Ao folhear a
revista Ilustração de 1928 deparei-me com vários anúncios aos sais de
fruta ENO. Lembro-me, na
minha infância, de ver os sais ENO, acondicionados em frasco de
vidro, ligeiramente achatados e de tampa branca. Funcionavam como antiácidos e
existiam em todas as casas. Quando alguém ficava enfartado, depois de um grande
almoço, ou maldisposto, tomava um copo de água com os sais efervescentes e ficava
como novo.
O produto não
era novo. Inventado no século XIX em Newcastle, na Inglaterra, por um jovem farmacêutico
James Crossley Eno, cujo apelido daria o nome à marca ENO’S FRUIT SALT em 1873.
O pó efervescente continha bicarbonato de sódio, carbonato de sódio e ácido
cítrico e foi um enorme sucesso. Em Portugal, no INPI (Instituto Nacional da
Propriedade Industrial), só encontrei menção a um Fruit Salt da Glaxo em
1898, mas apenas com registo em Outubro de 1946. Também o Sal de Fructa da
Haleon Up, Ltd, datado de 1898, surgiu apenas registado também em 1946.

Acontece que o
produto já era comercializado pelo menos desde 1928, como se confirma pela
publicidade na Ilustração. Era importado directamente pela firma Robinson,
Bardsley & Co. Ltd. uma importante
firma comercial que o representava e que se situava no Cais do Sodré, nº 8, em
Lisboa. Embora importasse outros produtos este foi o mais famoso e como se pode
constatar era designado pelos dois nomes já referidos "Fruit Salt" e
“Sal de Fructa”. Provavelmente não o registaram porque não encontramos
referência ao seu nome nos registos do INPI.
Para o
publicitarem usaram desenhos internacionais em especial do designer gráfico
francês Jean Carlu (1900-1997). As
várias publicidades estão assinadas com a indicação “At. Carlu”, uma
abreviatura de atelier Carlu, que foi uma das mais importantes figuras do
design gráfico Art Deco.
De acordo com a
publicidade, de que apresentamos alguns exemplos, as suas indicações eram
inúmeras. Enumeramos algumas para além das já referidas e que são as
principais. Assim, era um laxativo muito suave e tomado de manhã e à noite
restabelecia o bom funcionamento do tubo digestivo.
Noutro anúncio afirmava-se
que fazia desaparecer o mau humor e a melancolia. Levava a uma boa digestão e
consequentemente a um sono reparador. Numa outra era afirmado que a vida
moderna levava a “comer depressa”, logo devia “modernizar-se o estomago”
tomando o Fruit Salt. Havia também dois sintomas que não enganavam e que
eram a língua branca e o mau hálito ao acordar. Eram efeitos de uma má digestão
e o remédio simplíssimo, isto é, sais Eno.
Ainda há eu
referir os sintomas depois da festa, isto é, de um lauto jantar. A cabeça e o
estomago estão pesados. Já sabem que fazer. Outro aviso semelhante era “ O
reverso … dos banquetes”, isto é, a exposição à fadiga de uma lauta refeição,
com pratos complicados.
E a terminar
(devem me ter escapado alguns), como “tratamento para a obesidade”, de que se
referiam bons resultados com este produto de reputação mundial.
Apesar de todos
estes resultados excelentes, a determinada altura, começou a constatar-se que
não era a melhor maneira de tratar estes sintomas, em especial à medida que
surgiam outros medicamentos.
Hoje, ainda se
encontra à venda, e de certeza que terá ainda fiéis defensores. Por mim nada
posso dizer. Nunca experimentei.