Há vendedeiras de frutas e …
... vendedeiras de frutas.
As primeiras procissões do Corpo de Deus começaram no século XIV e tornaram-se rapidamente em manifestações populares de fé que se mantiveram até aos nossos dias. Regulamentada desde o século XV, nela surgiam dezenas de confrarias religiosas e representantes das corporações dos mesteres que se agrupavam na Casa dos Vinte e Quatro.
Esta comemoração religiosa era
um momento de festa partilhada por milhares de pessoas, que nelas participavam,
ou que viam passar a procissão nas ruas ou das janelas engalanadas com colchas.
No século XX Diamantino Tojal (1897-1958) responsável, como construtor civil, de importantes obras lisboetas, como o IPO, e a vila Berta, nas Graça, entre outras, decidiu reconstituir o que poderia ter sido a procissão do Corpus Christi.
Tendo começado em 1944 realizou
1587 miniaturas em barro pintado do que imaginava teria sido aquele acontecimento.
Com ele colaboraram José Daniel Santa Rita Fernandes, arquitecto, Vasco Pereira
da Conceição, escultor e António Soares, pintor.
Presentemente podemos ver a
obra completa, extraordinária, exposta na antiga sala do Capítulo do Convento
da Graça, um espaço envolvente adequado e agora recuperado.
A associação não podia ser
mais perfeita. Mas como os contos de fadas a amostra está preste a acabar. Se quiserem
ter o prazer mágico da visão destas figuras, não percam a oportunidade porque
acaba já no dia 11 de Outubro.
De entre as figuras populares femininas atrai-me à cabeça a da varina de Lisboa, logo seguida pela lavradeira minhota. As primeiras já desapareceram, ao passo que as segundas continuam a ser lembradas numa tradição local, pelo menos durante o período das festas. Em comum têm a beleza da elegância feminina com trajes de saias rodadas que acompanham o movimento do corpo, nas suas actividades. Mais simples, a varina apresentava-se muitas vezes descalça, escondendo na canasta as chinelas que a legislação higienista as obrigava a usar. Perante a visão do polícia regulador, lá saltavam apressadamente as chinelas para os pés habituados ao chão da rua.
Quando em 2015 o meu amigo
António Miranda, então director do museu da Cidade de Lisboa organizou uma
magnífica exposição sobre as Varinas de
Lisboa, emprestei algumas peças simples da minha colecção para estarem
presentes. Se fosse agora este azulejo iria fazer-lhes companhia.
O azulejo, feito na Fábrica Viúva Lamego tem como assinatura: Jorge Pinto. Penso tratar-se de Pedro Jorge Pinto (1900-1983), atendendo à provável data de produção e à fábrica, uma vez que o seu pai trabalhou sobretudo com a Fábrica Constança. A sua assinatura era muito semelhante à de seu pai José António Jorge Pinto (1875-1945) que deu luz a imensos trabalhos de azulejaria, com lindíssimos painéis de Arte Nova, muitos dos quais ainda hoje visíveis na cidade como vários painéis em habitações da Avenida Almirante Reis, os azulejos da Leitaria a Camponesa, na Baixa, os da pastelaria a Tentadora, em Campo de Ourique e muitos mais que aqui não refiro.
O seu filho Pedro, que assina
este azulejo, foi também o responsável pelos painéis do Mercado do Livramento
em Setúbal, com temas relacionados com a Agricultura.
Este simples azulejo, de
linhas límpidas, remete-nos para um enquadramento de Lisboa antiga e para uma
profissão já desaparecida, que eu recordo ainda da minha meninice.
| Pormenor de fotografia estereoscópica |
| Pormenor de papel de Prateleira |
| Vendedor de Patos. Porcelana de Vista Alegre |
| Figuras típicas de Lisboa. Pormenor de papel de prateleira |
| Fotografia de criança mascarada de galinheira |
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| Milly Possoz |
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| Tapeçaria com desenho de Mário Dionísio |
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| Desenhos de oleados de canastras |