficiais, comemorativas, companhias aéreas, navios, vazias, casamentos, aniversários, etc.  e a temática, de que falo hoje, nunca me tinha surgido.


Ao organizar os gigantescos dossiers de uma colecção de uma figura pública, que adquiri há vários anos e a que nunca tinha dado a devida atenção, deparei-me com estes exemplares que não posso deixar de mostrar.


Decidi dar-lhes esta designação porque faz todo o sentido. Haverá mais outros exemplares, mas seguramente que serão raras. São curiosas e elucidativas e datam de uma época em que um lançamento de uma nova série de selos justificava um banquete. Hoje em dia, com cada vez menos coleccionadores de selos e cada vez mais edições, seria impensável.

Não há nada a fazer. Este meu gosto pelas classificações ficou-me do tempo de exercício da Medicina, e considerei-as sempre muito úteis. Parece-me que tenho razão.