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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

A refeição do soldado

Um momento de repouso permitiu aos dois soldados tomarem uma pequena refeição. Sobre um bloco de pedra um pão (uma carcaça) duas latas de sardinhas em conserva e uma garrafa de cerveja. Armas e sacos postos de lado nada nos informa sobre o local e a função que estão a executar.
É também omissa a data. Como único elemento identificador o rótulo da garrafa de cerveja Sagres, apenas parcialmente visível, que nos informa tratar-se de uma garrafa da década de 1970.
Se assim não fosse atribuiria talvez à foto uma data mais antiga, embora a forma de abertura da lata nos situem também já numa década mais avançada. E digo mais avançada em relação ao documento que a acompanhava e que é anterior. Data de 1937 e é um pequeno postal-convite enviado por correio e ainda com o selo e carimbo de Coimbra de 18 de maio de 1937. Com o título «Notícias farmacêutica» convida o endereçado e a sua família a assistirem a uma conferência sobre «A arma química e a futura guerra». 
Posters da Wikimedia
Não podemos saber o que foi dito mas haveria seguramente uma referência à mostarda nitrogenada que foi usada como gás mostarda na primeira Guerra Mundial. Muitas vítimas foram atingidas por esse produto letal e extremamente vesicante que provocava lesões cutâneas e pulmonares a quem o inalava. A sua disseminação pelo ar podia ser insidiosa e como cheirava a alho vários posters de alerta foram divulgados pela tropa.
Imagem tirada da internet
Percebeu-se depois que este produto atacava predominantemente a medula óssea e o sistema linfático, locais de formação e armazenamento das células sanguíneas. Por esse facto passou a ser usado em leucemia e em doenças linfoproliferativas. A Doença ou Linfoma de Hodgkin sofreu o seu grande revez e a maior parte dos doentes começaram a ficar curados. Hoje já não se usa mas este foi o primeiro grande avanço em quimioterapia.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

VIROL, uma alimento à base de tutano

O frasco de Virol apresentado era vendido em farmácias como suplemento alimentar. Esta forma de reforço alimentar foi desde sempre valorizada nos períodos de doença que se acompanham de falta de apetite.
O Virol era uma marca registada, de origem inglesa, que teve grande divulgação no século XIX. Era vendido em frascos de cerâmica vidrada creme, com rótulo preto, em três tamanhos. Durante os anos 20-30 era ainda comercializado, mas a apresentação passou a ser feita em frascos de vidro castanho. Era então publicitado como sendo útil para meninas anémicas.
Era uma bebida feita à base de extracto de malte, havendo mais do que uma variedade. Numa delas realçava-se a prevalência do óleo de fígado de bacalhau, mas a mais divulgada foi a aqui apresentada enriquecida com medula óssea. Para uma Hematologista, como eu, em que a medula óssea só é utilizada para transplantes, esta forma oral de ingestão é fascinante.
A medula óssea não é mais do que o tutano dos ossos. Como local de produção de células hematopoiéticas vai, ao longo dos anos, produzindo cada vez menos células sanguíneas e tornando-se mais adiposa. É por isso que em culinária se usam sobretudo os ossos longos.
Considerada desde sempre um alimento apreciado, foi muito consumida durante a Idade Média e a Renascença.
O Mestre Martino, no “Libro de Arte coquinaria”, do século XV, apresentava uma receita de tarte de marmelos recheados com tutano.
Durante os século XVIII e XIX existiam mesmo colheres próprias para comer tutano. Modernamente a receita mais conhecida é a de “osso buco” em que a carne é apresentada num corte que atinge o tutano do osso. Por vezes é acompanhado de risotto milanês, em que o arroz Carnaroli é enriquecido com tutano.

Lembro-me de em minha casa se comer o tutano dos ossos longos da vaca, que eram cozidos na sopa. Não existiam as tais colheres e a forma prática de se ter acesso ao tutano era segurar no osso e assoprar numa das extremidades. O tutano saia inteiro, para prazer de quem o ia comer, uma imagem que já estava perdida na minha memória.

Foto extraída de Antique Bottles

"THE// IDEAL FOOD// VIROL// A PREPARATION OF // BONE MARROW // AN IDEAL FAT FOOD // FOR CHILDREN // & INVALIDS