A primeira vez que olhei para este açucareiro pareceu-me ver um objecto que, de algum modo, me era familiar.
Quem olhar para ele pensa imediatamente que deve ser inglês ou americano, uma vez que foram os que mais utilizaram este modo de servir açúcar.
Rebusquei na minha memória e lembro-me de ter utilizado este tipo de açucareiro. Cheguei mesmo a ter um mais pequeno, igualmente em vidro, em que da tampa em metal saía um pequeno tubo biselado. Invertia-se o objecto e o açúcar saía livremente. Era preciso muita experiência para acertar na quantidade de açúcar e ao fim de pouco tempo desisti de usar esta estrangeirice.
Fiquei portanto surpreendida quando relacionei o objecto aqui apresentado com a imagem de um açucareiro feito por António Augusto Pedro. Este português, industrial, residente em Lisboa na Avenida D. Rodrigo da Cunha, Lote 4- 1º B Dtº requereu no dia 24 de Abril de 1954, o registo deste modelo industrial de açucareiro.
Este açucareiro era portanto português. O frasco em vidro tem seis faces, com estrias verticais e horizontais, que permitem mais facilmente segurá-lo. A base é circular e tem em relevo, a identificá-lo, as marcas AP que, presumo, correspondem a António Pedro. Desconheço em que fábrica era executado o mesmo ou se era produzido pelo próprio. Tratar-se-ia de um objecto destinado a exportação? Perguntas para as quais é difícil encontrar resposta.
Não há dúvida que pouco foram usados em Portugal. O seu uso teve como princípio noções de higiene. Tratava-se de uma embalagem fechada e portanto sem possibilidade de ter aceso fácil ao açúcar, pelo que foi usado sobretudo em restaurantes. No caso presente, as suas grandes dimensões (17 cm de altura) adequam-no mais a esse destino.
Não há dúvida que pouco foram usados em Portugal. O seu uso teve como princípio noções de higiene. Tratava-se de uma embalagem fechada e portanto sem possibilidade de ter aceso fácil ao açúcar, pelo que foi usado sobretudo em restaurantes. No caso presente, as suas grandes dimensões (17 cm de altura) adequam-no mais a esse destino.
A legislação que proibiu a dispensa de açúcar a granel nos estabelecimentos alimentares, substituindo os diferentes tipos de açucareiros por pacotes individuais de açúcar, pôs fim a estas invenções.



