quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Museu virtual: Caixa com trinchante de carne

 

Museu virtual: Estojo com trinchante de carne

Nome do Objecto: Talher de trinchar em estojo

Descrição: Caixa de madeira forrada com três talheres do serviço de trinchar carnes: garfo, faca e fuzil (de afiar faca) ou espeto(?) (é facetado e não estriado como costumam ser os fuzis. Poderá servir para aves?).

Material: Metal com banho de prata e corno de animal não identificado.

Época: Final do século XIX

Marcas: Waker & Hall. Sheffield.

Origem: UK. Adquirido no mercado português.

Grupo a que pertence: equipamento culinário.

Função Geral: Serviço de mesa.

Função Específica: Trinchar carne.

Nº inventário: 4072

Objectos semelhantes: Não classificados.

Observações: A fábrica de talheres teve início em Sheffield em 1845 por iniciativa de George Walker, com o nome de Walker & Cº. Em 1853 associou-se Henry hall e a firma passou a designar-se Walker & Hall. Eram fabricantes de produtos em prata e com banho de prata (electroplated). A firma manteve-se em actividade até 1963 e, em 1965, o edifício, de grandes dimensões foi demolido.


quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Convite: lançamento do livro "Cadernos do Dominguizo".

No dia 11 de Dezembro às 15 horas será feita a apresentação do livro Cadernos do Dominguizo.

Trata-se de um receituário do início do século XIX, da família Leal Castello Branco, que eu estudei. 

Acho que vão gostar. É uma interessante amostragem de receitas de uma família da Beira Baixa e as fotografias ficaram deslumbrantes.

Aguardo a vossa presença. Marquem já na agenda.

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P.S. O lançamento terá lugar no antigo Cinema Europa, agora Biblioteca, em Campo de Ourique, junto ao Jardim da Parada.


segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Lebre à Bernardine. Uma receita poética


Há muitas maneiras de escrever receitas. Mais simples ou mais elaboradas, quase todas correspondem a uma tipologia que está em moda na época.

Como já disse uma vez, a minha descrição das receitas é extremamente simples e aprendida na “escola” Isalita. Ultimamente dou-me ao luxo de fazer acrescentos a essa fórmula rápida. Depois de experimentada posso acrescentar: fica melhor se levar menos X de açúcar; não precisa de tanto tempo no forno, etc.

Mas não resisto a uma boa receita literária. Esta, que vinha no meio de um manuscrito, é um bom exemplo. O requinte dos pormenores, na sua pretensa simplicidade, revelam um gastrónomo empenhado que não se esquece mesmo de nomear os vinhos apropriados para acompanhar esta iguaria. 

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Há chá em Ponte de Lima

Diz-se habitualmente que os Açores são o único local da Europa onde se cultiva a planta do Chá. Na realidade será o único onde se cultiva com produção extensa e transformação comercial.

Foi assim, com surpresa, que durante a minha última visita ao meu amigo Álvaro Teixeira de Queirós, que descobri uma outra realidade. Em Ponte de Lima, na sua bela propriedade, nos jardins da casa do Cruzeiro ou de Nossa Senhora da Piedade, cresce um tipo de camélia especial, a Camellia sinensis.

Bordejando os dois lados de uma álea do jardim cresce, há quase cem anos, uma variedade Assamica, trazida de Moçambique por um tio do dono da casa. Esta variação, diferente da var. chinesa sinensis, é endémica na Índia, em Assam, e a base da maioria dos chás pretos indianos como o Oolong, o Preto e Pu-erh. Distingue-se da variante chinesa por ter folhas maiores e por apresentar maior concentração de polifenóis, menor concentração de aminoácidos e serem menos aromáticas.

Embora a sua função, com as belas flores brancas e amarelas, tenha sido durante décadas decorativa, o dono da casa recolhe, desde há algum tempo, os seus rebentos que depois de secarem e macerarem manualmente servem para consumo da casa.

À hora do chá, um ritual diário sagrado para mim, tive oportunidade de beber o resultado da sua cultura. Efectivamente um chá suave e pouco aromático, que constitui uma experiência surpreendente.


quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Objecto mistério Nº 65. Resposta: Terceira mão.

Este objecto tão singelo destina-se a ser pendurado numa torneira para fixar uma das asas de um tacho. A asa oposta ficará segura com a outra mão.

Desta forma é possível lavar o tacho com a mão livre.

Foi por isso que o inventor deste ovo de Colombo lhe chamou “3ª mão”.

Essa designação surge em ambas as faces do papel envolvente, num dos lados em inglês e do outro em francês, acompanhando a imagem explicativa que não deixa margens para dúvidas.

Simples, não é?

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Objecto mistério Nº 65. Pergunta.

 

O objecto em si é desinteressante. Simples de mais. Um tubo em metal (aço?) dobrado ao meio e curvado para cumprir a sua função.  

Mede apenas 16 cm.

Já a sua utilidade e, mais ainda, o nome dado pelo fabricante, são uma surpresa.

Para que serve?

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P.S. Aviso que não é fácil.

domingo, 26 de setembro de 2021

A senhora dos sacos

 

 Nas últimas eleições, no auge da pandemia, fui votar cedo para evitar ajuntamentos. Quando cheguei ao local de voto, na Praça da Ribeira, verifiquei que as mesas estavam vazias.

Não havia qualquer fila e, à minha frente, apenas um senhora carregada com sacos de supermercado, mais de dois em cada mão. Interroguei-me sobre a necessidade de se deslocar com aquele peso, num dia de acto eleitoral, para o qual só é necessário um cartão e uma caneta.

Votando no mesmo local que eu, pensei que devia ser aqui da freguesia, mas nunca a tinha visto. Durante todo o ano de confinamento vi-a apenas por duas vezes, a descer a rua, carregada de sacos em ambas as mãos. Com o rosto sempre tapado por grandes chapéus de abas continuei sem lhe visualizar a cara.

Voltei hoje ao mesmo local para votar. O movimento era escasso, quase nulo. À minha frente, novamente, estava a senhora dos sacos. Tirei uma fotografia de costas, porque pensei que se eu contasse esta história ninguém acreditaria.

Mal posso esperar pelas próximas eleições.

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P.S. Apetecia-me contar esta pequena história. De que modo se integra na temática do blogue? Bem, sempre mete sacos de supermercado.