quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Objecto mistério Nº 67. Resposta: Pegas de bules

 

Os objectos mostrados correspondem a pegas de bule. São sobretudo usados em bules metálicos que aquecem mais do que os feitos em cerâmica. Na imagem, a sua utilização é exemplificada com um bule de chá e um de café.

Feitos em feltro grosso, o isolamento é também acentuado com um material interior (sumaúma?) que preenche a peça e a torna mais resistente e macia. Internamente encontra-se forrado com um feltro rosa, a lembrar o interior do animal, e tem uma mola que o permite fixar à asa do bule.

Os detalhes são interessantes, com olhos em vidro, fixos por pontos de bordado em ponto pé-de-flor. As plumas são simuladas com pontos largos.

Não sei dizer a época com precisão, mas penso tratar-se de um trabalho caseiro da década de 1940 ou 1950.

Úteis e bonitos, chegam mesmo a ser simpáticos.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Objecto mistério Nº 69: Pergunta

 

Este simpático par de pássaros, que penso representarem pombos, têm uma utilidade.

São feitos em feltro, bordado e ligeiramente pintado, para os tornar mais verídicos. Medem de uma extremidade à outra 24 cm, isto é, não são pequeninos. Também não são maciços, apresentando uma abertura ventral.

Como  se chamam e para que servem?

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Ementas filatélicas

 


Esta classificação para as ementas apenas me surgiu hoje e vão perceber a razão. Tenho as ementas classificadas por temas: oficiais, comemorativas, companhias aéreas, navios, vazias, casamentos, aniversários, etc.  e a temática, de que falo hoje, nunca me tinha surgido.


Ao organizar os gigantescos dossiers de uma colecção de uma figura pública, que adquiri há vários anos e a que nunca tinha dado a devida atenção, deparei-me com estes exemplares que não posso deixar de mostrar.


Decidi dar-lhes esta designação porque faz todo o sentido. Haverá mais outros exemplares, mas seguramente que serão raras. São curiosas e elucidativas e datam de uma época em que um lançamento de uma nova série de selos justificava um banquete. Hoje em dia, com cada vez menos coleccionadores de selos e cada vez mais edições, seria impensável.

Não há nada a fazer. Este meu gosto pelas classificações ficou-me do tempo de exercício da Medicina, e considerei-as sempre muito úteis. Parece-me que tenho razão.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Museu virtual: Tabuleiro de quarto

 


Nome do Objecto:  Tabuleiro de quarto.

Descrição: Trata-se de um tabuleiro em madeira, forrado a tecido brocado e com um painel de seda central, coberto com vidro.

Material: Madeira, seda, tecido brocado e passamanarias em fio de ouro.

Época: Século XIX.

Marcas: NF (Neyret Frères no canto inf. Esqª) e A Perez (Alonso Perez) no canto inferior Dtº.

Origem: França.

Grupo a que pertence: Recipiente para o serviço ou consumo.

Função Geral: Servir bebidas.

Função Específica: Destinava-se a servir bebidas, por exemplo café, ou chá, a uma única pessoa, normalmente no quarto. Eventualmente podia também ser usado para colocar alguns objectos de toilette no quarto, embora não fosse a função principal.

Nº inventário: Nº 5876.

Descrição: O tabuleiro apresenta no fundo uma tapeçaria de seda francesa, produzida pela técnica de Jacquard. Foi feita pela fábrica Neyret Frères (NF), sediada em Saint-Ètiene e fundada em 1825. Foi pioneira na técnica de jacquard, reproduzindo imagens na seda em cores de sépia, que recriavam a imagem de fotografias. A partir de originais em pintura produziam, imagens ou fitas de tecido em seda, de alta precisam conhecidas como stevengraph.[1] Esta imagem reproduzia uma cena aristocrática do século XVIII e o quadro original foi pintado por Alonso Perez (1858-1914). O título original era: Le joyeux rendez-vous ou Arrivé à Notre Dame, uma vez que a cena galante tem lugar frente à catedral de Notre Dame que se pode ver em fundo.

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 [1] Por esta técnica ter sido criada por Thomas Stevens em Coventry, Inglaterra, a partir do final da década de 1870. Retratava cenas históricas, utilizando teares Jacquard.

sábado, 27 de dezembro de 2025

Lampreias há muitas!


Refiro-me às lampreias de ovos que comemos pelo Natal, numa tradição relativamente recente, possivelmente apenas presente nas grandes cidades. Em Lisboa é um hábito que tem mais de um século. A Pastelaria Suíça, que sempre fez bons doces de ovos (que saudades das trouxas de ovos), vendia-as também por esta época.

Já no século XIX era um presente requintado, tal como hoje. Uma mesa de doces fica enriquecida com esta decorativa iguaria e há quem a não dispense, a par dos chamados doces tradicionais.

Acontece que desde que escrevi o livro Rafael de Faca e Garfo nunca mais consegui olhar para uma lampreia doce sem me lembrar da história contada por Rafael Bordalo Pinheiro. Publicada em O Antonio Maria, em 30 de Dezembro de 1880, [1] em jeito de banda desenhada, Rafael conta-nos uma história de Natal extraordinária, intitulada “A viagem de uma lampreia no país do compadrio. Scenas do Natal.” 

Esta lampreia é na realidade uma lampreia de ovos comprada ao Cócó, isto é, na Confeitaria da rua de S. Nicolau, que pertenceu à família Rosa Araújo. [2]  

A dita lampreia era descrita como sendo feita de ovos de fio, dentes de cidrão, olhos de ginja e rabo de compota de pêra. Esta iguaria começou por ser oferecida pelo Comendador Possidónio ao professor de Belas Artes de seu filho, que por sua vez a foi oferecer a outro e, assim sucessivamente, passando pelas mãos de cerca de uma dúzia de pessoas, que se pretendiam influenciar. Pelo caminho, foi perdendo alguns atributos, gulosamente saboreados, como um olho de ginja, depois o outro, a pêra, etc., mas, em compensação, passou a ser embrulhada num guardanapo, num lenço de seda e finalmente embelezada com fitas, para acabar por fim como uma decoração de chapéu, feito pela chapeleira D. Cecília.

 É com ele que uma dama da sociedade vai à missa ao Loreto, passeia pelo Chiado, e vai à noite ao Teatro D. Maria. No dia seguinte, a lampreia de ovos ainda foi vista no Passeio Público, mas ao chegar a casa a dama, que se fazia acompanhar por um jovem audaz, constata a ausência da mesma. O pretenso apaixonado havia comido finalmente a lampreia do Cócó! Num remate atrevido, envia um bilhete para casa da chapeleira, dizendo: “Gostei do chapéu. Aconselharia, que não carregassem tanto no cidrão”.[3]

Foi ao comer um dos olhos da lampreia deste Natal, uma meia cereja cristalizada, que o meu imaginário me levou para as memórias Bordalianas. Nunca mais vou conseguir olhar para uma lampreia doce sem me lembrar desta extensa e rocambolesca história.

Aqui ficam algumas imagens, mas não posso deixar de recordar uma afirmação do Vasco Santana, no filme Canção de Lisboa no papel de Vasquinho da Anatomia, onde dizia:  “Chapéus há muitos…!”.  Neste caso “Lampreias há muitas!”

  


[1] O Antonio Maria. nº 83. 30 Dezembro. 1880.

[2] O filho José Gregório da Rosa Araújo (1840-1893) foi vereador da Câmara Municipal e, mais tarde, seu Presidente. Exerceu as funções de Deputado e Par do Reino, para além de outras. Contudo, a acção que mais o notabilizou foi a abertura da Avenida da Liberdade.

[3] Pereira, Ana Marques, Rafael de Faca e Garfo. Lisboa. Museu Bordalo Pinheiro: 28-32.


sábado, 20 de dezembro de 2025

Feliz Natal de 2025

 

Com tantos Pais Natais por aí, é bom lembrar que também existem Mães Natais.

Votos de Festas Felizes, em ambiente calmo e com muitos e bons docinhos.